Todo minuto da minha vida é um divisor de águas. Mas em alguns deles, até parece que a água pára de correr, pra voltar somente depois de um tempo.

As pessoas mais próximas a mim sabem do acontecimento de Fevereiro, e sabem exatamente o que tudo isso significa para mim. Sabem que significa que tenho que tomar as rédeas de muitas coisas, que tenho que fazer coisas que já deveria estar fazendo há muito tempo, sabem que estou pensativo, meditando sobre a minha vida e o que mais vem a seguir. Esse blog não tem um caráter pessoal, mas tem certas coisas que afetam todas as esferas da sua vida, logo, este espaço não iria escapar também.

Mas, longe de ser algo com objetivo de deixar alguém deprimido, devo dizer que é possível estar em paz, mesmo não podendo ainda estar feliz. Tudo mudou para sempre, simplesmente porque EU mudei para sempre. Mas tudo que guardo dentro de mim, todas as coisas boas que guardo, estarão sempre aqui e sempre me levando para frente, junto com minha fé, com as orações e ajuda dos bons amigos e amigas e também com o suco que todos sabem que é um grande alimento para mim, a música.

Hepen + Moe no Fest Fecha 13

Antes de tudo acontecer, tinha recebido um convite do meu amigo Neto para tocar com a banda dele numa festa, já que eles estão com um guitarrista só. Topei na hora. O repertório bem variado, tendo de Queen a Raul Seixas, passando por Supertramp, Men At Work, Cazuza e Barão Vermelho, Bob Marley e muitas outras coisas, inclusive composições da própria banda, que podem (e devem) ser conferidas no site deles, com download gratuito, vídeos no Youtube, letras e tudo mais. Aposto que já tem gente surpresa nesse ponto, por causa da diversidade. Minha mãe, sabendo de como eu gosto de tocar ao vivo (tocar, de qualquer forma possível, na verdade) estava muito contente com isso, me incentivou muito, como sempre. Daí, com tudo que aconteceu, sobrou uma semana para aprender o repertório todo, de mais ou menos 80 músicas. Isso em meio às outras tarefas que a vida me apresenta.

Hepen + Moe no Fest Fecha 13

Deu tempo? Eu fiz dar tempo. Tiveram muitas coisas que teriam feito muita gente desistir, mas eu fui mesmo assim. Até o jantar, uma hora antes da hora combinada no local, atrasou. Celular sem funcionar. Bom, várias coisas. Várias coisas irrelevantes. Deu certo? É melhor perguntar para quem foi. Mas, do meu ponto de vista, de cima do palco, depois de estar tocando por quase quatro horas e o pessoal não querendo que a banda pare, acho que é um forte indício de que a resposta seria ‘sim’.

Curti demais e consegui tirar minha cabeça de todo o resto, naquele transe magnífico que só acontece no palco, quando você tá tocando sem ensaiar com a banda (na verdade, conheci a galera subindo no palco), principalmente se for alguma música diferente daquelas 80, que você nem ouvia há muito tempo, e você agradece a Deus por ter um ouvido colado no amp do baixo e um olho vidrado na mão do tecladista. Fazendo tudo isso ao mesmo tempo, ainda tentando colaborar com uns backings, você não vai conseguir pensar em mais nada. E quando dá certo você sente aquela reafirmação de que você tá no lugar certo, tá fazendo a coisa certa. Não que eu tivesse dúvida. Mas como dizem alguns, não é ver para crer, é preciso crer para ver.

Hepen + Moe no Fest Fecha 13

Quero agradecer todo o pessoal da Hepen, Eder (bass/vox), Pedro (drums), Edilson (keys), especialmente o Neto (guitar/vox) pelo convite, além do pessoal do Fecha Bodegas, uma galera que realmente curte o som, agita muito mesmo depois de um dia inteiro de festa, até as 3 e meia da manhã. Foi o primeiro show que toquei onde você ouvia de um lado ‘toca Raul’ e do outro ‘toca um Petrucci aí’. E especialmente também quero agradecer minha noiva Vanessa, por me aturar falando quase que só disso por dias enquanto me preparava pra jornada, e também no caminho inteiro. Ida e volta.

“Always be my Guide and show me my way.”

Moe.
[Atomic Lab]