Neuromancer

Terminei de reler esses dias uma obra maravilhosa chamada Neuromancer, do escritor William Gibson. Esse livro é bem famoso na comunidade sci-fi, e não é à toa. Lançado em 1984, colocou idéias tecnológicas como redes mundiais de computadores, implantes cibernéticos, inteligências artificiais e uma coisa mais específica chamada…MATRIX.

Neuromancer

Eu adoro esse livro. E também a trilogia Matrix. Mas, que você passa raiva lendo, isso passa. Raiva do filme, já que o livro foi lançado MUITO antes. E isso me levou ao recente processo do Joe Satriani sobre o Coldplay por plágio. Principalmente porque a música ganhou prêmios. E eu não sei quem vai levar a melhor nessa, mas que é bem parecida, é. Para os mais técnicos: a harmonia de certas partes é igual, usando apenas uma substituição de um acorde por outro de mesma função. E a melodia soa como uma variação da primeira.

Bom, influências todo mundo tem. Eu mesmo, sou bem influenciado pelas histórias do William Gibson – lembro-me de assistir Johnny Mnemonic no cinema. Também gosto de Stephen King, de Neil Gaiman e alguns outros. O problema é quando a homenagem vira cópia. Certamente é uma linha estreita. Usam-se as mesmas 12 notas a tempo demais para não haverem coisas muito parecidas. Mas procuro seguir o Mestre Steve Vai, que sempre que é questionado sobre técnicas e sonoridades, reforça que devemos buscar a originalidade, nossa própria identidade. No caso de Gibson, o mundo o seguiu, desenvolvendo diversas das tecnologias que ele imaginou e antecipou em seus livros. Quer melhor homenagem que essa?

“Denial is the most predictable of all human responses.”
The Architect

Moe.

Clássico em diversas eras

É incrível como algumas bandas mudaram de formação durante a carreira. Uma dessas foi o Black Sabbath. Atualmente, com uma das formações antigas, está em turnê com o nome Heaven & Hell, e deve passar pelo Brasil em Maio.

Heaven & Hell

Essa formação conta com o sempre fiel Tony Iommi, o baixista Geezer Butler, também muito presente, o vocalista Ronnie James Dio, cuja carreira solo é bem notória, e o batera Vinny Appice, que já havia tocado em turnês com a banda. No meu último aniversário (brigadão, Ju & Renato), ganhei de presente o CD que eles lançaram com essa formação, composto em sua maioria por músicas da época do Dio no Sabbath e por algumas novas. Ótimo trabalho! É incrível o que os pais do heavy metal ainda tem a acrescentar depois de mais de 30 anos de carreira.

Outra coisa curiosa sobre o Black Sabbath é que, embora muitos considerem como “clássica” a primeira formação, com o Ozzy Osbourne no vocal, existem ótimos discos que não são dessa fase, mas não emplacaram muito. Por exemplo, o Born Again, que muitos chamavam de “Deep Sabbath”, porque o vocalista foi o Ian Gillan, da fase “clássica” e também atual do Deep Purple. Grande disco. E quase ninguém conhece. Outro, Seventh Star, com ninguém menos que “The Voice Of Rock”, Glenn Hughes (que também foi do Deep Purple em outra época).

Com tudo isso, chego à conclusão que Tony Iommi merece os parabéns. Não só criou um estilo, inclusive em função de uma limitação física (assunto para outro post), mas carregou o piano por mais de 30 anos, fazendo muitos trabalhos de qualidade com times diversos.

“Your past is your future left behind.”
Ronnie James Dio

Moe.

Lantejoulas na Merda (ou Pérolas aos porcos)

Eu sempre procuro manter as palavras de baixo calão fora desse blog, mas dessa vez realmente não deu. Os merecedores da pérola (com perdão do trocadilho) são os produtores de shows que ACHAM que um certo lugar intitulado “Arena Skol” seja realmente uma arena de shows.

Kiss

Imagina só. Você fica perto de dez anos esperando para rever uma banda, uma das suas favoritas. A formação atual não é a clássica, mas você até prefere, porque a execução das músicas está muito melhor, o repertório está mais variado, está tudo melhor. Essa é minha opinião e o meu caso, que estava esperando desde o último show do Kiss aqui, em 1999. Tenho acompanhado os shows atuais e realmente estou gostando muito da (quase) nova formação. Quase nova, porque o baterista Eric Singer já havia sido membro oficial da banda antes e o guitarrista Tommy Thayer tem trabalhado nos bastidores faz muito tempo, compondo, ajudando na produção e coisas assim, além dos comandantes Gene Simmons e Paul Stanley. Não há defeitos para se colocar nessa formação, na minha opinião. Pode haver quem discorde, claro, mas é fato que as músicas estão sendo muito bem tocadas, o repertório engloba sons de todas as fases da banda, o que é inédito usando máscaras, a pirotecnia comeu solta, enfim, adorei a performance deles.

Dr. Sin

Além disso tudo, fiquei sabendo na última hora que a abertura ficaria por conta do Dr. Sin, que já é um show à parte. Seu último disco de estúdio, Bravo, lançado em 2007, está entre os melhores do ano, na minha opinião. Os irmãos Ivan e Andria Busic fazem uma cozinha tão boa quanto seus vocais e Edu Ardanuy mostra que é um dos melhores (senão O) guitarristas brasileiros. Tinha tudo para ser ótimo, né?

Então…e seria perfeito, se o show tivesse acontecido numa ARENA DE SHOWS. Veja bem, aquilo lá é um estacionamento. Um piso plano, que não favorece a visibilidade nem pra procurar seu carro se você não lembrar onde deixou (pode pagar de espertão, mas que um dia acontece, acontece!). Para ajudar, durante o show do Dr. Sin, os telões estavam desligados! Lembrei-me do show do Metallica, em 1999, que também não teve isso. E mais: quando o Tommy Thayer lançou o primeiro rojão com a guitarra, eu gritei “BINGO!!!”. Por que? Porque o telão que eu estava olhando ficou todo numerado, igualzinho a uma cartela. Tsc, tsc.

Agora, devo ser justo nas minhas opiniões. Uma coisa fez jus ao nome do lugar: acredito que este tenha sido o show em que mais vi gente bêbada na minha vida! E olha que já fui em MUITOS! Teve quem caísse perto de mim, quem vi só de passagem, enfim, de todo tipo. Daí, comentei: não consigo, por mais que eu também goste de cerveja, imaginar qual é a graça de pagar no mínimo 170 reais e ficar bêbado o suficiente para não assistir droga nenhuma! Ah, pensando bem…deve ser divertido fazer tudo isso para atrapalhar o show dos outros…mas eu seria muito egocêntrico de pensar que essa galera chega lá trançando as pernas só por isso.

Sem contar que o som não estava bom. Grave demais, que você sentia batendo no peito, e pouco se ouviam as vozes e guitarras. Com o decorrer do show, melhorou um pouco, mas ainda ficou longe de estar bom. E as bandas dando o sangue no palco, com o som detonando o espetáculo.

Por tudo isso, eu digo: vou pensar umas dez vezes antes de ir naquele lugar novamente. Só mais um trocadilho…o pessoal da Skol está REDONDAMENTE enganado em chamar aquilo de arena de shows. É uma porra de um estacionamento! Seria bom que essa galera de produção de shows começasse a respeitar o dinheiro do público e agendar os espetáculos em lugares decentes para que pudessem ser chamados de espetáculos!

“How does it feel to fool the innocent? How can you sleep when you’re drowning in sin?”
Andria Busic

Moe.

The Hellacopters – High Visibility

Esta é mais uma banda das quais ouço falar faz tempo, mas nunca tinha pego nada para ouvir. Essa semana, apareceu na minha mão o disco High Visibility, do Hellacopters, e finalmente conheci o som dos caras.

The Hellacopters - High Visibility

É um álbum de rock, claro. Curti pelo fato de ser algo bem direto, bem executado, mas sem muitos rodeios, em alguns momentos lembrando o Kiss ou AC/DC, sem parecer copiar nenhum dos dois. As músicas são bem coesas e devem agradar bastante a esse público, que curte um bom rock ‘n roll novo com sabor de antigo.

É interessante observar como houve um certo revival desse tipo de sonoridade mais clássica do rock. Foi opurtuno, na minha opinião, pois os anos 90 passaram meio que sem isso, com apenas algumas bandas fazendo algo que tinha algumas características do passado, mas sem focar muito nisso, como o Guns ‘N Roses e o Aerosmith, por exemplo.

Essa roupagem nova de sonoridades antigas é algo que acho bem interessante, porque é uma forma mais direta de mostrar de onde vieram certas coisas, perceber a evolução do estilo. E isso me faz valorizar a época na qual eu vivo. Claro que hoje em dia, pra tocar Led Zeppelin no rádio, só ser for em uma rádio bem específica – e estou falando de UMA mesmo, a Kiss FM. Mas, embora o rock não esteja sempre com todas suas vertentes na mídia, no mainstream, sempre que vou em shows, estão de bem cheios a lotados. E nem estou falando de bandas tão conhecidas por aqui, mas algumas até mais obscuras. De alguma forma, a galera fica sabendo do show e o público mostra sua fidelidade.

Bom, o comentário do disco acabou virando outra coisa…risos. Mas, se você quiser ouvir uma banda mais recente com sabor de clássico, pode ir sossegado. Ótima pedida. Boas composições, boa execução, ótimo entrosamento da banda, mostrando que sabem o que estão fazendo. Se você não curte muito o bom e velho rock ‘n roll…bom, talvez seja um bom lugar pra começar!

“He said take my hand let us walk thru’ that door. I said I walk with my feet and I’ve been thru’ it before.”
The Hellacopters

Moe.