Moe’s Lucid Dreams
Sonhos lúcidos com uma trilha sonora incrível…

Fates Warning - FWX

Março 1st, 2009 de Moe
Tem certas ocasiões na vida em que a gente faz besteira. Como, por exemplo, comprar um CD e guardar sem ouvir. Quase fiz isso com esse álbum. Comprei, ouvi algumas vezes, gostei muito, mas depois acabei esquecendo que o tenho. Resolvi fazer justiça ao disco agora, após assistir novamente ao DVD Live In Athens, que foi parte da turnê deste.

Fates Warning - FWX

Conheci o Fates Warning através de uma piadinha num encarte de um CD do Dream Theater. Pesquisei para ver do que se tratava e acabei chegando nessa ótima banda. Seu trabalho pode ser claramente dividido em duas fases, marcadas pela troca de vocalista, do John Arch para Ray Alder. O início tinha uma sonoridade bem característica dos primórdios do metal melódico, como o som do Helloween, também nos primeiros discos. Com o passar dos anos, a barco acabou navegando pro lado mais progressivo, mas sem perder a agressividade. A verdade é que eles acabaram sendo pioneiros do metal progressivo, escola que gerou algumas bandas muito boas - inclusive o Dream Theater.

O disco todo soa como uma obra conjunta. O nome, FWX, sugere as iniciais da banda, e também que é o décimo álbum de estúdio. Algumas músicas, como Simple Human e Another Perfect Day, têm aquele clima de futuros clássicos para os fãs, o que é interessante observar, inclusive por causa das reações nos shows. Outras duas músicas me provocam a mesma impressão, Left Here e Heal Me.

Left Here abre o disco, inicialmente calma, e depois mostrando o que falei acima, com as características dessa segunda fase da banda, e desemboca na mais enérgica Simple Human, que mostra bem que Jim Matheos ainda trabalha com a mesma sonoridade de quando haviam dois guitarristas na banda. Ele, sendo o único integrante original da banda, é o principal compositor e se encarrega de diversas tarefas, inclusive co-produzindo o disco. River Wide Ocean Deep traz diversos sons de samplers que também ficaram a cargo dele, bem como os teclados, usados com bom gosto.

Another Perfect Day é outra música muito bem executada, com destaque para a bateria de Mark Zonder e os timbres de violão usados por Matheos. Já Heal Me, a mais longa do álbum, trabalha bastante com sequencers no início, deixando uma ótima atmosfera para a interpretação de Alder ficar em destaque. Em seguida, o clima fica mais parecido com Simple Human, o que dá aquele sabor de déjà vu musical, quase como numa overture, mas sem repetir o tema. A dinâmica abaixa no final da música, para emendar com Sequence #7, nome curioso por ser a sexta faixa do álbum. Nesta, que trabalha para preparar o clima para a próxima, destaco o baixo de Joey Vera, e o bom trabalho de junção com Crawl, que dá a impressão de serem uma música só. Crawl começa mais forte, mostrando um lado mais heavy metal, complementado o lado progressivo da anterior.

A Handful Of Doubt é bem progressiva também, introspectiva no início. Ótimos timbres de todos os instrumentos colaboram com a beleza da faixa, como no trabalho todo. Acredito que os anos de carreira de Matheos com a banda deixaram bem clara em sua cabeça a sonoridade que combina com os trabalhos do Fates Warning. E quando você acha que isso não vai mais acontecer, a dinâmica sobe, com guitarras distorcidas, sobre a levada (bem diferente) da bateria, abusando dos pratos, tornando a passagem um tanto apoteótica. Uma breve queda anuncia o início da acelerada Stranger (With A Familiar Face), que tem novamente uma interação perfeita entre os instrumentos, especialmente baixo e bateria.

Com Wish, o disco termina como começa, colaborando com a coesão da obra. Há uma parte de piano muito bonita, gravada por Matheos, emendada a um solo de guitarra com a mesma qualidade. E a dinâmica abaixa após isso, preparando para o final do álbum.

É uma pena que eu tenha demorado tanto para ouvir esse disco como se deve. Mas é como a sensação de achar dinheiro perdido num bolso qualquer…risos. Vai agradar muito aos fãs e também é uma boa porta de entrada para quem quiser conhecer o trabalho da banda.

“The sun is overhead but I can’t see past the clouds in my eye.”
Jim Matheos

Moe.

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