Mais um ano. Um ano bem interessante.

Esse ano, para mim, causou uma certa sensação de plenitude, meio que um full circle. Claro que o ciclo termina onde começa, mas o importante é que nós estejamos diferentes ao chegar no “recomeço”, e eu realmente acho que estou.

Moe
foto por Junior Reis

Em 2010, me permiti experimentar alguns caminhos musicais meio diferentes, e acabei encontrando desenvolvimento dessa forma. Busquei conhecer coisas novas, busquei me aprofundar em coisas antigas e as duas empreitadas foram muito boas. É impressionante o que o poder da observação, e mais ainda, da experiência, pode trazer de informações. Eu sempre achei bom revisitar livros antigos, discos antigos, situações antigas. E, sem medo de soar egocêntrico, em tudo você encontra a si mesmo, pois tudo é visto com seus olhos, ouvido com seus ouvidos. Já parou para pensar que se eu adoro Steve Vai e você não é simplesmente porque ouvimos de formas diferentes? Quando escuto uma música, eu interajo com ela, coloco a minha parcela na própria música, porque eu a interpreto conforme escuto. Sou eu. Eu e mais ninguém. E assim funciona com todo mundo.

Esse ano eu pude ver melhor a individualidade de certas coisas. Pude entender exatamente porque algumas coisas não funcionam, por mais que isso me desaponte, e pude aprender a aprender ainda mais com aquilo. Entendi o que uma pessoa me disse ume vez, “se não há solução, não existe problema”. A situação que o cara usou para isso era um tanto suspeita. Mas entendi o recado: se não há solução e logo não há problema, o que existe é meramente uma regra – que pode eventualmente ser quebrada.

Esse ano aprendi a ver o palco da minha vida por um novo ângulo. Um ângulo bonito, que agregou muito, juntamente ao meu ângulo natural. Tudo isso é experiência. E tem certas coisas na vida que só surgem junto com cabelos brancos. E outras coisas que só desaparecem dessa mesma forma.

“La vita fugge, et non s’arresta una hora,
et la morte vien dietro a gran giornate,
et le cose presenti et le passate
mi dànno guerra, et le future anchora;
e ‘l rimembrare et l’aspettar m’accora,
or quinci or quindi, sí che ‘n veritate,
se non ch’i’ ò di me stesso pietate,
i’ sarei già di questi penser’ fòra.

If i could stop time…
How many things that I would change from the past
I’d set my life right

If I could live forever
How many emotions I would learn to control
And feel what I want

Time is running too fast for me
You can’t stop its course
Never surrender, I’ll sleep when I’m dead
Time is moving along too fast
I can’t think straight
Won’t take all the time that I need
If I try I’ll always be late

I wanna kill time
Win my own war to survive
Only a chance…I’d surely not fail

Time is running too fast for me
You can’t stop its course
Never surrender, I’ll sleep when I’m dead
Time is moving along too fast
I can’t think straight
Won’t take all the time that I need
If I try I’ll always be late

Tornami avanti, s’alcun dolce mai
ebbe ‘l cor tristo; et poi da l’altra parte
veggio al mio navigar turbati i vènti;
veggio fortuna in porto, et stanco omai
il mio nocchier, et rotte arbore et sarte,
e i lumi bei che mirar soglio, spenti.

Time is running too fast for me
You can’t stop its course
Never surrender, I’ll sleep when I’m dead
Time is moving along too fast
I can’t think straight
Won’t take all the time that I need
I’ll always be late…

La vita fugge.”
Fancesco Petrarca/Carlo Magnani

Moe.
[Atomic Lab]