Moe’s Lucid Dreams
Sonhos lúcidos com uma trilha sonora incrível…

Personagens

Fevereiro 17th, 2009 de Moe
Uma conversa que tive outro dia me levou a pensar sobre algumas “esquisitices artísticas”. Aquele lance que o artista faz pra ser diferente dos outros, pra ter uma personalidade mais marcante, ou simplesmente para compor um personagem para se expressar.

É claro que isso sempre existiu e muitos motivos foram atribuídos para os comportamentos estranhos que a grande maioria dos artistas parece ter. Mozart era beberrão e irônico, Beethoven era fechado ao extremo, Blackmore é austero, Mustaine fala o que quer, Vai é excêntrico. Claro que tem a personalidade de cada um envolvida, o cara não pode ser “mandão” com a banda se não tiver um senso de liderança, por exemplo. Mas, acredito que diversas dessas coisas estão ligadas à criação de um personagem, que colabora com a canalização da arte. Ajuda a entrar no clima.

Vou usar dois exemplos de artistas que gosto e que me influenciam. Sou muito fã do King Diamond e também do John 5.

King Diamond - Conspiracy

Diamond é classificado como satanista por muitos por causa do conteúdo de algumas músicas e também pela caracterização do personagem - cruzes de cabeça pra baixo e assim por diante. Não sei se esse realmente é o apito que ele toca, por assim dizer. Mas é engraçado como ninguém deixa de assistir à novela por pensar que fulano é satanista, beltrano é drogado, fulana é promíscua. Mas isso é um outro assunto. O lance é que King Diamond é um personagem interpretado por Kim Bendix Petersen, o que facilita o trabalho de contar histórias de terror com seus discos. Ou você acha assustador um cara de bigode com um bonezinho de esporte virado para trás???

John 5 - Requiem

John 5 era guitarrista do Marylin Manson, atualmente toca com Rob Zombie e tem uma carreira solo com os pés firmados em dois estilos musicais: metal e…country! É, pode parecer que não tem nada a ver uma coisa com a outra (e talvez não devesse ter mesmo) mas ele faz o trabalho soar coeso combinando essas duas coisas, também com uma atmosfera sinistra ao extremo, o que também é mostrado na sua caracterização. No caso dele, as músicas são instrumentais, então cada detalhe é importante para deixar explícito o clima, uma vez que não existem as letras para realmente dizer o que se passa. Mas é só olhar para ele que você vai saber que ele não vai tocar algo muito alegrinho.

Eu gosto disso. Acho que é mais uma forma de ser dedicado ao trabalho. Claro que muitos podem argumentar que o trabalho do músico é fazer música. Certo. Mas, e a canalização dessa música? Por que há luzes coloridas no palco, ao invés de ter somente um lugar mais alto para que todos pudessem assistir? Melhor ainda: por que assistir se a música é para ser ouvida? Porque você não tem um sentido só. Porque eles não funcionam um por vez. Porque o ser humano não se satisfaz somente com alguns deles. Porque a experiência PODE ser multi-sensorial. Porque todas essas coisas, quando bem combinadas, ficam bem juntas - ou você já tentou assistir um filme no cinema sem a trilha sonora?

Acredito que isso ajude a satisfazer os ouvintes porque eles também estão nessa composição. Por exemplo, quantas pessoas que gostam de Rush gostam também de Arquivo X ou Star Wars? Não é para se pensar?

“Games people play, you take it or you leave it.”
Alan Parsons

Moe.

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2 respostas

  1. Vikk

    Sou totalmente a favor da experiência multi sensorial na música…
    Tocar como se tivesse vindo da rua, de cabeça baixa como se estivesse na sala da sua casanão rola…
    Sempre tentei misturar as duas coisas… por mais psicopata eu pareça na bateria.. mas isso realmente valoriza a experiência…
    Afinal Kiss eh uma faculdade disso..

  2. Moe’s Lucid Dreams » Blog Archive » Slipknot - All Hope Is Gone

    […] Slipknot - All Hope Is Gone Fevereiro 22nd, 2009 de Moe Em outro artigo nessa semana, comentei sobre a representação de personagens por parte dos artistas. Uma banda que sempre teve essa abordagem foi o Slipknot. E essa semana, eu estava ouvindo o último disco, All Hope Is Gone, lançado no ano passado. […]

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