Sonhos lúcidos com uma trilha sonora incrível…
E o desabafo, hein?
Bom, claro que o vídeo foi carregado de emoção, como o próprio Edu reconheceu em entrevistas posteriores. Claro que a forma de falar foi um tanto agressiva, ou talvez eu deveria dizer, “humana” demais. Era o cara falando sobre o que ele tava sentindo naquele momento, acerca de uma situação que realmente acontece e afeta diretamente o trabalho (e o sustento) dele e de muitos outros. Sem as máscaras de assessoria de imprensa e coisas do tipo, o cara foi bem sincero.
É óbvio que do ponto de vista comercial, foi uma bobagem fazer isso. Lembra daquela tal história que o cliente sempre tem razão? Pois é. Mas, eu concordo com muita coisa do que ele falou, independentemente disso. Eu mesmo já entrei em muita discussão (e entro sempre com gosto, a hora que for) com pessoas que acham que não devem pagar pela música que escutam, e o discurso dele deu uma bela pincelada nisso. No final das contas, é exatamente o que ele disse: sem suporte, essa merda vai acabar.
Claro que muita gente pode ter se sentido ofendida com a afirmação de que o brasileiro valoriza só as bandas de fora, feita de um jeito muito engraçado, apesar de agressivo. Eu mesmo gosto de poucas bandas nacionais. Mas, é claro que ele não estava falando que você DEVE gostar das bandas brasileiras, mas sim que, se você não tem vontade de apoiar os caras, não fique fazendo média em mídias sociais e coisas do tipo, porque elogio não paga contas. Eu acho que eu já falei isso sobre aplausos nesse blog, e o elogio funciona da mesma forma, sendo o aplauso uma forma de elogio.
Pouco tempo depois disso, o Lobão soltou um vídeo se recusando a tocar no Lollapalooza, explicando a sacanagem que os caras estão fazendo, colocando as bandas nacionais somente por terem obrigações legais de fazer isso, deixando a elas os piores horários e condições de trabalho. Para caras que tem uma carreira muito mais longa e significativa do que muitas das bandas gringas que estarão no festival.
Como eu já disse, e quem me conhece sabe, são poucas bandas brasileiras que gosto, prefiro (por estética artística) a sonoridade da língua inglesa no rock e afins, mas acho que o respeito profissional não tem nada a ver com o gosto pessoal. E realmente, o brasileiro não curte respeitar muito coisa nenhuma, quanto mais o trabalho alheio. Curte fazer uma tietagem, curte flertar com os cinco minutos de pseudo-fama porque tá tirando foto apertando a mão de cara famoso pra colocar no Facebook e falar mal do cara depois. Daí vem o Slipknot e canta “People equal shit”, e tem gente que acha que é um exagero niilista. Será?
Moe.
[Atomic Lab]
| Imprimir artigo | Este artigo foi escrito por Moe em 1 de December de 2011 às 16:24, e está arquivado em Artigo, Vídeo. Siga quaisquer respostas a este artigo através do RSS 2.0. Você pode deixar uma resposta ou fazer um trackback do seu próprio site. |
há 2 meses atrás
Ele esqueceu de falar que o som que ele faz é chato para caraleo talvez seja por isso que ninguém vai nos shows das bandas dele…..
abraço
há 2 meses atrás
Ah cara, isso é uma questão de gosto pessoal, então nem vou colocar em discussão…hehehe. Mas, o lance é…se não curte o som do cara, por que ficar no Facebook, Twitter ou qualquer coisa fazendo ode ao cara?
Só pra ilustrar como é EXATAMENTE desse jeito: uma vez que eu tava num pocketshow do Dr. Sin, na última fila, na FNAC Pinheiros. O Edu Falaschi chegou, com a mina dele, e o cara é simpático, então você olha pra ele e ele te dá um “opa, beleza?” ou algo do tipo. Foi o que fiz. O cara foi curtir o show com a mina dele, passou por mim, educadamente nos cumprimentamos. Acontece que, dali a pouco, quando o povo do fundão notou o cara, que tava discreto no canto dele por sinal, pronto. Acho que o cara não conseguiu mais ver show nenhum, de tanto assédio. Eu lembro que comentei com meu amigo Daniel, que tava junto, “putz, o cara se fodeu, não vai assistir porra nenhuma”.
Tudo isso é normal, assédio a pessoas famosas. O que não é normal é assédio sem suporte. Assédio sem suporte é o cara querendo satisfazer o próprio ego contando pros outros que trocou uma idéia com o fulano pra se engrandecer, e a gente sabe que isso acontece bastante, mas não é uma pessoa que realmente curte a carreira do cara. Então, é fácil: deixa o cara em paz. Não fica fingindo que apóia e gosta do que ele faz. Se isso realmente ocorresse, não existiria uma expectativa de um show cheio e o cara não teria o que falar, certo? =D
Abraços!
há 2 meses atrás
Moe,
Mandou muito bem!
Faço das suas, minhas palavras. Gostaria apenas de levantar algumas questões:
Em 1997, o som “Make Believe” do álbum Holy Land do Angra, ficou em primeiro lugar no Top 20 Brasil da MTV, quando ainda era possível assistir alguma coisa na emissora. Inclusive, nesta mesma época havia um programa chamado Fúria (antigo Fúria Metal), cuja programação era destinada ao público Heavy Metal. Sinceramente, alguém poderia me dizer se atualmente existe algum programa similar na MTV? Eu sei que este programa era apresentado pelo Gastão Moreira, que juntamente com o Fabio Massari “Reverendo” eram os dois melhores VJ’s da casa. Atualmente, onde estão os dois? Por exemplo, foi através do Massari que eu ouvi falar pela primeira vez em Frank Zappa. Na minha opinião, hoje a rádio Kiss FM é o único veículo de comunicação que dissemina com paixão o gosto pelo rock n roll, independente da vertente.
No meu modo de ver, com exceção do Dr. Sin, a maior parte das bandas nacionais, seja ela de metal ou não, tornou-se cansativa e burocrática, repetindo receitas o tempo todo, ou em alguns momentos querendo reinventar a roda. Por exemplo, eu tenho praticamente todos os discos do Sepultura até o Roots, depois dele nenhum trabalho da banda caiu legal pra mim, assim como alguns trabalhos do Angra. Falando em bandas gringas, eu fiquei quase 12 anos sem comprar um disco do Metallica, até quebrar este jejum com o disco Death Magnetic, que se não é o melhor álbum da banda pelo menos devolve um pouco de sua identidade e qualidade. Por isso, que eu gosto de bandas como o Megadeth, que consegue inovar sem perder sua principal característica, HEAVY METAL, além de ser uma baita escola de guitarristas.
Por fim, eu até concordo em partes com o apelo do Falaschi. De fato, eu acredito que o público tenha a sua parcela de culpa, porém, não mais do que os próprios artistas e os veículos de comunicação, que no meu modo de ver ficaram ilesos às críticas dele. Apesar de sermos roqueiros e metaleiros, não podemos levantar a bandeira do “Foda-se” e sair disparando como fez o Sr. Edu Falaschi, com uma tremenda falta de educação e desrespeito às pessoas de um modo geral.
Um forte abraço a todos!
há 2 meses atrás
Valeu, Fernandinho!
Concordo contigo e esse foi um ponto que não coloquei: há mais culpados nessa história que não foram elencados, realmente. Acredito que a falta de público em shows seja o resultado de diversas coisas, como as que o Edu citou, outras que você mesmo colocou, e até o comentário do Sílvio, que vai de encontro com o que você disse das bandas brasileiras atualmente.
Bom, sobre fórmulas repetitivas, isso é mais velho que andar pra frente. Realmente acontece e geralmente é o que faz uma banda permanecer no sucesso, e posso citar muitas. Como sempre, o lance mais complicado da coisa é a dosagem, mas veja como a vida do artista é ingrata: o cara tem que se inovar pra não ficar repetitivo, mas não pode mudar muito a ponto de perder a identidade ou “se vender”!!! Hehehe. É ou não ingrato? Se o cara muda muito, se vendeu (Metallica), se não muda nada, é chato e repetitivo (Yngwie Malmsteen).
Agora, olha só como tem coisas que não são mensuráveis, porque acho que é só fruto de carisma: o AC/DC faz o MESMO som desde o começo da carreira. E quem gosta não critica por isso. Já o Queen tem músicas de tudo quanto é jeito e formato. E quem gosta não critica por causa disso. Só pra registrar, curto pra caramba as duas bandas. Apesar disso, por ser músico e compositor, eu talvez olhe a coisa de uma forma diferente, mais analítica talvez, e veja em ambas as coisas a forma de expressão dos artistas, coisa que cada um deve ter a sua e quem gostar, que goste, quem não gostar, tudo bem também. Mas pessoas (bandas) diferentes tendo comportamentos iguais recebem resultados diferentes. Porque o ser humano não é homogêneo e age como acha que deve. Vide a declaração que o Edu deu. hehehehe
O lance é não ser bitolado (como o Edu sugeriu que as pessoas são). Você, por exemplo, eu sei que é um PUTA fã de Metallica e quando não gostou dos materiais que eles estavam lançando, não comprou e pronto. O que não impediu a gente de ir juntos no show lá no Anhembi e curtir os caras tocando as velhas! Mas você foi honesto: não gosto, não compro, não tenho que ficar comprando só porque a banda um dia foi do meu agrado. Certíssimo.
A diversidade é bacana. E no rock and roll tem música de tudo quanto é jeito. O problema é partir pra ofensa. Isso SEMPRE dá merda.
Que bom que tudo isso dá assunto, realmente gosto de falar a respeito.
Abraços!
há 2 meses atrás
Putz… pode crer, muitas vezes eu critico uma banda porque ela não muda, mas o contrário também é verdade.
Esperamos muito das bandas que gostamos, mas nem sempre elas respondem de acordo com as nossas expectativas. O Metallica para mim foi um exemplo disso, mais recentemente o Queensryche.
O mais triste disso tudo é a sensação de que nunca mais veremos uma PUTA banda surgir, por exemplo, o Guns n Roses, que aconteceu de forma espetacular há mais ou menos 25 anos. Isso cai no que o Edu falou, quando mencionou que o Heavy Metal está morrendo, pelo menos aqui no Brasil. Você mesmo disse um dia que o mundo precisava sofrer um choque cultural, porém, infelizmente isso só ocorre por necessidade e não por espontaneidade. Ou seja, quando estoura uma crise mundial ou coisas do tipo.
O bom é que estamos sempre descobrindo bandas novas/velhas…rs…, para manter nossa coleção com alguma “novidade”.
Abraço!