Sandman: Sobre Influências e Inspirações

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Geralmente, quando perguntam a um músico quais são suas influências, a resposta é composta por outros músicos ou bandas. Mas é óbvio que também bebemos de outras fontes.

The Sandman

Esses dias eu tenho estado nas margens arenosas de um grande lago criado por Neil Gaiman: o universo de Sandman. Entre minhas leituras atuais em livros de teoria musical, sites de music business e revistas de guitarra, estou visitando os HQs que contam as histórias desse personagem fantástico também chamado de Morpheus ou Dream.

Claro que você notou a referência ao nome do blog, né? E eu sei que tem algumas pessoas que sabem de onde o nome realmente veio também. Pois é. Mas todo esse lance de influência e inspiração me fez pensar porque ando escrevendo pouco por aqui. Ocupado? Sinceramente, quem dentre nós não gasta uma meia horinha para falar da vida alheia ou de coisas que não acrescentam nada à nossa própria? Também sou culpado disso, portanto, deveria estar por aqui escrevendo.

E o que tudo isso tem a ver com o Sandman? Tem a ver com os sonhos. Tem a ver com o tempo que aplicamos a eles e com os resultados que esperamos que sejam obtidos. Tem a ver com limpar a areiazinha dos olhos pela manhã para enxergarmos a realidade do dia e passarmos por ele da melhor maneira que pudermos, até que possamos voltar novamente aos sonhos da noite.

Da mesma forma como sou influenciado por artistas e personagens, também o sou por pessoas que fazem o melhor com suas vidas, independentemente da área de atuação. Aquela pessoa que parece não perder seu tempo com algumas bobagens que eu perco, parece não se desviar das coisas como a maioria das pessoas se desvia. Tem dias em que as coisas parecem bem organizadas e em outros, nem tanto.

E tem tantas coisas que aprendo com elas! E tantas coisas que ando aprendendo com o mestre Neil Gaiman, ou com seu ‘alter-ego’, The Sandman. Algumas coisas interessantes estão nos parágrafos seguintes. Não coloquei na ordem cronológica, mas…numa ordem que faz algum sentido.

The Sandman

“It means that we’re just dolls. We don’t have a clue what’s really going down, we just kid ourselves that we’re in control of our lives while a paper’s thickness away things that would drive us mad if we thought about them for too long play with us, and move us around from room to room, and put us away at night when they’re tired, or bored.” – Rose Walker

What power would hell have if those imprisoned here would not be able to dream of heaven?” – Dream, a Lucifer e os cidadãos do inferno

“I’m not blessed, or merciful. I’m just me. I’ve got a job to do, and I do it. Listen: even as we’re talking, I’m there for old and young, innocent and guilty, those who die together and those who die alone. I’m in cars and boats and planes; in hospitals and forests and abbatoirs. For some folks death is a release, and for others death is an abomination, a terrible thing. But in the end, I’m there for all of them.” – Death

“- I am anti-life, the beast of judgement. I am the dark at the end of everything. The end of universes, gods, worlds… of everything. And what will you be then, Dreamlord?
I am hope.”
– Choronzon e Dream

“People think dreams aren’t real just because they aren’t made of matter, of particles. Dreams are real. But they are made of viewpoints, of images, of memories and puns and lost hopes.” – John Dee

“To emulate flesh machines I am learning.”
Warrel Dane

Moe.
[Atomic Lab]

Vida Longa ao Rock & Roll!!!

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Agora é oficial. Estou com medo do meu blog ter virado um obituário. Infelizmente, mais uma vez, esse tipo de notícia me obriga a escrever algumas linhas, dessa vez em homenagem ao sr. Ronald James Pavadona, mais conhecido como Ronnie James Dio, simplesmente Dio ou um dos maiores e mais influentes vocalistas do rock e do metal.

Ronnie James Dio

Nesta noite de domingo, liguei meu computador depois de uns dois dias off-line para ver e-mails e afins. Pra que?!? Vi alguns comentários no orkut, pesquisei no Google e lá estava: ele havia morrido, às 7:45 da manhã, aumentando o time dos que perderam a batalha contra o câncer. Pois é. Tanto tempo dedicado à tecnologia armamentista, mas a humanidade ainda não teve um tempinho para achar a cura dessa doença. Será que é porque a indústria farmacêutica enriquece tendo doentes gastando tudo para se tratarem de algo que não vai ser curado? Imagina, eu que sou ranzinza e penso mal dos outros!

Sobre os trabalhos dele, acredito que para a maioria das pessoas que veio parar nessa página, não vou contar nenhuma novidade: no início de carreira, participou da banda Elf, conheceu Richie Blackmore e participou com ele do Rainbow, gravando o que para mim é um dos discos mais importantes do início do heavy-metal (hoje classificado como classic rock por já ter virado “vintage”), Rising, entre outras obras. Fez parte do Black Sabbath, sendo o único vocalista que realmente rivalizou o carisma de Ozzy Osbourne (e olha que nessa disputa entraram Glenn Hughes e Ian Gillan, além de Ray Gillen e Tony Martin…). Sua estada no Sabbath foi tão produtiva que os clássicos de então geraram uma volta dessa formação sob a alcunha de Heaven & Hell, conforme já citado nesse blog. Sua carreira solo também foi consagrada, especialmente nos primeiros discos, com clássicos como Holy Diver, Rainbow In The Dark, Don’t Talk To Strangers, Last In Line. Aproveitou a deixa para revelar um ótimo guitarrista, também já citado aqui, Vivian Campbell (sim, é o nome de um cara).

Lembro-me bem do Dio pela primeira vez que ouvi sua interpretação de Dream On, do Aerosmith, ao lado de Yngwie Malmsteen. Belíssima!!! Ou da primeira vez que ouvi Rainbow In The Dark e exclamei, “p*t@ que p@r*u, que riff do c@r@lh*!!!”. Pois é, foi isso mesmo que falei…e a música merece!

Quando vi a notícia, liguei para meu irmão, que compartilhou comigo alguns dos momentos acima, fazendo observações similares. Ele mostrou uma preocupação pertinente: esses estilos mais antigos estão morrendo. O velho está dando lugar para o novo. Sim, o novo é diferente, e, na opinião de muitas pessoas, pior. Até por interesse próprio, prefiro pensar que seja só diferente. Prefiro pensar que várias bandas ainda tem muito chão pela frente, que ainda vão produzir muito. Sou fã de música e sempre que me vejo perdendo meus ícones, bate um certo desespero. Vide o post Mártires da Causa. E a lista só aumenta.

Existe um ditado americano que diz “Shit happens”, ao que completo, “all the time”. Mas sou grato por ter essas obras para admirar, pois elas vão durar por muito tempo após seus artesãos. Acredito que seja assim que seja medida a contribuição de alguém para a humanidade: mostrando-se as suas obras.

Descanse em paz.

“Every man will ask the questions and every man will suffer blame and loss. Every day you die a little, understand the change, and choose your path without disdain.”
Warrel Dane

Moe.
[Atomic Lab]

PS: obrigado aos que perguntam porque não escrevi mais e aos que voltam aqui em busca de novos posts. Espero aumentar minha freqüência novamente.

Pensando em Negócios

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Sempre que alguém quer me engajar numa discussão longa, é só começar a falar sobre música e dinheiro. Junta meu assunto favorito a uma necessidade básica de todos nós…e a coisa pega fogo!

Tio Patinhas - Uncle Scrooge

Nas minhas costumeiras leituras sobre music business, me deparei com o assunto da obtenção do sustento vindo da música. Já discuti isso incontáveis vezes com mais pessoas do que consigo me lembrar. Mas é incrível como, até hoje, nenhuma delas conseguiu derrubar meu argumento mais básico: se você faz um trabalho, você é pago, não? Então, por que diabos você espera que eu trabalhe de graça???

Se você achar que não tenho razão, tem um botão escrito “comentar” em algum lugar no final desse post. Manda ver!

Aí, um qualificadíssimo professor universitário, profissional da música, me contou sobre uma garota que queria ingressar num curso de music business. Ele perguntou, “e você, compra muita música?”, ela disse, “na verdade não, eu assisto aos vídeos no YouTube e faço download dos mp3”. !!! O comentário que ele fez para mim: “esta é uma pessoa que está considerando a música como carreira…de onde ela pensa que vem o dinheiro???”.

Vamos lá, agora me apedreje e diga: vem dos shows!!!

Tio Patinhas - Uncle Scrooge

Aí fico pensando…exatamente agora, começou a tocar Imagine, do John Lennon, na rádio que estou ouvindo. Isso me remeteu aos Beatles, que por sua vez remeteram aos rumores dos shows do Paul McCartney no Brasil, ainda não confirmados. Porque estou dizendo isso? Simplesmente porque eu NUNCA pude assistir a um show de nenhum dos dois, muito menos dos Beatles que eu gosto tanto. Ou seja…se dependesse de mim, com o pensamento do parágrafo anterior…eles teriam morrido de fome??? Porque FAMA não paga contas, DINHEIRO é o que paga.

Agora, claro que tem muita gente que não encara música como trabalho, que acha que músico é desocupado, vagabundo, no máximo um hobbysta excêntrico – e claro que tem “músicos” que contribuem com o pensamento. Conselho meu para essas pessoas: tente tocar um instrumento, tente cantar, tente compor uma música, tente fazer disso um negócio. Quem sabe assim você perceba o TRABALHO que dá. Se não perceber, parabéns! Ou você se contenta com muito pouco ou realmente não tem idéia do que está fazendo.

Claro, existe o outro lado: quem ama música, mas isso realmente está fora do seu poder aquisitivo. Boas notícias: os tempos estão mudando e a tirania de pagar caro por CDs está acabando. Hoje, você não precisa mais comprar um CD caríssimo só por causa de UMA música que gosta, você pode comprar só essa. Você pode ouvir em serviços gratuitos de rádio na internet, que não necessariamente geram dinheiro ao artista mas também não permitem que você tenha posse de algo que não lhe pertence. Você desfruta da música, o artista faz sua divulgação, e quando estiver ao seu alcance, você compra a música. Daí, o artista usa o seu dinheiro para fazer mais música e o ciclo recomeça.

Pense bem antes de interromper esse ciclo. Você pode estar matando seu artista favorito. Costumo dizer que tudo (inclusive amor e ódio) funciona bem na base da reciprocidade: vai daqui se for daí! Se você pensar somente em receber sem dar nada em troca, uma hora você não vai mais ter de onde receber (alguma semelhança com as crises ambientais no planeta todo???). Vou torcer para que isso não aconteça.

“That ain’t working, that’s the way you do it. Get your money for nothing and the chicks for free.”
Mark Knopfler

Moe.
[Atomic Lab]

A Estrada de Tijolos Dourados

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Eis um breve relato sobre alguns eventos recentes que me deixaram pensativo sobre o caminho que percorro.

Moe
foto por Junior Reis

Semana passada houve o primeiro show com a SW Project. Muito divertido! Claro que algumas coisas saem diferente do planejado – inclusive para melhor! – mas o importante é que quem foi se divertiu, eu dei muita risada e pude passar ótimos momentos em companhia de pessoas importantes para mim fazendo coisas importantes para mim. Acho que não fica muito melhor que isso, né?

Depois, eu estava lendo um ótimo artigo que falava sobre Van Gogh e sobre a jornada do artista. Onde estou hoje não é onde estarei amanhã. Se está bom, pode melhorar ou piorar e funciona da mesma forma se estiver ruim. Resumidamente: as coisas mudam.

A essas mudanças pode-se dar o nome de jornada, também conhecida como Vida. Tem aqueles momentos que você guarda bem, tem aqueles que você preferia conseguir esquecer. Mas, no final das contas, todos os momentos funcionam como as notas de uma extensa (ou não) sinfonia, que tem seus movimentos numa seqüência imprevisível e em constante reformulação.

Imaginei a pintura que fizemos com a SW Project semana passada. Deixo meu muito obrigado a quem compareceu, lembrando que as opiniões são sempre bem vindas. Espero você na próxima.

“Life’s a journey not a destination.”
Steven Tyler

Moe.
[Atomic Lab]

Venha curtir: SW Project

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Para começar bem o ano, uma saraivada de classic rock, com alguns toques de pop. Compareça.

SW Project - 07/01/2010

Eu disse que o ano ia ser ocupado. Então, estamos começando fazendo um show de estréia da SW Project, com bastante classic rock, algumas coisas menos conhecidas também, mas nem um pouco menos interessantes. Dia 7 de Janeiro de 2010, no St. John’s, um Pub no estilo Irlandês muito bacana e convidativo, no Tatuapé. Vai ser legal, espero você lá!

“I come alive in the neon light, that’s when I get my moves right!”
Rob Halford

Moe.
[Atomic Lab]

Um Novo Ano

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Certa vez me disseram que sou tão metódico que até a mudança faz parte da minha rotina. Pode ser. Mas o Ano Novo garante que isso acontece com todo mundo – pelo menos uma vez por ano.

Desejo a todos que lêem esse blog um ótimo ano e que tenham passado um Natal maravilhoso. Tem gente que comemora, tem gente que não…mas, se for pra aproveitar essa data simplesmente para desejar algo de bom para as pessoas, que seja!

Algumas palavras de poetas e loucos para pensarmos um pouco…

“Can you see the future though it’s well disguised?
Is the end so certain that you’ve closed your eyes?

Dark as the dark can be, beckons eternity
Exits exist in life as they do on this night
Now’s not the time to sleep, there are still nights to keep
Chances are there to take…now it is time to awaken.

Do you fear the future? Do you fear the night?
Do you fear the morning’s unforgiving light?

Agony, ecstasy, there is no certainty
Exits exist in life as they do on this night
Now’s not the time to sleep, there are still nights to keep
Chances are there to take…now it is time to awaken.”
Paul O’Neill

Moe.
[Atomic Lab]

Fim de Ano

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É uma época que sempre me deixa pensativo. Claro que esse ano não podia ser diferente.

Atomic Lab's Hourglass

Para mim, o final de ano sempre obriga uma avaliação pessoal intensa. É claro que é algo auto-imposto, uma vez que o dia de ano novo também pode ser encarado simplesmente como “o dia depois de 31 de dezembro”. Mas eu acho que é válido pensar que esse dia aperta o “reset” para algumas coisas, é interessante abordar como uma forma de zerar certos contadores para iniciar outros.

Esse ano foi um tanto produtivo. Até certo ponto, consegui escrever bastante nesse blog, consegui passar algumas informações que espero que tenham sido úteis para alguém – e acredito que foram, porque uma das razões de eu estar escrevendo é porque 3 pessoas me perguntaram disso, ou seja, por mais que não pareça, alguém lê isso aqui…

Também foi produtivo musicalmente, consegui fazer algumas coisas que eu tinha planejado, consegui trabalhar em ambos os projetos que tomam a maior parte do meu tempo musical, Atomic Lab e SW Project. E tudo está indicando um 2010 a todo vapor. Graças a Deus.

Claro, muita coisa que eu queria fazer eu ainda não consegui. Mas, olhando por um lado, se não me faltasse nada…o que eu buscaria??? Encontro forças nessa fome que nunca se sacia, nessa vontade de sempre ter feito mais…isso é o que chamo de auto-crítica. Mas o copo está meio cheio!!!

Então, tá na hora de espanar a poeira e virar a ampulheta de novo (como disse meu bom amigo Renato) e já que a areia vai demorar o mesmo tempo para cair, ela não será mais lenta, eu deverei ser mais rápido! Será que consigo passar a perna no tempo? Pode ser que não…mas pode apostar que vou morrer tentando.

“No erasing the time you’re wasting but when you’re wasting you don’t care.”
Paul O’Neill

Moe.
[Atomic Lab]

Alguns vídeos…

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Tem algumas coisas na internet que realmente são interessantes de se ver. Aqui vão duas.

Ficou bem famoso esse vídeo. Não precisa de maiores comentários.

Esse eu acabei achando por acaso. Tive a felicidade de ver esse cara ao vivo, a dois metros de distância. WOW!

“I’ve heard a million stories, some self explanatory but then the words fade into gray”
King’s X

Moe.
[Atomic Lab]

Instrumento sólido, informações nem tanto

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Essa semana morreu o músico Lester William Polsfuss, mais conhecido como Les Paul. Grande contribuinte do meu instrumento e da nossa música, mas também creditado como inventor da guitarra elétrica de corpo sólido, o que não é necessariamente verdade.

Les Paul

As contribuições dele são inegáveis na música. Desde diversos sucessos até técnicas de gravação usadas até hoje, passando por nada menos que o desenvolvimento, junto com a Gibson, de um dos modelos de guitarra mais famosos de toda a história do instrumento. A verdade é que eu penso que as guitarras podem ser divididas em três espécies: as que se parecem com a Stratocaster (Fender), as que se parecem com a Les Paul (Gibson) e as que não se parecem com nada mais. Seu modelo, que carrega seu nome, foi imortalizado não só por ele próprio, mas por ícones de diversas gerações, como Jimmy Page, Slash, e muitos outros. Foi sim um pioneiro. Mas de pioneiro a inventor, a diferença é um abismo.

De acordo com minhas pesquisas, sua primeira guitarra de corpo sólido foi construída em 1939, a The Log. Mas, Adolph Rickenbacker já vendia esse tipo de guitarra na mesma década de trinta. Além disso, na mesma época, aqui no Brasil, estava sendo desenvolvido um instrumento, então chamado de pau elétrico, cujo princípio era o mesmo da guitarra. Não é sabido ao certo quem fez primeiro, mas o fato é que os americanos assumem a autoria de qualquer coisa que preste. Foi assim também com o avião, então não me surpreende ser assim com a guitarra. E quem achar que estou sendo xenófobo, faça uma pesquisinha.

Bom, invenções à parte, acho que esse ano está sendo montada uma bela banda lá em cima. Azar nosso que continuamos aqui em baixo.

“Man is the parasite, man is the cause. We are destroyers and creators, our precious flaw.”
Warrel Dane

Moe.
[Atomic Lab]

A Escala da sua cabeça

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MEU! Musicalmente, é um dos melhores vídeos que já vi! Comprova nitidamente que a música é intrínseca à existência humana. Vai ganhar post no blog??? AH, VAI SIM.” Foi assim que respondi um e-mail do meu amigo Gusta com um link para um vídeo muito interessante.

Vou resumir a história, já que estou linkando o vídeo. O Bobby McFerrin (isso, aquele mesmo de Don’t Worry, Be Happy e que ganhou dez prêmios no Grammy) demonstrou em um festival de ciências a percepção das pessoas, gesticulando e pulando no palco. Primeiro, ele marcou uma nota em um lugar que ele pulava. Depois, marcou uma mais aguda e, a partir do terceiro lugar que ele pulou, todas as pessoas começaram a cantar as mesmas notas, a platéia toda! Exatamente como se ele estivesse pulando nas teclas de um piano gigante.

Beleza. Todo mundo cantando junto, que bonito. O problema é: como as pessoas sabiam a nota que deveria ser cantada??? Acabou sendo montada a escala pentatônica com as vozes das pessoas – que basicamente consiste em uma escala de cinco notas, geralmente derivada de outra escala. A escala mais comum, a maior, tem sete notas diferentes e, tirando duas, você obtém a pentatônica.

Eu não tenho a mínima formação em medicina, mas eu acredito que isso remeta à genética. Herança genética, para ser mais exato. Faz tempo que existem os padrões musicais, as coisas consideradas “bonitas” e “certas”, que podem não ser as únicas a agradar ao ouvinte, vide meus artigos falando sobre bandas de sonoridade caótica. Mas, o que penso é que o considerado bonito e certo é na verdade o previsível. Sabe quando entra aquele refrão que você decora de primeira? Aquela passagem “grudenta”? Isso é obtido dado ao grau de previsibilidade da passagem, unido à interpretação do artista e apoiado pela sua herança genética de várias gerações achando aquilo bonito. Daí se montam as relações matemáticas entre as notas na formação de escalas e tudo mais. Daí se explica porque a música pop é pop e porque outras são esquisitas e difíceis de ouvir.

É interessante também como isso assume caráter regional. Por exemplo, o Angra, que toca essencialmente heavy metal, costuma misturar elementos de música brasileira a esse estilo, resultando em acentuações diferentes nos ritmos, percussões não muito usadas para esse tipo de música. Para nós, brasileiros, isso não tem o mesmo impacto que para os japoneses (que adoram o Angra, por sinal). Aqui, a gente já tem um pouco disso na cabeça e a surpresa se dá mais pela mistura do que pelo elemento em si, ao passo que no Japão, esse tipo de coisa brasileira não existe. E os caras ouvem o heavy metal com swing brasileiro e pensam, “que diabos o cara tá fazendo?”, e é “só” uma acentuação de baião com guitarra distorcida.

Tudo me leva a crer que precisamos tomar cuidado com o que preservamos para deixar de herança. Senão, é possível que, em algumas gerações, a beleza musical tome um caráter bem diferente. E possivelmente não tão bonito.

“Just use your head and in the end you’ll find your inspiration”
Axl Rose

Moe.
[Atomic Lab]

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