Moe’s Lucid Dreams
Sonhos lúcidos com uma trilha sonora incrível…

O Rei que permaneceu nas Sombras: uma sexta-feira 13 em 1991.

Fevereiro 13th, 2009 de Moe
Mesmo não sendo supersticioso, vou aproveitar e sexta-feira 13 para falar de um assunto que foi uma grande “zica” musical…e também, infelizmente, uma das menos conhecidas.

Imagine se você tivesse a possibilidade de montar uma banda que fosse um dream-team. Você tem um vocalista carismático, do qual o público lembra por causa de músicas como Waiting For A Girl Like You e I Wanna Know What Love Is, clássicos do Foreigner. Você tem também um baixista faz-tudo que já tinha participado de bandas como Warrior e do disco Atomic Playboys, do Steve Stevens. Um guitarrista lembrado pelas músicas mais famosas do Dio, clássicos como Holy Diver e Rainbow In The Dark e também fez turnê tocando no Whitesnake, na sua fase mais famosa, com hits como Is This Love? e Still Of The Night. O baterista, um músico de estúdio que gravou para diversas bandas, incluindo o Kiss. Eu estaria satisfeito com esse histórico dos membros.

Shadow King

É claro que alguém montou essa banda! O Shadow King foi montado pelo vocalista Lou Gramm e pelo baixista Bruce Turgon, quando trabalhavam em músicas para o terceiro álbum solo de Gramm. Eles resolveram que as músicas funcionariam melhor como um disco de uma banda nova. Então, começaram a procurar por músicos para completar a banda. Vivian Campbell já havia tocado no segundo álbum solo de Gramm, Long Hard Look, e Kevin Valentine foi sugerido pela Atlantic Records. E, tendo conseguido montar essa ótima equipe, a “sorte” apareceu de novo, com um pedido de uma música para o filme Highlander II: The Quickening. One Dream, é tocada durante os créditos, no final do filme. E é uma das minhas músicas favoritas, dentre todas que conheço. Nesta ocasião, não foi creditada ao Shadow King, mas sim à The Lou Gramm Band.

Já haviam muitas músicas compostas por Gramm e Turgon nas quais eles já estavam trabalhando, inclusive gravando. Turgon não só tocou baixo, mas também teclados, trabalhou com sequencers e fez backing vocals e todas as bases de guitarra. Campbell gravou os solos e compôs algumas músicas com Gramm, das quais apenas Russia entrou no disco, pois já tinham muitas outras em andamento. E Valentine gravou as partes de bateria.

A verdade é que eles fizeram um dos meus álbuns favoritos. Acredito que, se eu montasse um top 10, ele entraria na lista. Ótimas performances de todos, ótimos timbres de todos os instrumentos, ótimas composições, ótimos arranjos…enfim, uma ótima banda em um ótimo trabalho. A idéia de Gramm sobre o conceito da banda era que todos eram músicos que estavam na “sombra” de bandas maiores com as quais tinham trabalhado e este seria para estabelecer a saída deles dessa sombra, fazendo algo que não remetesse e esses projetos.

Tendo esse disco na mão, em 1991, eles lançaram o primeiro single, com a música I Want You, e agendaram datas para uma turnê, sem nunca terem tocado ao vivo com essa banda. Fizeram o primeiro show no Astoria, em Londres, no dia 13 de dezembro de 1991, também uma sexta-feira. E este foi também o último. O que se encontra de informação é que “os membros sabiam que não estava funcionando”, mas eu, honestamente, não acredito. Ou pelo menos, não acredito que a máquina inteira estivesse quebrada, que não pudesse ser trocada uma peça. Sim, se eu acho o disco tão perfeito, eu teria que ter minhas ressalvas sobre alterar a equipe que o produziu - e tenho. Mas veja bem: haviam duas forças motrizes nesse grupo: Gramm e Turgon (não necessariamente nessa ordem…). E, se o problema fosse entre eles dois, eles não teriam continuado trabalhando juntos depois, eu acredito.

Sendo essa a situação, Campbell anunciou sua saída para juntar-se ao Def Leppard. Cogitou-se a substituição dele, e o nome mais cotado foi Steve Farris, do Mr. Mister [LINK]. Mas a decisão foi por não continuar. Valentine foi tocar no Cinderella. Turgon e Gramm continuaram juntos, trabalhando em músicas que seriam novamente para o terceiro álbum solo de Gramm, mas algumas foram parar no Mr. Moonlight, do Foreigner, quando Gramm voltou para a banda e levou Turgon.

Ouça esse disco. É muito difícil de encontrar, mas realmente vale a busca. Infelizmente, é uma peça única, e é difícil saber ao certo o por quê. Mas não tem uma vez que eu escute esse disco e ele não me traga um sorriso no rosto, e minha admiração pela obra só aumenta. E fico pensando no valor que tem algo sólido, construído sobre a rocha. Mas também é interessante pensar na beleza que tem algo raro e único. E chego à conclusão que o ideal é estar sempre se reconstruindo, reinventando…mas sempre sobre uma estrutura firme.

“Yesterday’s gone, and all that remains of the past is this memory.”
Lou Gramm

Moe.

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2 respostas

  1. Odair

    Gostei. Vou procurar o disco e escutar com muita atenção para checar o seu feeling.

  2. Dino69

    Grande Moe! Seu blog está show de bola!
    Grande abraço

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