John McLaughlin – The Heart Of Things

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De uns tempos para cá, ando tendo vontade de ouvir jazz. Sempre gostei, mas não é minha escola como o rock and roll e o heavy metal em geral, mas acabei pegando esse disco para ouvir e muito me agradou.

John McLaughlin - The Heart Of Things

Para começar, o time é muito bom. John McLaughlin, guitarrista, é um cara muito técnico e criativo, e Dennis Chambers é um batera muito conhecido e competente, além de Gary Thomas (sax), Jim Beard (piano, synth) e Matthew Garrison (bass).

Bom, não vou detalhar muito esse disco. Mas, escrevendo pouco, é jazz instrumental da melhor qualidade, que foge um pouco do lugar comum do estilo. Músicas com climas muito agradáveis, temperadas com as levadas de batera e percussões de Chambers e em alguns momentos com o baixo fretless de Garrison. Eu sou fanático por baixo fretless, bem tocado, claro.

Ótimo disco, vale mesmo a pena para quem quer ouvir o jazz com um sabor um pouco diferente.

Moe.
[Atomic Lab]

Sobre a Morte de Amy Winehouse…e tantos outros

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Eu previ isso. Não que fosse difícil, na verdade. Mas em certa ocasião, conversando a respeito da Amy Winehouse, falei “essa mina é boa, mas se eu fosse de uma gravadora, jamais faria um contrato de mais de dois discos. Ainda assim, pode ser que ela não sobreviva pra gravar o segundo!”.

Amy Winehouse - Rehab

Claro que isso não faz de mim um gênio. Também espero que os fãs dela não me entendam mal, mas tem horas em que a gente encontra o que procura.

É incrível como se traça um paralelo fácil entre o estrelato (rock stars, atores, etc) e a morte súbita e prematura. Isso não é novidade e também não começou com Jimi Hendrix. E também não parou em Heath Ledger, como já pudemos perceber.

Isso me faz lembrar de um seriado que eu assistia. Uma das protagonistas estava em um caminho de auto-destruição desde o primeiro episódio. Quando ela morreu, no final da terceira temporada, a série foi resumida no meio da temporada seguinte, porque perdeu muita audiência e foi duramente criticada. Criticada por estar de acordo com a vida real, onde isso acontece de verdade. O que concluo disso é que ver alguém flertando com a morte (tanto na tela quanto numa vida extremamente distante da sua e que você pensa conhecer) é muito interessante para o ser humano. Mas, quando o flerte “cola” e o inevitável acontece, ah, isso ninguém quer ver.

A arte imita a vida, a vida imita a arte, sei lá. A verdade é que nessa história toda, a vida fica banalizada. Quem perde alguém sabe o quão frágil e preciosa é a vida. E, quando acontece algo assim, se coloca no lugar dos familiares que ficam. É só esquecer do artista e imaginar a pessoa que tem por trás e pouca gente conhece. É nesse momento que a poesia acaba.

A dor inspira muitas coisas, isso é bem verdade. Mas será que é realmente necessário que a inspiração venha daí? Diversos artistas que lembro e não vou citar tiveram o fim de suas carreiras marcados por obras depressivas e cheias de dor. Algumas muito boas, por sinal. Boas no âmbito artístico. Mas, será que o ouvinte teve empatia suficiente para imaginar o que a pessoa estava passando para fazer aquela obra?

“Há quem aprenda pelo amor, há quem aprenda pela dor”, dizia uma pessoa muito amada. O segundo aprendizado muitas vezes não depende de escolha nossa, mas o primeiro sim.

E onde isso se cruza com a música?

A vida é feita de oportunidades. Únicas, cada uma delas. O ideal seria que o ser humano conseguisse tirar proveito delas, colaborando com o crescimento da raça. E também parasse de perder tempo fazendo merda.

“How long must I put up with the unholy sound of your gun?”
Kip Winger

Moe.
[Atomic Lab]

P. S.: Obrigado ao meu amigo Edson Rossatto, que, ao me deixar umas duas horas esperando no metrô, acabou criando a oportunidade de um novo post. =D

E no terceiro dia…

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Todo minuto da minha vida é um divisor de águas. Mas em alguns deles, até parece que a água pára de correr, pra voltar somente depois de um tempo.

As pessoas mais próximas a mim sabem do acontecimento de Fevereiro, e sabem exatamente o que tudo isso significa para mim. Sabem que significa que tenho que tomar as rédeas de muitas coisas, que tenho que fazer coisas que já deveria estar fazendo há muito tempo, sabem que estou pensativo, meditando sobre a minha vida e o que mais vem a seguir. Esse blog não tem um caráter pessoal, mas tem certas coisas que afetam todas as esferas da sua vida, logo, este espaço não iria escapar também.

Mas, longe de ser algo com objetivo de deixar alguém deprimido, devo dizer que é possível estar em paz, mesmo não podendo ainda estar feliz. Tudo mudou para sempre, simplesmente porque EU mudei para sempre. Mas tudo que guardo dentro de mim, todas as coisas boas que guardo, estarão sempre aqui e sempre me levando para frente, junto com minha fé, com as orações e ajuda dos bons amigos e amigas e também com o suco que todos sabem que é um grande alimento para mim, a música.

Hepen + Moe no Fest Fecha 13

Antes de tudo acontecer, tinha recebido um convite do meu amigo Neto para tocar com a banda dele numa festa, já que eles estão com um guitarrista só. Topei na hora. O repertório bem variado, tendo de Queen a Raul Seixas, passando por Supertramp, Men At Work, Cazuza e Barão Vermelho, Bob Marley e muitas outras coisas, inclusive composições da própria banda, que podem (e devem) ser conferidas no site deles, com download gratuito, vídeos no Youtube, letras e tudo mais. Aposto que já tem gente surpresa nesse ponto, por causa da diversidade. Minha mãe, sabendo de como eu gosto de tocar ao vivo (tocar, de qualquer forma possível, na verdade) estava muito contente com isso, me incentivou muito, como sempre. Daí, com tudo que aconteceu, sobrou uma semana para aprender o repertório todo, de mais ou menos 80 músicas. Isso em meio às outras tarefas que a vida me apresenta.

Hepen + Moe no Fest Fecha 13

Deu tempo? Eu fiz dar tempo. Tiveram muitas coisas que teriam feito muita gente desistir, mas eu fui mesmo assim. Até o jantar, uma hora antes da hora combinada no local, atrasou. Celular sem funcionar. Bom, várias coisas. Várias coisas irrelevantes. Deu certo? É melhor perguntar para quem foi. Mas, do meu ponto de vista, de cima do palco, depois de estar tocando por quase quatro horas e o pessoal não querendo que a banda pare, acho que é um forte indício de que a resposta seria ‘sim’.

Curti demais e consegui tirar minha cabeça de todo o resto, naquele transe magnífico que só acontece no palco, quando você tá tocando sem ensaiar com a banda (na verdade, conheci a galera subindo no palco), principalmente se for alguma música diferente daquelas 80, que você nem ouvia há muito tempo, e você agradece a Deus por ter um ouvido colado no amp do baixo e um olho vidrado na mão do tecladista. Fazendo tudo isso ao mesmo tempo, ainda tentando colaborar com uns backings, você não vai conseguir pensar em mais nada. E quando dá certo você sente aquela reafirmação de que você tá no lugar certo, tá fazendo a coisa certa. Não que eu tivesse dúvida. Mas como dizem alguns, não é ver para crer, é preciso crer para ver.

Hepen + Moe no Fest Fecha 13

Quero agradecer todo o pessoal da Hepen, Eder (bass/vox), Pedro (drums), Edilson (keys), especialmente o Neto (guitar/vox) pelo convite, além do pessoal do Fecha Bodegas, uma galera que realmente curte o som, agita muito mesmo depois de um dia inteiro de festa, até as 3 e meia da manhã. Foi o primeiro show que toquei onde você ouvia de um lado ‘toca Raul’ e do outro ‘toca um Petrucci aí’. E especialmente também quero agradecer minha noiva Vanessa, por me aturar falando quase que só disso por dias enquanto me preparava pra jornada, e também no caminho inteiro. Ida e volta.

“Always be my Guide and show me my way.”

Moe.
[Atomic Lab]

2010

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Mais um ano. Um ano bem interessante.

Esse ano, para mim, causou uma certa sensação de plenitude, meio que um full circle. Claro que o ciclo termina onde começa, mas o importante é que nós estejamos diferentes ao chegar no “recomeço”, e eu realmente acho que estou.

Moe
foto por Junior Reis

Em 2010, me permiti experimentar alguns caminhos musicais meio diferentes, e acabei encontrando desenvolvimento dessa forma. Busquei conhecer coisas novas, busquei me aprofundar em coisas antigas e as duas empreitadas foram muito boas. É impressionante o que o poder da observação, e mais ainda, da experiência, pode trazer de informações. Eu sempre achei bom revisitar livros antigos, discos antigos, situações antigas. E, sem medo de soar egocêntrico, em tudo você encontra a si mesmo, pois tudo é visto com seus olhos, ouvido com seus ouvidos. Já parou para pensar que se eu adoro Steve Vai e você não é simplesmente porque ouvimos de formas diferentes? Quando escuto uma música, eu interajo com ela, coloco a minha parcela na própria música, porque eu a interpreto conforme escuto. Sou eu. Eu e mais ninguém. E assim funciona com todo mundo.

Esse ano eu pude ver melhor a individualidade de certas coisas. Pude entender exatamente porque algumas coisas não funcionam, por mais que isso me desaponte, e pude aprender a aprender ainda mais com aquilo. Entendi o que uma pessoa me disse ume vez, “se não há solução, não existe problema”. A situação que o cara usou para isso era um tanto suspeita. Mas entendi o recado: se não há solução e logo não há problema, o que existe é meramente uma regra – que pode eventualmente ser quebrada.

Esse ano aprendi a ver o palco da minha vida por um novo ângulo. Um ângulo bonito, que agregou muito, juntamente ao meu ângulo natural. Tudo isso é experiência. E tem certas coisas na vida que só surgem junto com cabelos brancos. E outras coisas que só desaparecem dessa mesma forma.

“La vita fugge, et non s’arresta una hora,
et la morte vien dietro a gran giornate,
et le cose presenti et le passate
mi dànno guerra, et le future anchora;
e ‘l rimembrare et l’aspettar m’accora,
or quinci or quindi, sí che ‘n veritate,
se non ch’i’ ò di me stesso pietate,
i’ sarei già di questi penser’ fòra.

If i could stop time…
How many things that I would change from the past
I’d set my life right

If I could live forever
How many emotions I would learn to control
And feel what I want

Time is running too fast for me
You can’t stop its course
Never surrender, I’ll sleep when I’m dead
Time is moving along too fast
I can’t think straight
Won’t take all the time that I need
If I try I’ll always be late

I wanna kill time
Win my own war to survive
Only a chance…I’d surely not fail

Time is running too fast for me
You can’t stop its course
Never surrender, I’ll sleep when I’m dead
Time is moving along too fast
I can’t think straight
Won’t take all the time that I need
If I try I’ll always be late

Tornami avanti, s’alcun dolce mai
ebbe ‘l cor tristo; et poi da l’altra parte
veggio al mio navigar turbati i vènti;
veggio fortuna in porto, et stanco omai
il mio nocchier, et rotte arbore et sarte,
e i lumi bei che mirar soglio, spenti.

Time is running too fast for me
You can’t stop its course
Never surrender, I’ll sleep when I’m dead
Time is moving along too fast
I can’t think straight
Won’t take all the time that I need
I’ll always be late…

La vita fugge.”
Fancesco Petrarca/Carlo Magnani

Moe.
[Atomic Lab]

Dez Ótimos Álbuns (Parte 2)

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Esta é a segunda parte do artigo. Novamente, não é um top-sei-lá-o-que. Só uma lista de sugestões de audição.

King Diamond - Voodoo
King DiamondVoodoo
Este é um cara que faz algo peculiar. Certamente peculiar demais para ficar popular. Mesmo no estilo que ele trabalha, o heavy metal, é sempre um caso de ame ou odeie. Gosto dos personagens que ele interpreta em seus discos, que são geralmente conceituais, e neste é abordada a temática do vodu, que eu acho um tanto interessante. É quase como um livro escrito e percebe-se que ele fez a lição de casa em termos de pesquisas para as estórias. Além disso, Andy LaRocque é, na minha opinião, um dos guitarristas mais geniais que já ouvi e, apesar da formação da banda nesse disco não ser a minha favorita, o álbum soa muito coeso, preciso, bem produzido e sinistro. E se você não tomar pelo menos um susto ouvindo, bem…provavelmente você está mentindo. Risos.

Queensrÿche - Empire
QueensrÿcheEmpire
Este já teve um post dedicado somente a ele neste blog. Maravilhoso disco, extremamente inspirado. Perfeito trabalho de todos os integrantes, especialmente de Chris de Garmo, também genial, e o idealizador da coisa toda. Não é à toa que a banda nunca mais foi a mesma após sua saída, mas felizmente eu tive o privilégio de ver um show pouco antes dele sair. É um disco especial, navega por diversos temas, tem boas baladas, ótimos solos e riffs de guitarra, a inconfundível voz de Geoff Tate, e também o ótimo trabalho de Scott Rockenfield, Eddie Jackson e Michael Wilton.

Nevermore - Dreaming Neon Black
NevermoreDreaming Neon Black
Esta é uma banda como poucas. Ou talvez como nenhuma outra. Com um dos melhores intérpretes no gênero do heavy metal (o vocalista Warrel Dane) e temáticas sempre inquietantes, o Nevermore é uma das bandas mais novas das quais eu realmente gosto – e olha que seu primeiro disco foi lançado em 1994. Com Jeff Loomis na guitarra, por vezes acompanhado por algum outro guitarrista numa vaga cíclica (no caso deste disco, Tim Calvert), é um dos caras mais criativos com o instrumento. Além de técnica impecável, seu fraseado é muito diferenciado e seus riffs são extremamente marcantes e compõem a força motriz da banda. A cozinha do baixista Jim Sheppard e do baterista Van Williams é extremamente entrosada e realmente monta a cama para tudo que acontece em cima dela. Este é um álbum conceitual que trata da história de um homem levado à loucura pela perda de sua amada. Nem parece tema de um disco de heavy metal, né? Pois é. Mas eu acho que é uma das melhores obras deles, especialmente porque não tem aquele ‘Q’ de disco conceitual, é um álbum que flui muito bem e todas as músicas funcionam muito bem sozinhas. Pouca gente conhece. Mas quem conhece, gosta.

Dream Theater - Awake
Dream TheaterAwake
Claro que tinha que ter um Dream Theater. Também foi difícil escolher qual o álbum desta banda eu colocaria, visto que sou muito fã e que provavelmente o disco que mais escutei na vida foi o mais conhecido deles, Images And Words. Mas escolhi este por apresentar uma atmosfera que gosto mais, um tanto mais escura e sombria, e principalmente por causa da introdução da guitarra de sete cordas, que é um instrumento que gosto muito e que tornou-se extremamente importante na sonoridade da banda. A competência dos membros é indiscutível, embora muita gente critique o vocalista James La Brie, como se fosse fácil cantar sobre os compassos muito incomuns nos quais ele parece totalmente confortável. Nesta época, a banda ainda contava com o primeiro tecladista, Kevin Moore, o baixista John Myung e um dos meus favoritos, o guitarrista John Petrucci, além do baterista Mike Portnoy, que saiu da banda esse ano depois de 25 anos de carreira.

The Beatles - Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band
The BeatlesSgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band
Claro que não poderia faltar um Beatles, de forma alguma. Gosto muito da discografia inteira, mas esse disco é especial para mim, porque me lembro ouvindo-o muito quando eu era muito novo. Vários anos depois eu fui saber da importância histórica dele, meio que inaugurando todo o lance de rock psicodélico, abrindo as portas para toda a cultura flower-power dos hippies e parindo a década de 70. Sem contar todo o conceito do álbum: como eles não fariam uma turnê, o álbum sairia em turnê. E, baseados nessa idéia, os Fab Four escreveram as músicas de forma a apresentar a banda na primeira e agradecer a todos pela presença na “última”, que na verdade acabou sendo a penúltima. Entra também o conceito de full-circle, ou “termino onde começo”, com a música Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band e sua reprise, e depois um perfeito adendo com A Day In The Life, que muito antes de eu aprender a falar inglês eu já percebia algo que descrevo como “um gosto de morte”. O meio do disco conta com diversas outras pérolas, como Lucy In The Sky With Diamonds, Lovely Rita, She’s Leaving Home, Fixing A Hole, Good Morning Good Morning e uma de minhas favoritas, Getting Better. Within You Without You traz a viagem de George Harrison e Being For The Benefit Of Mr. Kite! trata-se de John Lennon musicalizando um cartaz de anúncio de um circo. Paul McCartney também brilha como sempre e parece um tempo muito distante quando ele cantava When I’m Sixty-Four. Ringo Starr também fez seu trabalho como sempre e cantou With A Little Help From My Friends, que acabou virando um hino sobre a amizade e marcou a época. O que pouca gente sabe é que na verdade as primeiras músicas para esse álbum foram as famosíssimas Strawberry Fields Forever e Penny Lane, que saíram como singles pouco antes. Desnecessário dizer que é difícil superar um disco desses.

Faltou disco, com certeza. Eu mesmo, ao terminar de escrever, penso em alguns que eu deveria ter colocado. Mas não vai faltar oportunidade.

“Fly beyond the dreaming, fly beyond our being
Turn and face the mirror, the answers come, clear as glass.”
Warrel Dane

Moe.
[Atomic Lab]

Old And Wise

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As far as my eyes can see
There are shadows approaching me
And to those I left behind
I wanted you to know
You’ve always shared my deepest thoughts
You follow where I go

And oh, when I’m old and wise
Bitter words mean little to me
Autumn winds will blow right through me
And someday, in the mist of time
When they asked me if I knew you
I’d smile and say you were a friend of mine
And the sadness would be lifted from my eyes
Oh, when I’m old and wise

As far as my eyes can see
The are shadows surrounding me
And to those I leave behind
I want you all to know
You’ve always shared my darkest hours
I’ll miss you when I go

And oh, when I’m old and wise
Heavy words that tossed and blew me
Like autumn winds will blow right through me
And someday, in the mist of time
When they ask you if you knew me
Remember that you were a friend of mine
As the final curtain falls before my eyes
Oh, when I’m old and wise

As far as my eyes can see…

Alan Parsons

Moe.
[Atomic Lab]

Dez Ótimos Álbuns (Parte 1)

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Longe de ser um “top ten”, montei uma lista de alguns discos que estão entre meus favoritos e vou postá-la em duas partes. Essa é a primeira.

A proposta não é dizer que são os melhores, os mais famosos ou os mais qualquer-coisa-que-você-imaginar. Simplesmente estive refletindo sobre alguns discos que eu salvaria de um incêndio se pudesse escolher somente alguns. Aproveitei para contar um pouco do que cada um me passa, o que faz cada um deles importante para mim. Provavelmente a maioria dos artistas já foi citado aqui no blog exatamente por esse motivo. Vamos lá.

Shadow King - Shadow King
Shadow KingShadow King
Esse é um álbum que esperei nada menos que nove anos para encontrar, e acabei ganhando-o de presente de meu amigo Fernando. Uma das minhas obras favoritas de hard-rock, esse álbum contém ótimas músicas, compostas em sua maioria pela dupla Lou Gramm e Bruce Turgon, tendo na banda também Kevin Valentine e Vivian Campbell. É o único disco oficial da banda, e a única música da qual tenho notícia que foi gravada além destas foi One Dream, que foi parar na trilha sonora de Highlander II, que foi como conheci a banda. É realmente uma jóia tão rara quanto desconhecida, e vale muito a busca.

Rush - Counterparts
RushCounterparts
Esse foi o primeiro disco do Rush que eu realmente peguei para ouvir, e uma das primeiras coisas que reparei foi na maturidade usada na mescla dos instrumentos, com os teclados na medida certa, após uma fase que eu julgo meio exagerada nesse sentido (não somente eu, mas também o guitarrista Alex Lifeson). Considero este o melhor trabalho do Rush, por conta disso, e também pela musicalidade, precisão na execução das maravilhosas músicas e por conter letras do baterista Neil Peart que são realmente pensadas e que fazem pensar também quem presta atenção a isso. Geddy Lee também brilha com algumas das que eu julgo como suas melhores levadas de baixo, e o vocal ótimo como sempre, com a estridência melhor dosada que no passado. Infelizmente, raramente são tocadas músicas deste nos shows, o que acaba deixando o álbum na obscuridade, de certa forma. Dificilmente é o primeiro disco que algum fã cita. Mas, para mim, é o melhor.

Savatage - The Wake Of Magellan
SavatageThe Wake Of Magellan
Como sempre procuro sentido nas letras e adoro álbuns conceituais, este aqui me agrada muito. Capitaneado por Jon Oliva, o Savatage traz uma vertente do heavy metal um tanto difícil de enquadrar nos cada vez mais numerosos subgêneros. Mas o importante é que a competência de todos e o tempero do produtor, letrista e compositor Paul O’Neill faz com que seja uma obra magnífica. As guitarras de Chris Caffery e Al Pitrelli estão em perfeita combinação com os riffs de piano (difícil ouvir essas duas palavras numa mesma frase, riff e piano) de Oliva, sobre a competente cozinha do baixista Johnny Lee Middleton e do baterista Jeff Plate. Dando vida aos personagens e narradores da história, Zak Stevens e Oliva alternam suas vozes, dando uma variação que gosto muito, principalmente por conta da interpretação de cada um em cada momento.

Grand Funk Railroad - Closer To Home
Grand Funk RailroadCloser To Home
Conheci o Grand Funk quando era bem novo, ouvindo esse disco com meu pai e meu irmão, não lembro exatamente quando. Mas sei que depois dessa vez, ouvi muitas vezes o disco novamente. A combinação de peso em algumas faixas e leveza em outras dá muita dinâmica ao trabalho, que eu sempre enxerguei como uma curva, com Mark Farner começando agressivamente na guitarra, passando pelo piano Fender Rhodes e depois para o lendário órgão Hammond, antes de voltar para a guitarra, combinando tudo numa ótima atmosfera para terminar o disco, sempre acompanhado de Mel Schacher no baixo e Don Brewer na bateria, que também dividia vocais com Farner. Ótima obra. Perfeita para quem curte um som setentista mas quer sair do óbvio triângulo Purple-Zeppelin-Sabbath.

Steve Vai - Sex & Religion
Steve VaiSex & Religion
Novamente, saindo do óbvio. Este foi um trabalho muito criticado, porque o virtuoso Steve Vai resolveu montar uma banda completa e ter uma abordagem mais “normal”. Então, ele reuniu Devin Townsend, TM Stevens e Terry Bozzio (três caras que não tem nem um pouco de normal, mediano ou medíocre) e gravou esse disco, ainda soando como um trabalho solo dele, mas com essa intenção de banda. O resultado acabou antecipando algumas coisas da carreira dele, pois ele mesmo viria a cantar posteriormente (na verdade, já tinha feito isso antes, mas somente em trabalhos mais experimentais e left-overs, e nesse disco mesmo, ouve-se bastante da voz dele). Ótimo trabalho, e mostra com extrema nitidez o por quê de termos que seguir nossa intuição artística independentemente do que os outros digam: quando ele fez discos com milhares de guitarras, criticaram, quando fez com uma banda, criticaram também. E eu (e alguns milhões de pessoas) gosto das duas coisas.

“Young enough not to care too much
About the way things used to be
I’m young enough to remember the future – The past has no claim on me
I’m old enough not to care too much
About what you think of me
But I’m young enough to remember the future – And the way things ought to be.”
Neil Peart

Moe.
[Atomic Lab]

O Show de Paul McCartney

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Muita gente sabe que o Paul McCartney fez shows em São Paulo, ontem e hoje. Eu consegui ser um dos milhares de afortunados a realizar o sonho de uma vida. Certamente é difícil expressar em palavras algo assim. Digo, sem nenhum medo de estar errado, que Paul é o mais importante compositor vivo. O mais famoso também, mas não achei adequado colocar isso na mesma frase, pois seu legado vai muito além de fama.

Paul McCartney

A primeira coisa que eu noto é o diferencial na ética de trabalho. Com quase 70 anos, nunca o vi falar em aposentadoria. Só pode ser amor que segura um cara em algo por tanto tempo. E o vigor e dedicação, com 3 horas de show e muita emoção, com direito até a voz embargada no início de My Love, após dizer que escreveu a música para “minha gatinha Linda”. Isso depois de já ter tocado alguns clássicos mais esperados, como Jet, All My Loving, Drive My Car, The Long And Winding Road e Let’em In.

Tenho que falar sobre a banda: não é sem motivos que ele mantém a mesma formação a mais ou menos uma década. Esses caras têm, na minha opinião, o melhor emprego do mundo – e fazem jus à posição: Rusty Anderson (guitarra), Brian Ray (guitarra, baixo), Paul Wickens (teclados) e Abe Laboriel Jr (bateria). Eles incorporam os clássicos desde a época dos Beatles até canções mais recentes, executando tudo com maestria, mostrando uma polivalência rara e imprescindível.

Impressionante também é a humildade e entrega que Paul demonstra no palco. Tentando falar Português, citando a falecida esposa Linda, ficando na frente de milhares de pessoas, sem barreiras entre si e o público, armado por três coisas poderosíssimas e de aparência inofensiva para um desavisado: um violão, uma voz e uma composição fantástica de melodia inesquecível. Assim ouvimos Yesterday, Blackbird e Here Today, esta última escrita e tocada em homenagem a John Lennon, mostrando que aparentes rusgas deixadas por um projeto terminado não podem ser maiores que a amizade, amor e cumplicidade necessários para o sucesso da empreitada conjunta. Em molde similar e em homenagem a George Harrison, iniciou Something, acompanhado apenas por um ukulele e depois tendo a entrada da banda, quando Rusty brilha com mais uma interpretação magnífica do famoso solo.

Um ponto muito alto do show para mim foi Band On the Run, uma de minhas favoritas. Perfeita. Interessante observar Rusty e Brian trocando de instrumentos, para proporcionar o timbre ideal para as diferentes partes da música, e a cara de contente de Brian quando toca sozinho o interlúdio com o violão de doze cordas.

Em seguida, fazendo uma orgia de Beatles, emendaram com clima cômico em Ob-La-Di, Ob-La-Da e rock de primeira em “Back In The USSR”, que até o título já entrega que é das antigas. Continuaram com I’ve Got A Feeling, Paperback Writer (essa me pegou de surpresa, realmente), A Day In The Life, que é outra de minhas favoritas que eu estava esperando muito para ouvir, e tem seu final substituído pelo refrão de Give Peace A Chance, de John Lennon. No final da orgia, Let It Be e Hey Jude tem seu clima nostálgico separado por Live And Let Die, com o palco literalmente incendiado e uma queima de fogos acompanhando. Foi um combo magnífico, pra fã nenhum botar defeito.

No caminho para o estádio, comentei com meu irmão e meu pai algumas músicas que achávamos que deviam ser tocadas, e uma delas foi Lady Madonna, e o desejo foi atendido. Obviamente algumas ficaram de fora, mas é o que se ganha com o fato de Paul McCartney ser um compositor tão prolixo e bom. Pronto. Bom. Não há o que dizer de um cara que compôs a música mais regravada do planeta e muitas outras que mexem com quem escuta, com uma carreira tão extensa, com uma perseverança tão grande no que faz. É um longo caminho desde um garoto que cabulava aulas em Liverpool para tocar violão com os amigos até um Sir que faz uma turnê mundial que você ficou esperando praticamente 20 anos para ver. Não é algo que todo mundo consegue. Alguns não conseguem porque são baleados em frente de casa, mas a maioria de nós não consegue simplesmente porque não somos bons como ele. E ponto final.

Se eu comentasse cada música, o post ficaria longo demais para alguém ler (se é que já não está). Mas posso afirmar que a qualidade permeou o show e a resposta do público foi de acordo. Realmente algo único, digno de um Beatle. Digno do compositor mais importante atualmente vivo.

“And the first one said to the second one there ‘I hope you’re having fun!'”
Paul McCartney

Moe.
[Atomic Lab]

PS1: feliz Dia do Músico pra você também!

PS2: segue o setlist divulgado no site oficial:
1. Venus and Mars / Rockshow
2. Jet
3. All My Loving
4. Letting Go
5. Drive My Car
6. Highway
7. Let Me Roll It
8. The Long And Winding Road
9. Nineteen Hundred and Eighty Five
10. Let ‘Em In
11. My Love
12. I’ve Just Seen A Face
13. And I Love Her
14. Blackbird
15. Here Today
16. Dance Tonight
17. Mrs Vandebilt
18. Eleanor Rigby
19. Something
20. Sing The Changes
21. Band on the Run
22. Ob-La-Di, Ob-La-Da
23. Back In The USSR
24. I’ve Got A Feeling
25. Paperback Writer
26. A Day In The Life / Give Peace A Chance
27. Let It Be
28. Live And Let Die
29. Hey Jude

Encore
30. Day Tripper
31. Lady Madonna
32. Get Back

Second Encore
33. Yesterday
34. Helter Skelter
35. Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band / The End

Quando o jegue empaca (ou Burning My Soul)

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Ontem fui surpreendido pela notícia da saída de Mike Portnoy do Dream Theater, banda que ajudou a fundar mais ou menos 25 anos atrás e que popularizou (na medida do possível) o heavy metal progressivo. Ele deixou a banda e, na nota do site oficial, alegou que precisava de férias das atividades da banda, mas os demais membros não concordaram.

Mike Portnoy

Até aqui, tudo bem. Digo, esse tipo de coisa é bem comum em bandas – talvez não muito depois de uma jornada de 25 anos. Mas, lendo atentamente a notificação escrita pelo Portnoy, ele estava sentindo-se consumido pela “máquina DT”. E não é para menos. Já faz alguns anos que a banda está em uma certa rotina cíclica de “gravar disco – turnê mundial – gravar dvd ao vivo”. O que ocorre é que ele é um workaholic que supervisiona tudo pessoalmente e, além de tocar bateria (muito bem, por sinal), também produz os dvds, co-produz os albuns com o guitarrista John Petrucci, e demais tarefas bandísticas como compor músicas, escrever letras, etc.

Tudo bem normal, né?

Talvez nem tanto. O fato é que quando o jegue está sobrecarregado, mais cedo ou mais tarde, ele empaca. Fato.

Explico, claro! Longe de mim dizer que algum dos caras da banda seja relapso, mas Portnoy foi se cercando de mais e mais atribuições ao longo dos anos e estava longe de ser somente o baterista. Algumas de suas atribuições são realmente incomuns aos bateristas, como escrever grande parte das letras das músicas. Claro, Neil Peart escreve (muito bem) praticamente todas as letras do Rush desde que entrou, mas a maioria das composições não tem a participação dele. E assim funciona um time, cada um desempenha um papel, se compromete com alguma coisa, faz jus ao compromisso, e ninguém fica sobrecarregado. Ou pelo menos deveria ser assim.

Nunca vi equipe nenhuma em toda minha vida em que todos os membros estivessem equiparados em seus esforços. Nem espero ver. De verdade, não espero mais que isso aconteça e estou em paz com isso – o que não quer dizer que eu concorde.

Talvez, de uma certa forma, as equipes sejam fadadas a darem errado e seja preciso um constante esforço para evitar que isso aconteça. Como disse uma vez ao meu amigo e parceiro de projetos Renato, “A gente não precisa fazer nada pra dar errado. Aliás, nada é exatamente o que precisa ser feito. Essa p*##@ é morro abaixo!”

“You drop the ball, I pick up the slack and you ask me why my hairs gray (…) So I hurt your feelings, well I’m really sorry but I don’t give a shit…” – Mike Portnoy

Moe.
[Atomic Lab]

Gene pergunta: Quer mais dinheiro?

4
Um dia desses, eu estava jantando perto das onze e meia da noite e aproveitei para assistir ao Gene Simmons Family Jewels, um reality show com a família do baixista do Kiss.

Gene é conhecido por ser um “business man”, um marketeiro. Os fãs sabem que ao mesmo passo que Paul Stanley é o glamour, focado na imagem adequada e afins, Simmons foi um desbravador em termos de merchandising e branding – o que, na opinião de muitos especialistas, é uma das coisas que pode salvar o music business atual. Mas ele já pensava nisso na década de 70.

Gene Simmons

O que mais me chamou atenção no episódio foi uma parte onde ele disse algo assim: “Percebo muitas pessoas reclamando que ganham pouco, especialmente os jovens. Você quer ganhar mais dinheiro? Trabalhe mais!” Depois disso, ele fez uma conta de quantos dias você trabalharia a mais por ano se trabalhasse 7 dias por semana e tivesse 2 semanas de folga no ano. Um cálculo um pouco extremo, mas nem tanto.

Outro dia tive uma conversa com alguns amigos e expliquei um pensamento que tenho sobre a relação retorno/investimento de uma carreira na música ou qualquer outra. Sempre discordo das pessoas nesse assunto, porque o que a maioria delas pensa é: para uma carreira na música, preciso comprar um bom equipamento e aparatos, investir meu tempo e dinheiro em instrução, ensaios, etc., e é difícil arrumar oportunidades que paguem bastante por um show ou gravação. Ok, tudo isso é verdade.

“Mas o que as pessoas não pensam”, eu disse a eles, “é que para qualquer outra carreira, você está sendo preparado e alguém está investindo em você desde quando você era quase um bebê! Você é um programador? Você escreve linhas de comando porque foi alfabetizado, mas isso não tem tanto a ver com eu pegar uma guitarra e tocar, teria a ver com escrever letras, mas não preciso ser um letrista para ser músico (embora eu o seja).” Claro, o exemplo da alfabetização foi simplificado, porque você precisa conhecer os protocolos de comunicação chamados línguas (desculpem o trocadilho). Mas o que é nítido para mim é que as pessoas não incluem nas suas continhas o que não foi pago diretamente por elas ou o que não tem uma finalidade direta e sim genérica – o que não é o caso de cursos de música, estúdios e instrumentos.

O pensamento de ser músico é sim um ato revolucionário. Não de uma maneira juvenil e marginal, simplesmente buscando a identidade em um radicalismo, mas de qualquer ponto de vista maduro. É sim uma contramão que você está pegando, nadando contra a corrente. E essa analogia funciona exatamente como o comentário de Gene Simmons: se você pretende ser mais forte do que o rio que te empurra, deve estar disposto a forçar (muito) seus braços.

Conheço pouquíssimas pessoas que fazem isso, mesmo em outras profissões. Mas conheço MUITA gente que reclama. Estou tentando ficar nesse primeiro time aí – com certeza é mais rentável! Antes eu me decepcionava porque alguém não fazia algo, ou não fazia da maneira como eu penso ser a melhor e as coisas acabavam não dando muito certo. Claro que dá vontade de reclamar. Mas é melhor abraçar o fardo que você escolheu e carregá-lo. De boca fechada para ter mais fôlego.

“I may have wasted all those years/they’re not worth their time in tears/I may have spent too long in darkness/in the warmth of my fears/Take a look at yourself/not at anyone else/and tell me what you see/I know the air is cold/I know the streets are cruel/but I’ll enjoy the ride today” – John Myung

Moe.
[Atomic Lab]

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