Álbum da Semana

John McLaughlin – The Heart Of Things

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De uns tempos para cá, ando tendo vontade de ouvir jazz. Sempre gostei, mas não é minha escola como o rock and roll e o heavy metal em geral, mas acabei pegando esse disco para ouvir e muito me agradou.

John McLaughlin - The Heart Of Things

Para começar, o time é muito bom. John McLaughlin, guitarrista, é um cara muito técnico e criativo, e Dennis Chambers é um batera muito conhecido e competente, além de Gary Thomas (sax), Jim Beard (piano, synth) e Matthew Garrison (bass).

Bom, não vou detalhar muito esse disco. Mas, escrevendo pouco, é jazz instrumental da melhor qualidade, que foge um pouco do lugar comum do estilo. Músicas com climas muito agradáveis, temperadas com as levadas de batera e percussões de Chambers e em alguns momentos com o baixo fretless de Garrison. Eu sou fanático por baixo fretless, bem tocado, claro.

Ótimo disco, vale mesmo a pena para quem quer ouvir o jazz com um sabor um pouco diferente.

Moe.
[Atomic Lab]

Dez Ótimos Álbuns (Parte 2)

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Esta é a segunda parte do artigo. Novamente, não é um top-sei-lá-o-que. Só uma lista de sugestões de audição.

King Diamond - Voodoo
King DiamondVoodoo
Este é um cara que faz algo peculiar. Certamente peculiar demais para ficar popular. Mesmo no estilo que ele trabalha, o heavy metal, é sempre um caso de ame ou odeie. Gosto dos personagens que ele interpreta em seus discos, que são geralmente conceituais, e neste é abordada a temática do vodu, que eu acho um tanto interessante. É quase como um livro escrito e percebe-se que ele fez a lição de casa em termos de pesquisas para as estórias. Além disso, Andy LaRocque é, na minha opinião, um dos guitarristas mais geniais que já ouvi e, apesar da formação da banda nesse disco não ser a minha favorita, o álbum soa muito coeso, preciso, bem produzido e sinistro. E se você não tomar pelo menos um susto ouvindo, bem…provavelmente você está mentindo. Risos.

Queensrÿche - Empire
QueensrÿcheEmpire
Este já teve um post dedicado somente a ele neste blog. Maravilhoso disco, extremamente inspirado. Perfeito trabalho de todos os integrantes, especialmente de Chris de Garmo, também genial, e o idealizador da coisa toda. Não é à toa que a banda nunca mais foi a mesma após sua saída, mas felizmente eu tive o privilégio de ver um show pouco antes dele sair. É um disco especial, navega por diversos temas, tem boas baladas, ótimos solos e riffs de guitarra, a inconfundível voz de Geoff Tate, e também o ótimo trabalho de Scott Rockenfield, Eddie Jackson e Michael Wilton.

Nevermore - Dreaming Neon Black
NevermoreDreaming Neon Black
Esta é uma banda como poucas. Ou talvez como nenhuma outra. Com um dos melhores intérpretes no gênero do heavy metal (o vocalista Warrel Dane) e temáticas sempre inquietantes, o Nevermore é uma das bandas mais novas das quais eu realmente gosto – e olha que seu primeiro disco foi lançado em 1994. Com Jeff Loomis na guitarra, por vezes acompanhado por algum outro guitarrista numa vaga cíclica (no caso deste disco, Tim Calvert), é um dos caras mais criativos com o instrumento. Além de técnica impecável, seu fraseado é muito diferenciado e seus riffs são extremamente marcantes e compõem a força motriz da banda. A cozinha do baixista Jim Sheppard e do baterista Van Williams é extremamente entrosada e realmente monta a cama para tudo que acontece em cima dela. Este é um álbum conceitual que trata da história de um homem levado à loucura pela perda de sua amada. Nem parece tema de um disco de heavy metal, né? Pois é. Mas eu acho que é uma das melhores obras deles, especialmente porque não tem aquele ‘Q’ de disco conceitual, é um álbum que flui muito bem e todas as músicas funcionam muito bem sozinhas. Pouca gente conhece. Mas quem conhece, gosta.

Dream Theater - Awake
Dream TheaterAwake
Claro que tinha que ter um Dream Theater. Também foi difícil escolher qual o álbum desta banda eu colocaria, visto que sou muito fã e que provavelmente o disco que mais escutei na vida foi o mais conhecido deles, Images And Words. Mas escolhi este por apresentar uma atmosfera que gosto mais, um tanto mais escura e sombria, e principalmente por causa da introdução da guitarra de sete cordas, que é um instrumento que gosto muito e que tornou-se extremamente importante na sonoridade da banda. A competência dos membros é indiscutível, embora muita gente critique o vocalista James La Brie, como se fosse fácil cantar sobre os compassos muito incomuns nos quais ele parece totalmente confortável. Nesta época, a banda ainda contava com o primeiro tecladista, Kevin Moore, o baixista John Myung e um dos meus favoritos, o guitarrista John Petrucci, além do baterista Mike Portnoy, que saiu da banda esse ano depois de 25 anos de carreira.

The Beatles - Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band
The BeatlesSgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band
Claro que não poderia faltar um Beatles, de forma alguma. Gosto muito da discografia inteira, mas esse disco é especial para mim, porque me lembro ouvindo-o muito quando eu era muito novo. Vários anos depois eu fui saber da importância histórica dele, meio que inaugurando todo o lance de rock psicodélico, abrindo as portas para toda a cultura flower-power dos hippies e parindo a década de 70. Sem contar todo o conceito do álbum: como eles não fariam uma turnê, o álbum sairia em turnê. E, baseados nessa idéia, os Fab Four escreveram as músicas de forma a apresentar a banda na primeira e agradecer a todos pela presença na “última”, que na verdade acabou sendo a penúltima. Entra também o conceito de full-circle, ou “termino onde começo”, com a música Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band e sua reprise, e depois um perfeito adendo com A Day In The Life, que muito antes de eu aprender a falar inglês eu já percebia algo que descrevo como “um gosto de morte”. O meio do disco conta com diversas outras pérolas, como Lucy In The Sky With Diamonds, Lovely Rita, She’s Leaving Home, Fixing A Hole, Good Morning Good Morning e uma de minhas favoritas, Getting Better. Within You Without You traz a viagem de George Harrison e Being For The Benefit Of Mr. Kite! trata-se de John Lennon musicalizando um cartaz de anúncio de um circo. Paul McCartney também brilha como sempre e parece um tempo muito distante quando ele cantava When I’m Sixty-Four. Ringo Starr também fez seu trabalho como sempre e cantou With A Little Help From My Friends, que acabou virando um hino sobre a amizade e marcou a época. O que pouca gente sabe é que na verdade as primeiras músicas para esse álbum foram as famosíssimas Strawberry Fields Forever e Penny Lane, que saíram como singles pouco antes. Desnecessário dizer que é difícil superar um disco desses.

Faltou disco, com certeza. Eu mesmo, ao terminar de escrever, penso em alguns que eu deveria ter colocado. Mas não vai faltar oportunidade.

“Fly beyond the dreaming, fly beyond our being
Turn and face the mirror, the answers come, clear as glass.”
Warrel Dane

Moe.
[Atomic Lab]

Dez Ótimos Álbuns (Parte 1)

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Longe de ser um “top ten”, montei uma lista de alguns discos que estão entre meus favoritos e vou postá-la em duas partes. Essa é a primeira.

A proposta não é dizer que são os melhores, os mais famosos ou os mais qualquer-coisa-que-você-imaginar. Simplesmente estive refletindo sobre alguns discos que eu salvaria de um incêndio se pudesse escolher somente alguns. Aproveitei para contar um pouco do que cada um me passa, o que faz cada um deles importante para mim. Provavelmente a maioria dos artistas já foi citado aqui no blog exatamente por esse motivo. Vamos lá.

Shadow King - Shadow King
Shadow KingShadow King
Esse é um álbum que esperei nada menos que nove anos para encontrar, e acabei ganhando-o de presente de meu amigo Fernando. Uma das minhas obras favoritas de hard-rock, esse álbum contém ótimas músicas, compostas em sua maioria pela dupla Lou Gramm e Bruce Turgon, tendo na banda também Kevin Valentine e Vivian Campbell. É o único disco oficial da banda, e a única música da qual tenho notícia que foi gravada além destas foi One Dream, que foi parar na trilha sonora de Highlander II, que foi como conheci a banda. É realmente uma jóia tão rara quanto desconhecida, e vale muito a busca.

Rush - Counterparts
RushCounterparts
Esse foi o primeiro disco do Rush que eu realmente peguei para ouvir, e uma das primeiras coisas que reparei foi na maturidade usada na mescla dos instrumentos, com os teclados na medida certa, após uma fase que eu julgo meio exagerada nesse sentido (não somente eu, mas também o guitarrista Alex Lifeson). Considero este o melhor trabalho do Rush, por conta disso, e também pela musicalidade, precisão na execução das maravilhosas músicas e por conter letras do baterista Neil Peart que são realmente pensadas e que fazem pensar também quem presta atenção a isso. Geddy Lee também brilha com algumas das que eu julgo como suas melhores levadas de baixo, e o vocal ótimo como sempre, com a estridência melhor dosada que no passado. Infelizmente, raramente são tocadas músicas deste nos shows, o que acaba deixando o álbum na obscuridade, de certa forma. Dificilmente é o primeiro disco que algum fã cita. Mas, para mim, é o melhor.

Savatage - The Wake Of Magellan
SavatageThe Wake Of Magellan
Como sempre procuro sentido nas letras e adoro álbuns conceituais, este aqui me agrada muito. Capitaneado por Jon Oliva, o Savatage traz uma vertente do heavy metal um tanto difícil de enquadrar nos cada vez mais numerosos subgêneros. Mas o importante é que a competência de todos e o tempero do produtor, letrista e compositor Paul O’Neill faz com que seja uma obra magnífica. As guitarras de Chris Caffery e Al Pitrelli estão em perfeita combinação com os riffs de piano (difícil ouvir essas duas palavras numa mesma frase, riff e piano) de Oliva, sobre a competente cozinha do baixista Johnny Lee Middleton e do baterista Jeff Plate. Dando vida aos personagens e narradores da história, Zak Stevens e Oliva alternam suas vozes, dando uma variação que gosto muito, principalmente por conta da interpretação de cada um em cada momento.

Grand Funk Railroad - Closer To Home
Grand Funk RailroadCloser To Home
Conheci o Grand Funk quando era bem novo, ouvindo esse disco com meu pai e meu irmão, não lembro exatamente quando. Mas sei que depois dessa vez, ouvi muitas vezes o disco novamente. A combinação de peso em algumas faixas e leveza em outras dá muita dinâmica ao trabalho, que eu sempre enxerguei como uma curva, com Mark Farner começando agressivamente na guitarra, passando pelo piano Fender Rhodes e depois para o lendário órgão Hammond, antes de voltar para a guitarra, combinando tudo numa ótima atmosfera para terminar o disco, sempre acompanhado de Mel Schacher no baixo e Don Brewer na bateria, que também dividia vocais com Farner. Ótima obra. Perfeita para quem curte um som setentista mas quer sair do óbvio triângulo Purple-Zeppelin-Sabbath.

Steve Vai - Sex & Religion
Steve VaiSex & Religion
Novamente, saindo do óbvio. Este foi um trabalho muito criticado, porque o virtuoso Steve Vai resolveu montar uma banda completa e ter uma abordagem mais “normal”. Então, ele reuniu Devin Townsend, TM Stevens e Terry Bozzio (três caras que não tem nem um pouco de normal, mediano ou medíocre) e gravou esse disco, ainda soando como um trabalho solo dele, mas com essa intenção de banda. O resultado acabou antecipando algumas coisas da carreira dele, pois ele mesmo viria a cantar posteriormente (na verdade, já tinha feito isso antes, mas somente em trabalhos mais experimentais e left-overs, e nesse disco mesmo, ouve-se bastante da voz dele). Ótimo trabalho, e mostra com extrema nitidez o por quê de termos que seguir nossa intuição artística independentemente do que os outros digam: quando ele fez discos com milhares de guitarras, criticaram, quando fez com uma banda, criticaram também. E eu (e alguns milhões de pessoas) gosto das duas coisas.

“Young enough not to care too much
About the way things used to be
I’m young enough to remember the future – The past has no claim on me
I’m old enough not to care too much
About what you think of me
But I’m young enough to remember the future – And the way things ought to be.”
Neil Peart

Moe.
[Atomic Lab]

The Hellacopters – High Visibility

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Esta é mais uma banda das quais ouço falar faz tempo, mas nunca tinha pego nada para ouvir. Essa semana, apareceu na minha mão o disco High Visibility, do Hellacopters, e finalmente conheci o som dos caras.

The Hellacopters - High Visibility

É um álbum de rock, claro. Curti pelo fato de ser algo bem direto, bem executado, mas sem muitos rodeios, em alguns momentos lembrando o Kiss ou AC/DC, sem parecer copiar nenhum dos dois. As músicas são bem coesas e devem agradar bastante a esse público, que curte um bom rock ‘n roll novo com sabor de antigo.

É interessante observar como houve um certo revival desse tipo de sonoridade mais clássica do rock. Foi opurtuno, na minha opinião, pois os anos 90 passaram meio que sem isso, com apenas algumas bandas fazendo algo que tinha algumas características do passado, mas sem focar muito nisso, como o Guns ‘N Roses e o Aerosmith, por exemplo.

Essa roupagem nova de sonoridades antigas é algo que acho bem interessante, porque é uma forma mais direta de mostrar de onde vieram certas coisas, perceber a evolução do estilo. E isso me faz valorizar a época na qual eu vivo. Claro que hoje em dia, pra tocar Led Zeppelin no rádio, só ser for em uma rádio bem específica – e estou falando de UMA mesmo, a Kiss FM. Mas, embora o rock não esteja sempre com todas suas vertentes na mídia, no mainstream, sempre que vou em shows, estão de bem cheios a lotados. E nem estou falando de bandas tão conhecidas por aqui, mas algumas até mais obscuras. De alguma forma, a galera fica sabendo do show e o público mostra sua fidelidade.

Bom, o comentário do disco acabou virando outra coisa…risos. Mas, se você quiser ouvir uma banda mais recente com sabor de clássico, pode ir sossegado. Ótima pedida. Boas composições, boa execução, ótimo entrosamento da banda, mostrando que sabem o que estão fazendo. Se você não curte muito o bom e velho rock ‘n roll…bom, talvez seja um bom lugar pra começar!

“He said take my hand let us walk thru’ that door. I said I walk with my feet and I’ve been thru’ it before.”
The Hellacopters

Moe.

Tarot – Suffer Our Pleasures

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Não vai ser primeira vez que digo nesse blog que Marco Hietala é um grande vocalista. Aqui está mais um disco para reiterar essa afirmação, Suffer Our Pleasures, o penúltimo da sua banda, Tarot.

Tarot - Suffer Our Pleasures

Acho que deveria ser suficiente dizer que a admiração do pessoal do Nightwish por ele partiu dessa banda e que com isso eles tiveram certeza de que ele era o cara certo para o posto, tanto de vocalista como baixista. Mas vou dizer algumas coisas mais.

Desde o primeiro disco da banda, Spell Of Iron, de 1986, eles mostram um metal com toques góticos, sem exageros, muito bem executado e de ótimas músicas para quem gosta do estilo. O vocal do Marco é a cereja do bolo, num time completado por seu irmão e guitarrista Zachary Hietala, o tecladista Janne Tolsa, o baterista Pecu Cinnari e o também vocalista Tommi Salmela (que não participa deste disco, deixando somente os vocais do Marco). Em Suffer Our Pleasures, é dado mais um passo em direção ao também ótimo Crows Fly Back, o mais recente.

Não vou detalhar as músicas, porque infelizmente não estou com o tempo adequado para escrever sobre elas agora. Mas posso dizer que é um álbum recheado de ótimas músicas, com riffs marcantes, boas performances de todos os músicos, muito bem gravadas por sinal, e certamente vale a pena não só para quem é head-banger de plantão (rs) mas também para quem gosta de um rock com bastante energia, movimento e qualidade.

“The wound in my back, the best place for your knife to turn. But now I know it’s painless!”
Marco Hietala

Moe.

Death – Scream Bloody Gore

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Este é mais um daqueles discos que você não vai ver nas prateleiras de qualquer loja. Totalmente contra as tendências do que faz sucesso, e também do que fazia na época de seu lançamento, em 1987. Dessa forma, vou falar um pouco mais do contexto histórico da obra e, quem sentir curiosidade, escute.

Death - Scream Bloody Gore

A informação corria de formas bem diferentes nos idos dos anos 80. Ao invés de você receber de um amigo um arquivo mp3 ou um endereço da página da internet, você recebia uma fitinha cassete. Daí, você ouvia e, geralmente, quem gostava muito passava para a frente, copiando para outro amigo e assim por diante. O Death tornou-se famoso no cenário underground americano dessa forma, com as pessoas trocando fitas com suas demos. Eventualmente, essas fitas iam parar na mão de alguém que fosse de uma gravadora ou tivesse esse tipo de contato, que se interessava pelo material e contratava a banda, já que praticamente ninguém lançava nada mais oficial sem o apoio de uma gravadora. Assim também aconteceu com o Death, sendo indicado para a gravadora Combat Records.

É sempre interessante para alguém que quer trilhar um determinado caminho olhar para quem está alguns (ou muitos) passos à frente. Aprende-se muito. Hoje, o mercado todo é bem diferente. A fitinha já era. A galera não está muito interessada em pagar pela música – nem preciso mais falar o que acho disso. Mas existem possibilidades diferentes, oportunidades diferentes. E é um prazer aprender com esses que trilharam a estrada antes de mim, apesar de saber que na época as pedras estavam em lugares diferentes…mas já existiam.

“The magic lives in sincerity, in truth, behind the thoughts I choose to stand.”
Chuck Schuldiner

Moe.

Marty Friedman – Music For Speeding

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Marty Friedman é um guitarrista de competência inquestionável, ao meu modo de ver. Executou de forma brilhante seus trabalhos nos anos de Megadeth, ao lado do exigente Dave Mustaine, participando de diversos dos maiores clássicos da banda. Antes disso, além de CD solo, tinha lançado outros álbuns com sua banda Cacophony, ao lado do também extraordinário e já citado Jason Becker.

Marty Friedman - Music For Speeding

O disco Music For Speeding foi baseado em diversas sugestões/cobranças que Marty recebeu de amigos e fãs, para que ele gravasse um trabalho mais técnico e virtuoso. Claro que a musicalidade não poderia ficar de lado – e não ficou. Combinando ótimos riffs e solos a alguns flertes com a música eletrônica e a bateria precisa e marcante de Jeremy Colson, as músicas são coesas e bem trabalhadas, fazendo a audição do disco ser bem fluída.

É óbvio, porém, que não é um trabalho para o grande público. Se a mídia em geral já não dá muita atenção para a música que não é exatamente “dançante” (ou seria “rebolante”???), sem as carinhas bonitinhas e cabelos da moda dos membros da banda, claro que não faria exceção a este. Mas, se você estiver interessado na música mesmo e em ótimas execuções e interpretações das peças, certamente é uma ótima pedida!

“Support Music, not rumors!”
Chuck Schuldiner

Moe.

Fates Warning – FWX

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Tem certas ocasiões na vida em que a gente faz besteira. Como, por exemplo, comprar um CD e guardar sem ouvir. Quase fiz isso com esse álbum. Comprei, ouvi algumas vezes, gostei muito, mas depois acabei esquecendo que o tenho. Resolvi fazer justiça ao disco agora, após assistir novamente ao DVD Live In Athens, que foi parte da turnê deste.

Fates Warning - FWX

Conheci o Fates Warning através de uma piadinha num encarte de um CD do Dream Theater. Pesquisei para ver do que se tratava e acabei chegando nessa ótima banda. Seu trabalho pode ser claramente dividido em duas fases, marcadas pela troca de vocalista, do John Arch para Ray Alder. O início tinha uma sonoridade bem característica dos primórdios do metal melódico, como o som do Helloween, também nos primeiros discos. Com o passar dos anos, a barco acabou navegando pro lado mais progressivo, mas sem perder a agressividade. A verdade é que eles acabaram sendo pioneiros do metal progressivo, escola que gerou algumas bandas muito boas – inclusive o Dream Theater.

O disco todo soa como uma obra conjunta. O nome, FWX, sugere as iniciais da banda, e também que é o décimo álbum de estúdio. Algumas músicas, como Simple Human e Another Perfect Day, têm aquele clima de futuros clássicos para os fãs, o que é interessante observar, inclusive por causa das reações nos shows. Outras duas músicas me provocam a mesma impressão, Left Here e Heal Me.

Left Here abre o disco, inicialmente calma, e depois mostrando o que falei acima, com as características dessa segunda fase da banda, e desemboca na mais enérgica Simple Human, que mostra bem que Jim Matheos ainda trabalha com a mesma sonoridade de quando haviam dois guitarristas na banda. Ele, sendo o único integrante original da banda, é o principal compositor e se encarrega de diversas tarefas, inclusive co-produzindo o disco. River Wide Ocean Deep traz diversos sons de samplers que também ficaram a cargo dele, bem como os teclados, usados com bom gosto.

Another Perfect Day é outra música muito bem executada, com destaque para a bateria de Mark Zonder e os timbres de violão usados por Matheos. Já Heal Me, a mais longa do álbum, trabalha bastante com sequencers no início, deixando uma ótima atmosfera para a interpretação de Alder ficar em destaque. Em seguida, o clima fica mais parecido com Simple Human, o que dá aquele sabor de déjà vu musical, quase como numa overture, mas sem repetir o tema. A dinâmica abaixa no final da música, para emendar com Sequence #7, nome curioso por ser a sexta faixa do álbum. Nesta, que trabalha para preparar o clima para a próxima, destaco o baixo de Joey Vera, e o bom trabalho de junção com Crawl, que dá a impressão de serem uma música só. Crawl começa mais forte, mostrando um lado mais heavy metal, complementado o lado progressivo da anterior.

A Handful Of Doubt é bem progressiva também, introspectiva no início. Ótimos timbres de todos os instrumentos colaboram com a beleza da faixa, como no trabalho todo. Acredito que os anos de carreira de Matheos com a banda deixaram bem clara em sua cabeça a sonoridade que combina com os trabalhos do Fates Warning. E quando você acha que isso não vai mais acontecer, a dinâmica sobe, com guitarras distorcidas, sobre a levada (bem diferente) da bateria, abusando dos pratos, tornando a passagem um tanto apoteótica. Uma breve queda anuncia o início da acelerada Stranger (With A Familiar Face), que tem novamente uma interação perfeita entre os instrumentos, especialmente baixo e bateria.

Com Wish, o disco termina como começa, colaborando com a coesão da obra. Há uma parte de piano muito bonita, gravada por Matheos, emendada a um solo de guitarra com a mesma qualidade. E a dinâmica abaixa após isso, preparando para o final do álbum.

É uma pena que eu tenha demorado tanto para ouvir esse disco como se deve. Mas é como a sensação de achar dinheiro perdido num bolso qualquer…risos. Vai agradar muito aos fãs e também é uma boa porta de entrada para quem quiser conhecer o trabalho da banda.

“The sun is overhead but I can’t see past the clouds in my eye.”
Jim Matheos

Moe.

Slipknot – All Hope Is Gone

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Em outro artigo nessa semana, comentei sobre a representação de personagens por parte dos artistas. Uma banda que sempre teve essa abordagem foi o Slipknot. E essa semana, eu estava ouvindo o último disco, All Hope Is Gone, lançado no ano passado.

Slipknot - All Hope Is Gone

Devo começar dizendo que tem praticamente tudo que se espera de um álbum deles: músicas pesadas, vocais agressivos, muitos riffs de guitarra. E outras coisas que eles incorporaram nesse trabalho: mais elaboração em alguns aspectos, como nos solos de guitarra e músicas mais leves, não tão agressivas. O guitarrista Mick Thomson (#7) disse que esperou anos para fazer algumas das coisas que estão nesse disco.

Sobre todo o lance de sonoridade do disco – não somente deste – o que nunca me pareceu é que tem nove caras tocando. Olha só, NOVE pessoas é gente pra caramba! Mas o disco é muito bem produzido, o que faz as coisas soarem cada uma no seu lugar, sem interferir umas com as outras. Talvez seja por isso. Ou talvez eles realmente aproveitem o time inteiro ao vivo mesmo. Além disso, eles aumentaram a seção de percussão, o que abre ainda mais possibilidades para a bateria.

Após uma breve introdução com Execute, Gematria (The Killing Name) surge, enérgica, com riffs de pergunta/resposta das guitarras e ótimos solos, que não se viam nos primeiros trabalhos, com Mick Thomson e James Root (#4). Vocais de Corey Taylor (#8) bem agressivos, como de costume. Sulfer acompanha esse clima, com a bateria a todo vapor, com abuso do bumbo duplo.

Psychosocial é uma daquelas que vai agradar muito aos fãs, tem o tipo de riff pra balançar a cabeça ouvindo, com a agressividade que tornou a banda famosa. Dead Memories é um pouco mais sinistra, com guitarras limpas com ótimos timbres e mais dinâmica no vocal, com refrão bem marcante.

Vendetta é bem acelerada, com Joey Jordison (#1) abusando do bumbo novamente e Sid Wilson (#0) dos scratches, com gang vocals em alguns pontos e bastante contraponto das guitarras. Butcher’s Hook mostra bem na introdução a expansão da seção de percussão, de Chris Fehn (#3) e Shawn Crahan (#6), com uso de pratos, além dos tambores convencionais (se é que barris de cerveja podem ser considerados assim…risos). Em contrapartida, Gehenna é mais arrastada, mas não menos violenta.

This Cold Black e Wherein Lies Continue são mais diretas, com as características comuns à banda. Ao contrário de Snuff, que mostra uma busca por uma sonoridade nova, com uso de violões e guitarras limpas, e o vocal mais melódico e suave. A antítese aqui é que “snuff” é um tipo de filme no qual há morte ou violência real, não encenada.

All Hope Is Gone tem todos aqueles elementos esperados da banda, com a adição dos solos já citados. É o tipo de música agitada e com muita coisa acontecendo, que dá trabalho para a banda inteira, bem como Child Of Burning Time. Vermillion Pt. 2 também aponta a versatilidade e direcionamento diferente de algumas músicas, com arranjos bonitos que agradariam fãs de música mais suave também. Ótima música, muito bem arranjada e mostra outro lado da banda. Finalizando, ‘Til We Die também tem arranjos menos agressivos, e é um pouco arrastada, com riffs mais lentos.

Acredito que este disco aponte alguns novos caminhos para o Slipknot, que está agregando elementos novos sem deixar de lado o que lhe fez fama. Espero que os mais fanáticos não torçam o nariz, visto que não me parece uma simples mudança, mas sim uma expansão de todo o vocabulário da banda.

“A broken promise is as good as a lie.”
Slipknot

Moe.

Kiss – Carnival Of Souls: The Final Sessions

3
A banda não fez segredo que queria gravar um disco diferente dos outros. Enquanto isso pode desagradar aos fãs mais ortodoxos, também pode mostrar uma versatilidade da banda, canalizada para uma sonoridade densa e pesada, escura.

Nessa época, estavam na banda Paul Stanley e Gene Simmons, como sempre, e Bruce Kullick e Eric Singer. A proposta era levar isso em consideração e, fazendo um trabalho diferente, mostrar as características dessa formação.

Kiss - Carnival Of Souls

Hate e Rain são agitadas, cheias de riffs que mostram o clima do álbum, que não remete aos clássicos. Cantadas por Gene e Paul, respectivamente, são ótimas amostras do que se trata o trabalho.

Master & Slave tem dinâmicas interessantes, com Paul usando bem o seu alcance vocal. Já Childhood’s End, começa arrastada, com um ótimo riff, seguido por timbres mais limpos de guitarra. Fazendo contraste, I Will Be There é uma balada, também triste, com um belo solo de violão, com cordas ao fundo, realmente de muito bom gosto.

Jungle volta com mais movimento, e algumas melodias diferentes do que Paul normalmente faria, misturadas com sua pegada característica. Destaque para o baixo (gravado por Kullick), que domina boa parte da música, dando um tempero especial, similar a In My Head. It Never Goes Away talvez seja a mais arrastada do disco, bem densa.

Seduction Of The Innocent mostra levadas interessantes de bateria, mais trabalhadas, especialmente nas estrofes. I Confess faz uso de cordas novamente, mas agora para criar um clima mais sinistro, antes de entrarem as guitarras, voltando depois na música. In The Mirror é cheia de pausas nos riffs e vocais, muito bem usadas. Segue a última faixa, I Walk Alone, cantada por Bruce.

É realmente um álbum diferente dos outros, que talvez alguns fãs torçam o nariz, mas eu gostei muito. É muito mais um disco de heavy metal, mais pesado que de costume para eles. Tentaram fazer algo diferente e conseguiram. Talvez eles mesmos não gostem de algum aspecto do disco, mas vale a pena conhecer esse lado mais pesado e sombrio do Kiss.

“Outside, we search for something, inside, we still have nothing.”
Paul Stanley

Moe.

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