Ontem fui surpreendido pela notícia da saída de Mike Portnoy do Dream Theater, banda que ajudou a fundar mais ou menos 25 anos atrás e que popularizou (na medida do possível) o heavy metal progressivo. Ele deixou a banda e, na nota do site oficial, alegou que precisava de férias das atividades da banda, mas os demais membros não concordaram.

Mike Portnoy

Até aqui, tudo bem. Digo, esse tipo de coisa é bem comum em bandas – talvez não muito depois de uma jornada de 25 anos. Mas, lendo atentamente a notificação escrita pelo Portnoy, ele estava sentindo-se consumido pela “máquina DT”. E não é para menos. Já faz alguns anos que a banda está em uma certa rotina cíclica de “gravar disco – turnê mundial – gravar dvd ao vivo”. O que ocorre é que ele é um workaholic que supervisiona tudo pessoalmente e, além de tocar bateria (muito bem, por sinal), também produz os dvds, co-produz os albuns com o guitarrista John Petrucci, e demais tarefas bandísticas como compor músicas, escrever letras, etc.

Tudo bem normal, né?

Talvez nem tanto. O fato é que quando o jegue está sobrecarregado, mais cedo ou mais tarde, ele empaca. Fato.

Explico, claro! Longe de mim dizer que algum dos caras da banda seja relapso, mas Portnoy foi se cercando de mais e mais atribuições ao longo dos anos e estava longe de ser somente o baterista. Algumas de suas atribuições são realmente incomuns aos bateristas, como escrever grande parte das letras das músicas. Claro, Neil Peart escreve (muito bem) praticamente todas as letras do Rush desde que entrou, mas a maioria das composições não tem a participação dele. E assim funciona um time, cada um desempenha um papel, se compromete com alguma coisa, faz jus ao compromisso, e ninguém fica sobrecarregado. Ou pelo menos deveria ser assim.

Nunca vi equipe nenhuma em toda minha vida em que todos os membros estivessem equiparados em seus esforços. Nem espero ver. De verdade, não espero mais que isso aconteça e estou em paz com isso – o que não quer dizer que eu concorde.

Talvez, de uma certa forma, as equipes sejam fadadas a darem errado e seja preciso um constante esforço para evitar que isso aconteça. Como disse uma vez ao meu amigo e parceiro de projetos Renato, “A gente não precisa fazer nada pra dar errado. Aliás, nada é exatamente o que precisa ser feito. Essa p*##@ é morro abaixo!”

“You drop the ball, I pick up the slack and you ask me why my hairs gray (…) So I hurt your feelings, well I’m really sorry but I don’t give a shit…” – Mike Portnoy

Moe.
[Atomic Lab]