Sonhos lúcidos com uma trilha sonora incrível…
Artigo
E o desabafo, hein?
01/12/11
Bom, claro que o vídeo foi carregado de emoção, como o próprio Edu reconheceu em entrevistas posteriores. Claro que a forma de falar foi um tanto agressiva, ou talvez eu deveria dizer, “humana” demais. Era o cara falando sobre o que ele tava sentindo naquele momento, acerca de uma situação que realmente acontece e afeta diretamente o trabalho (e o sustento) dele e de muitos outros. Sem as máscaras de assessoria de imprensa e coisas do tipo, o cara foi bem sincero.
É óbvio que do ponto de vista comercial, foi uma bobagem fazer isso. Lembra daquela tal história que o cliente sempre tem razão? Pois é. Mas, eu concordo com muita coisa do que ele falou, independentemente disso. Eu mesmo já entrei em muita discussão (e entro sempre com gosto, a hora que for) com pessoas que acham que não devem pagar pela música que escutam, e o discurso dele deu uma bela pincelada nisso. No final das contas, é exatamente o que ele disse: sem suporte, essa merda vai acabar.
Claro que muita gente pode ter se sentido ofendida com a afirmação de que o brasileiro valoriza só as bandas de fora, feita de um jeito muito engraçado, apesar de agressivo. Eu mesmo gosto de poucas bandas nacionais. Mas, é claro que ele não estava falando que você DEVE gostar das bandas brasileiras, mas sim que, se você não tem vontade de apoiar os caras, não fique fazendo média em mídias sociais e coisas do tipo, porque elogio não paga contas. Eu acho que eu já falei isso sobre aplausos nesse blog, e o elogio funciona da mesma forma, sendo o aplauso uma forma de elogio.
Pouco tempo depois disso, o Lobão soltou um vídeo se recusando a tocar no Lollapalooza, explicando a sacanagem que os caras estão fazendo, colocando as bandas nacionais somente por terem obrigações legais de fazer isso, deixando a elas os piores horários e condições de trabalho. Para caras que tem uma carreira muito mais longa e significativa do que muitas das bandas gringas que estarão no festival.
Como eu já disse, e quem me conhece sabe, são poucas bandas brasileiras que gosto, prefiro (por estética artística) a sonoridade da língua inglesa no rock e afins, mas acho que o respeito profissional não tem nada a ver com o gosto pessoal. E realmente, o brasileiro não curte respeitar muito coisa nenhuma, quanto mais o trabalho alheio. Curte fazer uma tietagem, curte flertar com os cinco minutos de pseudo-fama porque tá tirando foto apertando a mão de cara famoso pra colocar no Facebook e falar mal do cara depois. Daí vem o Slipknot e canta “People equal shit”, e tem gente que acha que é um exagero niilista. Será?
Moe.
[Atomic Lab]
E no terceiro dia…
01/03/11
As pessoas mais próximas a mim sabem do acontecimento de Fevereiro, e sabem exatamente o que tudo isso significa para mim. Sabem que significa que tenho que tomar as rédeas de muitas coisas, que tenho que fazer coisas que já deveria estar fazendo há muito tempo, sabem que estou pensativo, meditando sobre a minha vida e o que mais vem a seguir. Esse blog não tem um caráter pessoal, mas tem certas coisas que afetam todas as esferas da sua vida, logo, este espaço não iria escapar também.
Mas, longe de ser algo com objetivo de deixar alguém deprimido, devo dizer que é possível estar em paz, mesmo não podendo ainda estar feliz. Tudo mudou para sempre, simplesmente porque EU mudei para sempre. Mas tudo que guardo dentro de mim, todas as coisas boas que guardo, estarão sempre aqui e sempre me levando para frente, junto com minha fé, com as orações e ajuda dos bons amigos e amigas e também com o suco que todos sabem que é um grande alimento para mim, a música.
Antes de tudo acontecer, tinha recebido um convite do meu amigo Neto para tocar com a banda dele numa festa, já que eles estão com um guitarrista só. Topei na hora. O repertório bem variado, tendo de Queen a Raul Seixas, passando por Supertramp, Men At Work, Cazuza e Barão Vermelho, Bob Marley e muitas outras coisas, inclusive composições da própria banda, que podem (e devem) ser conferidas no site deles, com download gratuito, vídeos no Youtube, letras e tudo mais. Aposto que já tem gente surpresa nesse ponto, por causa da diversidade. Minha mãe, sabendo de como eu gosto de tocar ao vivo (tocar, de qualquer forma possível, na verdade) estava muito contente com isso, me incentivou muito, como sempre. Daí, com tudo que aconteceu, sobrou uma semana para aprender o repertório todo, de mais ou menos 80 músicas. Isso em meio às outras tarefas que a vida me apresenta.
Deu tempo? Eu fiz dar tempo. Tiveram muitas coisas que teriam feito muita gente desistir, mas eu fui mesmo assim. Até o jantar, uma hora antes da hora combinada no local, atrasou. Celular sem funcionar. Bom, várias coisas. Várias coisas irrelevantes. Deu certo? É melhor perguntar para quem foi. Mas, do meu ponto de vista, de cima do palco, depois de estar tocando por quase quatro horas e o pessoal não querendo que a banda pare, acho que é um forte indício de que a resposta seria ‘sim’.
Curti demais e consegui tirar minha cabeça de todo o resto, naquele transe magnífico que só acontece no palco, quando você tá tocando sem ensaiar com a banda (na verdade, conheci a galera subindo no palco), principalmente se for alguma música diferente daquelas 80, que você nem ouvia há muito tempo, e você agradece a Deus por ter um ouvido colado no amp do baixo e um olho vidrado na mão do tecladista. Fazendo tudo isso ao mesmo tempo, ainda tentando colaborar com uns backings, você não vai conseguir pensar em mais nada. E quando dá certo você sente aquela reafirmação de que você tá no lugar certo, tá fazendo a coisa certa. Não que eu tivesse dúvida. Mas como dizem alguns, não é ver para crer, é preciso crer para ver.
Quero agradecer todo o pessoal da Hepen, Eder (bass/vox), Pedro (drums), Edilson (keys), especialmente o Neto (guitar/vox) pelo convite, além do pessoal do Fecha Bodegas, uma galera que realmente curte o som, agita muito mesmo depois de um dia inteiro de festa, até as 3 e meia da manhã. Foi o primeiro show que toquei onde você ouvia de um lado ‘toca Raul’ e do outro ‘toca um Petrucci aí’. E especialmente também quero agradecer minha noiva Vanessa, por me aturar falando quase que só disso por dias enquanto me preparava pra jornada, e também no caminho inteiro. Ida e volta.
“Always be my Guide and show me my way.”
Moe.
[Atomic Lab]
Dez Ótimos Álbuns (Parte 2)
22/12/10

King Diamond – Voodoo
Este é um cara que faz algo peculiar. Certamente peculiar demais para ficar popular. Mesmo no estilo que ele trabalha, o heavy metal, é sempre um caso de ame ou odeie. Gosto dos personagens que ele interpreta em seus discos, que são geralmente conceituais, e neste é abordada a temática do vodu, que eu acho um tanto interessante. É quase como um livro escrito e percebe-se que ele fez a lição de casa em termos de pesquisas para as estórias. Além disso, Andy LaRocque é, na minha opinião, um dos guitarristas mais geniais que já ouvi e, apesar da formação da banda nesse disco não ser a minha favorita, o álbum soa muito coeso, preciso, bem produzido e sinistro. E se você não tomar pelo menos um susto ouvindo, bem…provavelmente você está mentindo. Risos.

Queensrÿche – Empire
Este já teve um post dedicado somente a ele neste blog. Maravilhoso disco, extremamente inspirado. Perfeito trabalho de todos os integrantes, especialmente de Chris de Garmo, também genial, e o idealizador da coisa toda. Não é à toa que a banda nunca mais foi a mesma após sua saída, mas felizmente eu tive o privilégio de ver um show pouco antes dele sair. É um disco especial, navega por diversos temas, tem boas baladas, ótimos solos e riffs de guitarra, a inconfundível voz de Geoff Tate, e também o ótimo trabalho de Scott Rockenfield, Eddie Jackson e Michael Wilton.

Nevermore – Dreaming Neon Black
Esta é uma banda como poucas. Ou talvez como nenhuma outra. Com um dos melhores intérpretes no gênero do heavy metal (o vocalista Warrel Dane) e temáticas sempre inquietantes, o Nevermore é uma das bandas mais novas das quais eu realmente gosto – e olha que seu primeiro disco foi lançado em 1994. Com Jeff Loomis na guitarra, por vezes acompanhado por algum outro guitarrista numa vaga cíclica (no caso deste disco, Tim Calvert), é um dos caras mais criativos com o instrumento. Além de técnica impecável, seu fraseado é muito diferenciado e seus riffs são extremamente marcantes e compõem a força motriz da banda. A cozinha do baixista Jim Sheppard e do baterista Van Williams é extremamente entrosada e realmente monta a cama para tudo que acontece em cima dela. Este é um álbum conceitual que trata da história de um homem levado à loucura pela perda de sua amada. Nem parece tema de um disco de heavy metal, né? Pois é. Mas eu acho que é uma das melhores obras deles, especialmente porque não tem aquele ‘Q’ de disco conceitual, é um álbum que flui muito bem e todas as músicas funcionam muito bem sozinhas. Pouca gente conhece. Mas quem conhece, gosta.

Dream Theater – Awake
Claro que tinha que ter um Dream Theater. Também foi difícil escolher qual o álbum desta banda eu colocaria, visto que sou muito fã e que provavelmente o disco que mais escutei na vida foi o mais conhecido deles, Images And Words. Mas escolhi este por apresentar uma atmosfera que gosto mais, um tanto mais escura e sombria, e principalmente por causa da introdução da guitarra de sete cordas, que é um instrumento que gosto muito e que tornou-se extremamente importante na sonoridade da banda. A competência dos membros é indiscutível, embora muita gente critique o vocalista James La Brie, como se fosse fácil cantar sobre os compassos muito incomuns nos quais ele parece totalmente confortável. Nesta época, a banda ainda contava com o primeiro tecladista, Kevin Moore, o baixista John Myung e um dos meus favoritos, o guitarrista John Petrucci, além do baterista Mike Portnoy, que saiu da banda esse ano depois de 25 anos de carreira.

The Beatles – Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band
Claro que não poderia faltar um Beatles, de forma alguma. Gosto muito da discografia inteira, mas esse disco é especial para mim, porque me lembro ouvindo-o muito quando eu era muito novo. Vários anos depois eu fui saber da importância histórica dele, meio que inaugurando todo o lance de rock psicodélico, abrindo as portas para toda a cultura flower-power dos hippies e parindo a década de 70. Sem contar todo o conceito do álbum: como eles não fariam uma turnê, o álbum sairia em turnê. E, baseados nessa idéia, os Fab Four escreveram as músicas de forma a apresentar a banda na primeira e agradecer a todos pela presença na “última”, que na verdade acabou sendo a penúltima. Entra também o conceito de full-circle, ou “termino onde começo”, com a música Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band e sua reprise, e depois um perfeito adendo com A Day In The Life, que muito antes de eu aprender a falar inglês eu já percebia algo que descrevo como “um gosto de morte”. O meio do disco conta com diversas outras pérolas, como Lucy In The Sky With Diamonds, Lovely Rita, She’s Leaving Home, Fixing A Hole, Good Morning Good Morning e uma de minhas favoritas, Getting Better. Within You Without You traz a viagem de George Harrison e Being For The Benefit Of Mr. Kite! trata-se de John Lennon musicalizando um cartaz de anúncio de um circo. Paul McCartney também brilha como sempre e parece um tempo muito distante quando ele cantava When I’m Sixty-Four. Ringo Starr também fez seu trabalho como sempre e cantou With A Little Help From My Friends, que acabou virando um hino sobre a amizade e marcou a época. O que pouca gente sabe é que na verdade as primeiras músicas para esse álbum foram as famosíssimas Strawberry Fields Forever e Penny Lane, que saíram como singles pouco antes. Desnecessário dizer que é difícil superar um disco desses.
Faltou disco, com certeza. Eu mesmo, ao terminar de escrever, penso em alguns que eu deveria ter colocado. Mas não vai faltar oportunidade.
“Fly beyond the dreaming, fly beyond our being
Turn and face the mirror, the answers come, clear as glass.”
Warrel Dane
Moe.
[Atomic Lab]
Dez Ótimos Álbuns (Parte 1)
08/12/10
A proposta não é dizer que são os melhores, os mais famosos ou os mais qualquer-coisa-que-você-imaginar. Simplesmente estive refletindo sobre alguns discos que eu salvaria de um incêndio se pudesse escolher somente alguns. Aproveitei para contar um pouco do que cada um me passa, o que faz cada um deles importante para mim. Provavelmente a maioria dos artistas já foi citado aqui no blog exatamente por esse motivo. Vamos lá.

Shadow King – Shadow King
Esse é um álbum que esperei nada menos que nove anos para encontrar, e acabei ganhando-o de presente de meu amigo Fernando. Uma das minhas obras favoritas de hard-rock, esse álbum contém ótimas músicas, compostas em sua maioria pela dupla Lou Gramm e Bruce Turgon, tendo na banda também Kevin Valentine e Vivian Campbell. É o único disco oficial da banda, e a única música da qual tenho notícia que foi gravada além destas foi One Dream, que foi parar na trilha sonora de Highlander II, que foi como conheci a banda. É realmente uma jóia tão rara quanto desconhecida, e vale muito a busca.

Rush – Counterparts
Esse foi o primeiro disco do Rush que eu realmente peguei para ouvir, e uma das primeiras coisas que reparei foi na maturidade usada na mescla dos instrumentos, com os teclados na medida certa, após uma fase que eu julgo meio exagerada nesse sentido (não somente eu, mas também o guitarrista Alex Lifeson). Considero este o melhor trabalho do Rush, por conta disso, e também pela musicalidade, precisão na execução das maravilhosas músicas e por conter letras do baterista Neil Peart que são realmente pensadas e que fazem pensar também quem presta atenção a isso. Geddy Lee também brilha com algumas das que eu julgo como suas melhores levadas de baixo, e o vocal ótimo como sempre, com a estridência melhor dosada que no passado. Infelizmente, raramente são tocadas músicas deste nos shows, o que acaba deixando o álbum na obscuridade, de certa forma. Dificilmente é o primeiro disco que algum fã cita. Mas, para mim, é o melhor.

Savatage – The Wake Of Magellan
Como sempre procuro sentido nas letras e adoro álbuns conceituais, este aqui me agrada muito. Capitaneado por Jon Oliva, o Savatage traz uma vertente do heavy metal um tanto difícil de enquadrar nos cada vez mais numerosos subgêneros. Mas o importante é que a competência de todos e o tempero do produtor, letrista e compositor Paul O’Neill faz com que seja uma obra magnífica. As guitarras de Chris Caffery e Al Pitrelli estão em perfeita combinação com os riffs de piano (difícil ouvir essas duas palavras numa mesma frase, riff e piano) de Oliva, sobre a competente cozinha do baixista Johnny Lee Middleton e do baterista Jeff Plate. Dando vida aos personagens e narradores da história, Zak Stevens e Oliva alternam suas vozes, dando uma variação que gosto muito, principalmente por conta da interpretação de cada um em cada momento.

Grand Funk Railroad – Closer To Home
Conheci o Grand Funk quando era bem novo, ouvindo esse disco com meu pai e meu irmão, não lembro exatamente quando. Mas sei que depois dessa vez, ouvi muitas vezes o disco novamente. A combinação de peso em algumas faixas e leveza em outras dá muita dinâmica ao trabalho, que eu sempre enxerguei como uma curva, com Mark Farner começando agressivamente na guitarra, passando pelo piano Fender Rhodes e depois para o lendário órgão Hammond, antes de voltar para a guitarra, combinando tudo numa ótima atmosfera para terminar o disco, sempre acompanhado de Mel Schacher no baixo e Don Brewer na bateria, que também dividia vocais com Farner. Ótima obra. Perfeita para quem curte um som setentista mas quer sair do óbvio triângulo Purple-Zeppelin-Sabbath.

Steve Vai – Sex & Religion
Novamente, saindo do óbvio. Este foi um trabalho muito criticado, porque o virtuoso Steve Vai resolveu montar uma banda completa e ter uma abordagem mais “normal”. Então, ele reuniu Devin Townsend, TM Stevens e Terry Bozzio (três caras que não tem nem um pouco de normal, mediano ou medíocre) e gravou esse disco, ainda soando como um trabalho solo dele, mas com essa intenção de banda. O resultado acabou antecipando algumas coisas da carreira dele, pois ele mesmo viria a cantar posteriormente (na verdade, já tinha feito isso antes, mas somente em trabalhos mais experimentais e left-overs, e nesse disco mesmo, ouve-se bastante da voz dele). Ótimo trabalho, e mostra com extrema nitidez o por quê de termos que seguir nossa intuição artística independentemente do que os outros digam: quando ele fez discos com milhares de guitarras, criticaram, quando fez com uma banda, criticaram também. E eu (e alguns milhões de pessoas) gosto das duas coisas.
“Young enough not to care too much
About the way things used to be
I’m young enough to remember the future – The past has no claim on me
I’m old enough not to care too much
About what you think of me
But I’m young enough to remember the future – And the way things ought to be.”
Neil Peart
Moe.
[Atomic Lab]


