Álbum da Semana

John McLaughlin – The Heart Of Things

De uns tempos para cá, ando tendo vontade de ouvir jazz. Sempre gostei, mas não é minha escola como o rock and roll e o heavy metal em geral, mas acabei pegando esse disco para ouvir e muito me agradou.

John McLaughlin - The Heart Of Things

Para começar, o time é muito bom. John McLaughlin, guitarrista, é um cara muito técnico e criativo, e Dennis Chambers é um batera muito conhecido e competente, além de Gary Thomas (sax), Jim Beard (piano, synth) e Matthew Garrison (bass).

Bom, não vou detalhar muito esse disco. Mas, escrevendo pouco, é jazz instrumental da melhor qualidade, que foge um pouco do lugar comum do estilo. Músicas com climas muito agradáveis, temperadas com as levadas de batera e percussões de Chambers e em alguns momentos com o baixo fretless de Garrison. Eu sou fanático por baixo fretless, bem tocado, claro.

Ótimo disco, vale mesmo a pena para quem quer ouvir o jazz com um sabor um pouco diferente.

Moe.
[Atomic Lab]

Dez Ótimos Álbuns (Parte 2)

Esta é a segunda parte do artigo. Novamente, não é um top-sei-lá-o-que. Só uma lista de sugestões de audição.

King Diamond - Voodoo
King DiamondVoodoo
Este é um cara que faz algo peculiar. Certamente peculiar demais para ficar popular. Mesmo no estilo que ele trabalha, o heavy metal, é sempre um caso de ame ou odeie. Gosto dos personagens que ele interpreta em seus discos, que são geralmente conceituais, e neste é abordada a temática do vodu, que eu acho um tanto interessante. É quase como um livro escrito e percebe-se que ele fez a lição de casa em termos de pesquisas para as estórias. Além disso, Andy LaRocque é, na minha opinião, um dos guitarristas mais geniais que já ouvi e, apesar da formação da banda nesse disco não ser a minha favorita, o álbum soa muito coeso, preciso, bem produzido e sinistro. E se você não tomar pelo menos um susto ouvindo, bem…provavelmente você está mentindo. Risos.

Queensrÿche - Empire
QueensrÿcheEmpire
Este já teve um post dedicado somente a ele neste blog. Maravilhoso disco, extremamente inspirado. Perfeito trabalho de todos os integrantes, especialmente de Chris de Garmo, também genial, e o idealizador da coisa toda. Não é à toa que a banda nunca mais foi a mesma após sua saída, mas felizmente eu tive o privilégio de ver um show pouco antes dele sair. É um disco especial, navega por diversos temas, tem boas baladas, ótimos solos e riffs de guitarra, a inconfundível voz de Geoff Tate, e também o ótimo trabalho de Scott Rockenfield, Eddie Jackson e Michael Wilton.

Nevermore - Dreaming Neon Black
NevermoreDreaming Neon Black
Esta é uma banda como poucas. Ou talvez como nenhuma outra. Com um dos melhores intérpretes no gênero do heavy metal (o vocalista Warrel Dane) e temáticas sempre inquietantes, o Nevermore é uma das bandas mais novas das quais eu realmente gosto – e olha que seu primeiro disco foi lançado em 1994. Com Jeff Loomis na guitarra, por vezes acompanhado por algum outro guitarrista numa vaga cíclica (no caso deste disco, Tim Calvert), é um dos caras mais criativos com o instrumento. Além de técnica impecável, seu fraseado é muito diferenciado e seus riffs são extremamente marcantes e compõem a força motriz da banda. A cozinha do baixista Jim Sheppard e do baterista Van Williams é extremamente entrosada e realmente monta a cama para tudo que acontece em cima dela. Este é um álbum conceitual que trata da história de um homem levado à loucura pela perda de sua amada. Nem parece tema de um disco de heavy metal, né? Pois é. Mas eu acho que é uma das melhores obras deles, especialmente porque não tem aquele ‘Q’ de disco conceitual, é um álbum que flui muito bem e todas as músicas funcionam muito bem sozinhas. Pouca gente conhece. Mas quem conhece, gosta.

Dream Theater - Awake
Dream TheaterAwake
Claro que tinha que ter um Dream Theater. Também foi difícil escolher qual o álbum desta banda eu colocaria, visto que sou muito fã e que provavelmente o disco que mais escutei na vida foi o mais conhecido deles, Images And Words. Mas escolhi este por apresentar uma atmosfera que gosto mais, um tanto mais escura e sombria, e principalmente por causa da introdução da guitarra de sete cordas, que é um instrumento que gosto muito e que tornou-se extremamente importante na sonoridade da banda. A competência dos membros é indiscutível, embora muita gente critique o vocalista James La Brie, como se fosse fácil cantar sobre os compassos muito incomuns nos quais ele parece totalmente confortável. Nesta época, a banda ainda contava com o primeiro tecladista, Kevin Moore, o baixista John Myung e um dos meus favoritos, o guitarrista John Petrucci, além do baterista Mike Portnoy, que saiu da banda esse ano depois de 25 anos de carreira.

The Beatles - Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band
The BeatlesSgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band
Claro que não poderia faltar um Beatles, de forma alguma. Gosto muito da discografia inteira, mas esse disco é especial para mim, porque me lembro ouvindo-o muito quando eu era muito novo. Vários anos depois eu fui saber da importância histórica dele, meio que inaugurando todo o lance de rock psicodélico, abrindo as portas para toda a cultura flower-power dos hippies e parindo a década de 70. Sem contar todo o conceito do álbum: como eles não fariam uma turnê, o álbum sairia em turnê. E, baseados nessa idéia, os Fab Four escreveram as músicas de forma a apresentar a banda na primeira e agradecer a todos pela presença na “última”, que na verdade acabou sendo a penúltima. Entra também o conceito de full-circle, ou “termino onde começo”, com a música Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band e sua reprise, e depois um perfeito adendo com A Day In The Life, que muito antes de eu aprender a falar inglês eu já percebia algo que descrevo como “um gosto de morte”. O meio do disco conta com diversas outras pérolas, como Lucy In The Sky With Diamonds, Lovely Rita, She’s Leaving Home, Fixing A Hole, Good Morning Good Morning e uma de minhas favoritas, Getting Better. Within You Without You traz a viagem de George Harrison e Being For The Benefit Of Mr. Kite! trata-se de John Lennon musicalizando um cartaz de anúncio de um circo. Paul McCartney também brilha como sempre e parece um tempo muito distante quando ele cantava When I’m Sixty-Four. Ringo Starr também fez seu trabalho como sempre e cantou With A Little Help From My Friends, que acabou virando um hino sobre a amizade e marcou a época. O que pouca gente sabe é que na verdade as primeiras músicas para esse álbum foram as famosíssimas Strawberry Fields Forever e Penny Lane, que saíram como singles pouco antes. Desnecessário dizer que é difícil superar um disco desses.

Faltou disco, com certeza. Eu mesmo, ao terminar de escrever, penso em alguns que eu deveria ter colocado. Mas não vai faltar oportunidade.

“Fly beyond the dreaming, fly beyond our being
Turn and face the mirror, the answers come, clear as glass.”
Warrel Dane

Moe.
[Atomic Lab]

Dez Ótimos Álbuns (Parte 1)

Longe de ser um “top ten”, montei uma lista de alguns discos que estão entre meus favoritos e vou postá-la em duas partes. Essa é a primeira.

A proposta não é dizer que são os melhores, os mais famosos ou os mais qualquer-coisa-que-você-imaginar. Simplesmente estive refletindo sobre alguns discos que eu salvaria de um incêndio se pudesse escolher somente alguns. Aproveitei para contar um pouco do que cada um me passa, o que faz cada um deles importante para mim. Provavelmente a maioria dos artistas já foi citado aqui no blog exatamente por esse motivo. Vamos lá.

Shadow King - Shadow King
Shadow KingShadow King
Esse é um álbum que esperei nada menos que nove anos para encontrar, e acabei ganhando-o de presente de meu amigo Fernando. Uma das minhas obras favoritas de hard-rock, esse álbum contém ótimas músicas, compostas em sua maioria pela dupla Lou Gramm e Bruce Turgon, tendo na banda também Kevin Valentine e Vivian Campbell. É o único disco oficial da banda, e a única música da qual tenho notícia que foi gravada além destas foi One Dream, que foi parar na trilha sonora de Highlander II, que foi como conheci a banda. É realmente uma jóia tão rara quanto desconhecida, e vale muito a busca.

Rush - Counterparts
RushCounterparts
Esse foi o primeiro disco do Rush que eu realmente peguei para ouvir, e uma das primeiras coisas que reparei foi na maturidade usada na mescla dos instrumentos, com os teclados na medida certa, após uma fase que eu julgo meio exagerada nesse sentido (não somente eu, mas também o guitarrista Alex Lifeson). Considero este o melhor trabalho do Rush, por conta disso, e também pela musicalidade, precisão na execução das maravilhosas músicas e por conter letras do baterista Neil Peart que são realmente pensadas e que fazem pensar também quem presta atenção a isso. Geddy Lee também brilha com algumas das que eu julgo como suas melhores levadas de baixo, e o vocal ótimo como sempre, com a estridência melhor dosada que no passado. Infelizmente, raramente são tocadas músicas deste nos shows, o que acaba deixando o álbum na obscuridade, de certa forma. Dificilmente é o primeiro disco que algum fã cita. Mas, para mim, é o melhor.

Savatage - The Wake Of Magellan
SavatageThe Wake Of Magellan
Como sempre procuro sentido nas letras e adoro álbuns conceituais, este aqui me agrada muito. Capitaneado por Jon Oliva, o Savatage traz uma vertente do heavy metal um tanto difícil de enquadrar nos cada vez mais numerosos subgêneros. Mas o importante é que a competência de todos e o tempero do produtor, letrista e compositor Paul O’Neill faz com que seja uma obra magnífica. As guitarras de Chris Caffery e Al Pitrelli estão em perfeita combinação com os riffs de piano (difícil ouvir essas duas palavras numa mesma frase, riff e piano) de Oliva, sobre a competente cozinha do baixista Johnny Lee Middleton e do baterista Jeff Plate. Dando vida aos personagens e narradores da história, Zak Stevens e Oliva alternam suas vozes, dando uma variação que gosto muito, principalmente por conta da interpretação de cada um em cada momento.

Grand Funk Railroad - Closer To Home
Grand Funk RailroadCloser To Home
Conheci o Grand Funk quando era bem novo, ouvindo esse disco com meu pai e meu irmão, não lembro exatamente quando. Mas sei que depois dessa vez, ouvi muitas vezes o disco novamente. A combinação de peso em algumas faixas e leveza em outras dá muita dinâmica ao trabalho, que eu sempre enxerguei como uma curva, com Mark Farner começando agressivamente na guitarra, passando pelo piano Fender Rhodes e depois para o lendário órgão Hammond, antes de voltar para a guitarra, combinando tudo numa ótima atmosfera para terminar o disco, sempre acompanhado de Mel Schacher no baixo e Don Brewer na bateria, que também dividia vocais com Farner. Ótima obra. Perfeita para quem curte um som setentista mas quer sair do óbvio triângulo Purple-Zeppelin-Sabbath.

Steve Vai - Sex & Religion
Steve VaiSex & Religion
Novamente, saindo do óbvio. Este foi um trabalho muito criticado, porque o virtuoso Steve Vai resolveu montar uma banda completa e ter uma abordagem mais “normal”. Então, ele reuniu Devin Townsend, TM Stevens e Terry Bozzio (três caras que não tem nem um pouco de normal, mediano ou medíocre) e gravou esse disco, ainda soando como um trabalho solo dele, mas com essa intenção de banda. O resultado acabou antecipando algumas coisas da carreira dele, pois ele mesmo viria a cantar posteriormente (na verdade, já tinha feito isso antes, mas somente em trabalhos mais experimentais e left-overs, e nesse disco mesmo, ouve-se bastante da voz dele). Ótimo trabalho, e mostra com extrema nitidez o por quê de termos que seguir nossa intuição artística independentemente do que os outros digam: quando ele fez discos com milhares de guitarras, criticaram, quando fez com uma banda, criticaram também. E eu (e alguns milhões de pessoas) gosto das duas coisas.

“Young enough not to care too much
About the way things used to be
I’m young enough to remember the future – The past has no claim on me
I’m old enough not to care too much
About what you think of me
But I’m young enough to remember the future – And the way things ought to be.”
Neil Peart

Moe.
[Atomic Lab]

The Hellacopters – High Visibility

Esta é mais uma banda das quais ouço falar faz tempo, mas nunca tinha pego nada para ouvir. Essa semana, apareceu na minha mão o disco High Visibility, do Hellacopters, e finalmente conheci o som dos caras.

The Hellacopters - High Visibility

É um álbum de rock, claro. Curti pelo fato de ser algo bem direto, bem executado, mas sem muitos rodeios, em alguns momentos lembrando o Kiss ou AC/DC, sem parecer copiar nenhum dos dois. As músicas são bem coesas e devem agradar bastante a esse público, que curte um bom rock ‘n roll novo com sabor de antigo.

É interessante observar como houve um certo revival desse tipo de sonoridade mais clássica do rock. Foi opurtuno, na minha opinião, pois os anos 90 passaram meio que sem isso, com apenas algumas bandas fazendo algo que tinha algumas características do passado, mas sem focar muito nisso, como o Guns ‘N Roses e o Aerosmith, por exemplo.

Essa roupagem nova de sonoridades antigas é algo que acho bem interessante, porque é uma forma mais direta de mostrar de onde vieram certas coisas, perceber a evolução do estilo. E isso me faz valorizar a época na qual eu vivo. Claro que hoje em dia, pra tocar Led Zeppelin no rádio, só ser for em uma rádio bem específica – e estou falando de UMA mesmo, a Kiss FM. Mas, embora o rock não esteja sempre com todas suas vertentes na mídia, no mainstream, sempre que vou em shows, estão de bem cheios a lotados. E nem estou falando de bandas tão conhecidas por aqui, mas algumas até mais obscuras. De alguma forma, a galera fica sabendo do show e o público mostra sua fidelidade.

Bom, o comentário do disco acabou virando outra coisa…risos. Mas, se você quiser ouvir uma banda mais recente com sabor de clássico, pode ir sossegado. Ótima pedida. Boas composições, boa execução, ótimo entrosamento da banda, mostrando que sabem o que estão fazendo. Se você não curte muito o bom e velho rock ‘n roll…bom, talvez seja um bom lugar pra começar!

“He said take my hand let us walk thru’ that door. I said I walk with my feet and I’ve been thru’ it before.”
The Hellacopters

Moe.