Moe's Lucid Dreams
Sonhos lúcidos com uma trilha sonora incrível…
Sonhos lúcidos com uma trilha sonora incrível…
01/08/11
Claro que isso não faz de mim um gênio. Também espero que os fãs dela não me entendam mal, mas tem horas em que a gente encontra o que procura.
É incrível como se traça um paralelo fácil entre o estrelato (rock stars, atores, etc) e a morte súbita e prematura. Isso não é novidade e também não começou com Jimi Hendrix. E também não parou em Heath Ledger, como já pudemos perceber.
Isso me faz lembrar de um seriado que eu assistia. Uma das protagonistas estava em um caminho de auto-destruição desde o primeiro episódio. Quando ela morreu, no final da terceira temporada, a série foi resumida no meio da temporada seguinte, porque perdeu muita audiência e foi duramente criticada. Criticada por estar de acordo com a vida real, onde isso acontece de verdade. O que concluo disso é que ver alguém flertando com a morte (tanto na tela quanto numa vida extremamente distante da sua e que você pensa conhecer) é muito interessante para o ser humano. Mas, quando o flerte “cola” e o inevitável acontece, ah, isso ninguém quer ver.
A arte imita a vida, a vida imita a arte, sei lá. A verdade é que nessa história toda, a vida fica banalizada. Quem perde alguém sabe o quão frágil e preciosa é a vida. E, quando acontece algo assim, se coloca no lugar dos familiares que ficam. É só esquecer do artista e imaginar a pessoa que tem por trás e pouca gente conhece. É nesse momento que a poesia acaba.
A dor inspira muitas coisas, isso é bem verdade. Mas será que é realmente necessário que a inspiração venha daí? Diversos artistas que lembro e não vou citar tiveram o fim de suas carreiras marcados por obras depressivas e cheias de dor. Algumas muito boas, por sinal. Boas no âmbito artístico. Mas, será que o ouvinte teve empatia suficiente para imaginar o que a pessoa estava passando para fazer aquela obra?
“Há quem aprenda pelo amor, há quem aprenda pela dor”, dizia uma pessoa muito amada. O segundo aprendizado muitas vezes não depende de escolha nossa, mas o primeiro sim.
E onde isso se cruza com a música?
A vida é feita de oportunidades. Únicas, cada uma delas. O ideal seria que o ser humano conseguisse tirar proveito delas, colaborando com o crescimento da raça. E também parasse de perder tempo fazendo merda.
“How long must I put up with the unholy sound of your gun?”
Kip Winger
Moe.
[Atomic Lab]
P. S.: Obrigado ao meu amigo Edson Rossatto, que, ao me deixar umas duas horas esperando no metrô, acabou criando a oportunidade de um novo post. =D
01/03/11
As pessoas mais próximas a mim sabem do acontecimento de Fevereiro, e sabem exatamente o que tudo isso significa para mim. Sabem que significa que tenho que tomar as rédeas de muitas coisas, que tenho que fazer coisas que já deveria estar fazendo há muito tempo, sabem que estou pensativo, meditando sobre a minha vida e o que mais vem a seguir. Esse blog não tem um caráter pessoal, mas tem certas coisas que afetam todas as esferas da sua vida, logo, este espaço não iria escapar também.
Mas, longe de ser algo com objetivo de deixar alguém deprimido, devo dizer que é possível estar em paz, mesmo não podendo ainda estar feliz. Tudo mudou para sempre, simplesmente porque EU mudei para sempre. Mas tudo que guardo dentro de mim, todas as coisas boas que guardo, estarão sempre aqui e sempre me levando para frente, junto com minha fé, com as orações e ajuda dos bons amigos e amigas e também com o suco que todos sabem que é um grande alimento para mim, a música.
Antes de tudo acontecer, tinha recebido um convite do meu amigo Neto para tocar com a banda dele numa festa, já que eles estão com um guitarrista só. Topei na hora. O repertório bem variado, tendo de Queen a Raul Seixas, passando por Supertramp, Men At Work, Cazuza e Barão Vermelho, Bob Marley e muitas outras coisas, inclusive composições da própria banda, que podem (e devem) ser conferidas no site deles, com download gratuito, vídeos no Youtube, letras e tudo mais. Aposto que já tem gente surpresa nesse ponto, por causa da diversidade. Minha mãe, sabendo de como eu gosto de tocar ao vivo (tocar, de qualquer forma possível, na verdade) estava muito contente com isso, me incentivou muito, como sempre. Daí, com tudo que aconteceu, sobrou uma semana para aprender o repertório todo, de mais ou menos 80 músicas. Isso em meio às outras tarefas que a vida me apresenta.
Deu tempo? Eu fiz dar tempo. Tiveram muitas coisas que teriam feito muita gente desistir, mas eu fui mesmo assim. Até o jantar, uma hora antes da hora combinada no local, atrasou. Celular sem funcionar. Bom, várias coisas. Várias coisas irrelevantes. Deu certo? É melhor perguntar para quem foi. Mas, do meu ponto de vista, de cima do palco, depois de estar tocando por quase quatro horas e o pessoal não querendo que a banda pare, acho que é um forte indício de que a resposta seria ‘sim’.
Curti demais e consegui tirar minha cabeça de todo o resto, naquele transe magnífico que só acontece no palco, quando você tá tocando sem ensaiar com a banda (na verdade, conheci a galera subindo no palco), principalmente se for alguma música diferente daquelas 80, que você nem ouvia há muito tempo, e você agradece a Deus por ter um ouvido colado no amp do baixo e um olho vidrado na mão do tecladista. Fazendo tudo isso ao mesmo tempo, ainda tentando colaborar com uns backings, você não vai conseguir pensar em mais nada. E quando dá certo você sente aquela reafirmação de que você tá no lugar certo, tá fazendo a coisa certa. Não que eu tivesse dúvida. Mas como dizem alguns, não é ver para crer, é preciso crer para ver.
Quero agradecer todo o pessoal da Hepen, Eder (bass/vox), Pedro (drums), Edilson (keys), especialmente o Neto (guitar/vox) pelo convite, além do pessoal do Fecha Bodegas, uma galera que realmente curte o som, agita muito mesmo depois de um dia inteiro de festa, até as 3 e meia da manhã. Foi o primeiro show que toquei onde você ouvia de um lado ‘toca Raul’ e do outro ‘toca um Petrucci aí’. E especialmente também quero agradecer minha noiva Vanessa, por me aturar falando quase que só disso por dias enquanto me preparava pra jornada, e também no caminho inteiro. Ida e volta.
“Always be my Guide and show me my way.”
Moe.
[Atomic Lab]
29/12/10
Esse ano, para mim, causou uma certa sensação de plenitude, meio que um full circle. Claro que o ciclo termina onde começa, mas o importante é que nós estejamos diferentes ao chegar no “recomeço”, e eu realmente acho que estou.

foto por Junior Reis
Em 2010, me permiti experimentar alguns caminhos musicais meio diferentes, e acabei encontrando desenvolvimento dessa forma. Busquei conhecer coisas novas, busquei me aprofundar em coisas antigas e as duas empreitadas foram muito boas. É impressionante o que o poder da observação, e mais ainda, da experiência, pode trazer de informações. Eu sempre achei bom revisitar livros antigos, discos antigos, situações antigas. E, sem medo de soar egocêntrico, em tudo você encontra a si mesmo, pois tudo é visto com seus olhos, ouvido com seus ouvidos. Já parou para pensar que se eu adoro Steve Vai e você não é simplesmente porque ouvimos de formas diferentes? Quando escuto uma música, eu interajo com ela, coloco a minha parcela na própria música, porque eu a interpreto conforme escuto. Sou eu. Eu e mais ninguém. E assim funciona com todo mundo.
Esse ano eu pude ver melhor a individualidade de certas coisas. Pude entender exatamente porque algumas coisas não funcionam, por mais que isso me desaponte, e pude aprender a aprender ainda mais com aquilo. Entendi o que uma pessoa me disse ume vez, “se não há solução, não existe problema”. A situação que o cara usou para isso era um tanto suspeita. Mas entendi o recado: se não há solução e logo não há problema, o que existe é meramente uma regra – que pode eventualmente ser quebrada.
Esse ano aprendi a ver o palco da minha vida por um novo ângulo. Um ângulo bonito, que agregou muito, juntamente ao meu ângulo natural. Tudo isso é experiência. E tem certas coisas na vida que só surgem junto com cabelos brancos. E outras coisas que só desaparecem dessa mesma forma.
“La vita fugge, et non s’arresta una hora,
et la morte vien dietro a gran giornate,
et le cose presenti et le passate
mi dànno guerra, et le future anchora;
e ‘l rimembrare et l’aspettar m’accora,
or quinci or quindi, sí che ‘n veritate,
se non ch’i’ ò di me stesso pietate,
i’ sarei già di questi penser’ fòra.
If i could stop time…
How many things that I would change from the past
I’d set my life right
If I could live forever
How many emotions I would learn to control
And feel what I want
Time is running too fast for me
You can’t stop its course
Never surrender, I’ll sleep when I’m dead
Time is moving along too fast
I can’t think straight
Won’t take all the time that I need
If I try I’ll always be late
I wanna kill time
Win my own war to survive
Only a chance…I’d surely not fail
Time is running too fast for me
You can’t stop its course
Never surrender, I’ll sleep when I’m dead
Time is moving along too fast
I can’t think straight
Won’t take all the time that I need
If I try I’ll always be late
Tornami avanti, s’alcun dolce mai
ebbe ‘l cor tristo; et poi da l’altra parte
veggio al mio navigar turbati i vènti;
veggio fortuna in porto, et stanco omai
il mio nocchier, et rotte arbore et sarte,
e i lumi bei che mirar soglio, spenti.
Time is running too fast for me
You can’t stop its course
Never surrender, I’ll sleep when I’m dead
Time is moving along too fast
I can’t think straight
Won’t take all the time that I need
I’ll always be late…
La vita fugge.”
Fancesco Petrarca/Carlo Magnani
Moe.
[Atomic Lab]
22/12/10

King Diamond – Voodoo
Este é um cara que faz algo peculiar. Certamente peculiar demais para ficar popular. Mesmo no estilo que ele trabalha, o heavy metal, é sempre um caso de ame ou odeie. Gosto dos personagens que ele interpreta em seus discos, que são geralmente conceituais, e neste é abordada a temática do vodu, que eu acho um tanto interessante. É quase como um livro escrito e percebe-se que ele fez a lição de casa em termos de pesquisas para as estórias. Além disso, Andy LaRocque é, na minha opinião, um dos guitarristas mais geniais que já ouvi e, apesar da formação da banda nesse disco não ser a minha favorita, o álbum soa muito coeso, preciso, bem produzido e sinistro. E se você não tomar pelo menos um susto ouvindo, bem…provavelmente você está mentindo. Risos.

Queensrÿche – Empire
Este já teve um post dedicado somente a ele neste blog. Maravilhoso disco, extremamente inspirado. Perfeito trabalho de todos os integrantes, especialmente de Chris de Garmo, também genial, e o idealizador da coisa toda. Não é à toa que a banda nunca mais foi a mesma após sua saída, mas felizmente eu tive o privilégio de ver um show pouco antes dele sair. É um disco especial, navega por diversos temas, tem boas baladas, ótimos solos e riffs de guitarra, a inconfundível voz de Geoff Tate, e também o ótimo trabalho de Scott Rockenfield, Eddie Jackson e Michael Wilton.

Nevermore – Dreaming Neon Black
Esta é uma banda como poucas. Ou talvez como nenhuma outra. Com um dos melhores intérpretes no gênero do heavy metal (o vocalista Warrel Dane) e temáticas sempre inquietantes, o Nevermore é uma das bandas mais novas das quais eu realmente gosto – e olha que seu primeiro disco foi lançado em 1994. Com Jeff Loomis na guitarra, por vezes acompanhado por algum outro guitarrista numa vaga cíclica (no caso deste disco, Tim Calvert), é um dos caras mais criativos com o instrumento. Além de técnica impecável, seu fraseado é muito diferenciado e seus riffs são extremamente marcantes e compõem a força motriz da banda. A cozinha do baixista Jim Sheppard e do baterista Van Williams é extremamente entrosada e realmente monta a cama para tudo que acontece em cima dela. Este é um álbum conceitual que trata da história de um homem levado à loucura pela perda de sua amada. Nem parece tema de um disco de heavy metal, né? Pois é. Mas eu acho que é uma das melhores obras deles, especialmente porque não tem aquele ‘Q’ de disco conceitual, é um álbum que flui muito bem e todas as músicas funcionam muito bem sozinhas. Pouca gente conhece. Mas quem conhece, gosta.

Dream Theater – Awake
Claro que tinha que ter um Dream Theater. Também foi difícil escolher qual o álbum desta banda eu colocaria, visto que sou muito fã e que provavelmente o disco que mais escutei na vida foi o mais conhecido deles, Images And Words. Mas escolhi este por apresentar uma atmosfera que gosto mais, um tanto mais escura e sombria, e principalmente por causa da introdução da guitarra de sete cordas, que é um instrumento que gosto muito e que tornou-se extremamente importante na sonoridade da banda. A competência dos membros é indiscutível, embora muita gente critique o vocalista James La Brie, como se fosse fácil cantar sobre os compassos muito incomuns nos quais ele parece totalmente confortável. Nesta época, a banda ainda contava com o primeiro tecladista, Kevin Moore, o baixista John Myung e um dos meus favoritos, o guitarrista John Petrucci, além do baterista Mike Portnoy, que saiu da banda esse ano depois de 25 anos de carreira.

The Beatles – Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band
Claro que não poderia faltar um Beatles, de forma alguma. Gosto muito da discografia inteira, mas esse disco é especial para mim, porque me lembro ouvindo-o muito quando eu era muito novo. Vários anos depois eu fui saber da importância histórica dele, meio que inaugurando todo o lance de rock psicodélico, abrindo as portas para toda a cultura flower-power dos hippies e parindo a década de 70. Sem contar todo o conceito do álbum: como eles não fariam uma turnê, o álbum sairia em turnê. E, baseados nessa idéia, os Fab Four escreveram as músicas de forma a apresentar a banda na primeira e agradecer a todos pela presença na “última”, que na verdade acabou sendo a penúltima. Entra também o conceito de full-circle, ou “termino onde começo”, com a música Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band e sua reprise, e depois um perfeito adendo com A Day In The Life, que muito antes de eu aprender a falar inglês eu já percebia algo que descrevo como “um gosto de morte”. O meio do disco conta com diversas outras pérolas, como Lucy In The Sky With Diamonds, Lovely Rita, She’s Leaving Home, Fixing A Hole, Good Morning Good Morning e uma de minhas favoritas, Getting Better. Within You Without You traz a viagem de George Harrison e Being For The Benefit Of Mr. Kite! trata-se de John Lennon musicalizando um cartaz de anúncio de um circo. Paul McCartney também brilha como sempre e parece um tempo muito distante quando ele cantava When I’m Sixty-Four. Ringo Starr também fez seu trabalho como sempre e cantou With A Little Help From My Friends, que acabou virando um hino sobre a amizade e marcou a época. O que pouca gente sabe é que na verdade as primeiras músicas para esse álbum foram as famosíssimas Strawberry Fields Forever e Penny Lane, que saíram como singles pouco antes. Desnecessário dizer que é difícil superar um disco desses.
Faltou disco, com certeza. Eu mesmo, ao terminar de escrever, penso em alguns que eu deveria ter colocado. Mas não vai faltar oportunidade.
“Fly beyond the dreaming, fly beyond our being
Turn and face the mirror, the answers come, clear as glass.”
Warrel Dane
Moe.
[Atomic Lab]