Old And Wise

As far as my eyes can see
There are shadows approaching me
And to those I left behind
I wanted you to know
You’ve always shared my deepest thoughts
You follow where I go

And oh, when I’m old and wise
Bitter words mean little to me
Autumn winds will blow right through me
And someday, in the mist of time
When they asked me if I knew you
I’d smile and say you were a friend of mine
And the sadness would be lifted from my eyes
Oh, when I’m old and wise

As far as my eyes can see
The are shadows surrounding me
And to those I leave behind
I want you all to know
You’ve always shared my darkest hours
I’ll miss you when I go

And oh, when I’m old and wise
Heavy words that tossed and blew me
Like autumn winds will blow right through me
And someday, in the mist of time
When they ask you if you knew me
Remember that you were a friend of mine
As the final curtain falls before my eyes
Oh, when I’m old and wise

As far as my eyes can see…

Alan Parsons

Moe.
[Atomic Lab]

Dez Ótimos Álbuns (Parte 1)

Longe de ser um “top ten”, montei uma lista de alguns discos que estão entre meus favoritos e vou postá-la em duas partes. Essa é a primeira.

A proposta não é dizer que são os melhores, os mais famosos ou os mais qualquer-coisa-que-você-imaginar. Simplesmente estive refletindo sobre alguns discos que eu salvaria de um incêndio se pudesse escolher somente alguns. Aproveitei para contar um pouco do que cada um me passa, o que faz cada um deles importante para mim. Provavelmente a maioria dos artistas já foi citado aqui no blog exatamente por esse motivo. Vamos lá.

Shadow King - Shadow King
Shadow KingShadow King
Esse é um álbum que esperei nada menos que nove anos para encontrar, e acabei ganhando-o de presente de meu amigo Fernando. Uma das minhas obras favoritas de hard-rock, esse álbum contém ótimas músicas, compostas em sua maioria pela dupla Lou Gramm e Bruce Turgon, tendo na banda também Kevin Valentine e Vivian Campbell. É o único disco oficial da banda, e a única música da qual tenho notícia que foi gravada além destas foi One Dream, que foi parar na trilha sonora de Highlander II, que foi como conheci a banda. É realmente uma jóia tão rara quanto desconhecida, e vale muito a busca.

Rush - Counterparts
RushCounterparts
Esse foi o primeiro disco do Rush que eu realmente peguei para ouvir, e uma das primeiras coisas que reparei foi na maturidade usada na mescla dos instrumentos, com os teclados na medida certa, após uma fase que eu julgo meio exagerada nesse sentido (não somente eu, mas também o guitarrista Alex Lifeson). Considero este o melhor trabalho do Rush, por conta disso, e também pela musicalidade, precisão na execução das maravilhosas músicas e por conter letras do baterista Neil Peart que são realmente pensadas e que fazem pensar também quem presta atenção a isso. Geddy Lee também brilha com algumas das que eu julgo como suas melhores levadas de baixo, e o vocal ótimo como sempre, com a estridência melhor dosada que no passado. Infelizmente, raramente são tocadas músicas deste nos shows, o que acaba deixando o álbum na obscuridade, de certa forma. Dificilmente é o primeiro disco que algum fã cita. Mas, para mim, é o melhor.

Savatage - The Wake Of Magellan
SavatageThe Wake Of Magellan
Como sempre procuro sentido nas letras e adoro álbuns conceituais, este aqui me agrada muito. Capitaneado por Jon Oliva, o Savatage traz uma vertente do heavy metal um tanto difícil de enquadrar nos cada vez mais numerosos subgêneros. Mas o importante é que a competência de todos e o tempero do produtor, letrista e compositor Paul O’Neill faz com que seja uma obra magnífica. As guitarras de Chris Caffery e Al Pitrelli estão em perfeita combinação com os riffs de piano (difícil ouvir essas duas palavras numa mesma frase, riff e piano) de Oliva, sobre a competente cozinha do baixista Johnny Lee Middleton e do baterista Jeff Plate. Dando vida aos personagens e narradores da história, Zak Stevens e Oliva alternam suas vozes, dando uma variação que gosto muito, principalmente por conta da interpretação de cada um em cada momento.

Grand Funk Railroad - Closer To Home
Grand Funk RailroadCloser To Home
Conheci o Grand Funk quando era bem novo, ouvindo esse disco com meu pai e meu irmão, não lembro exatamente quando. Mas sei que depois dessa vez, ouvi muitas vezes o disco novamente. A combinação de peso em algumas faixas e leveza em outras dá muita dinâmica ao trabalho, que eu sempre enxerguei como uma curva, com Mark Farner começando agressivamente na guitarra, passando pelo piano Fender Rhodes e depois para o lendário órgão Hammond, antes de voltar para a guitarra, combinando tudo numa ótima atmosfera para terminar o disco, sempre acompanhado de Mel Schacher no baixo e Don Brewer na bateria, que também dividia vocais com Farner. Ótima obra. Perfeita para quem curte um som setentista mas quer sair do óbvio triângulo Purple-Zeppelin-Sabbath.

Steve Vai - Sex & Religion
Steve VaiSex & Religion
Novamente, saindo do óbvio. Este foi um trabalho muito criticado, porque o virtuoso Steve Vai resolveu montar uma banda completa e ter uma abordagem mais “normal”. Então, ele reuniu Devin Townsend, TM Stevens e Terry Bozzio (três caras que não tem nem um pouco de normal, mediano ou medíocre) e gravou esse disco, ainda soando como um trabalho solo dele, mas com essa intenção de banda. O resultado acabou antecipando algumas coisas da carreira dele, pois ele mesmo viria a cantar posteriormente (na verdade, já tinha feito isso antes, mas somente em trabalhos mais experimentais e left-overs, e nesse disco mesmo, ouve-se bastante da voz dele). Ótimo trabalho, e mostra com extrema nitidez o por quê de termos que seguir nossa intuição artística independentemente do que os outros digam: quando ele fez discos com milhares de guitarras, criticaram, quando fez com uma banda, criticaram também. E eu (e alguns milhões de pessoas) gosto das duas coisas.

“Young enough not to care too much
About the way things used to be
I’m young enough to remember the future – The past has no claim on me
I’m old enough not to care too much
About what you think of me
But I’m young enough to remember the future – And the way things ought to be.”
Neil Peart

Moe.
[Atomic Lab]

O Show de Paul McCartney

Muita gente sabe que o Paul McCartney fez shows em São Paulo, ontem e hoje. Eu consegui ser um dos milhares de afortunados a realizar o sonho de uma vida. Certamente é difícil expressar em palavras algo assim. Digo, sem nenhum medo de estar errado, que Paul é o mais importante compositor vivo. O mais famoso também, mas não achei adequado colocar isso na mesma frase, pois seu legado vai muito além de fama.

Paul McCartney

A primeira coisa que eu noto é o diferencial na ética de trabalho. Com quase 70 anos, nunca o vi falar em aposentadoria. Só pode ser amor que segura um cara em algo por tanto tempo. E o vigor e dedicação, com 3 horas de show e muita emoção, com direito até a voz embargada no início de My Love, após dizer que escreveu a música para “minha gatinha Linda”. Isso depois de já ter tocado alguns clássicos mais esperados, como Jet, All My Loving, Drive My Car, The Long And Winding Road e Let’em In.

Tenho que falar sobre a banda: não é sem motivos que ele mantém a mesma formação a mais ou menos uma década. Esses caras têm, na minha opinião, o melhor emprego do mundo – e fazem jus à posição: Rusty Anderson (guitarra), Brian Ray (guitarra, baixo), Paul Wickens (teclados) e Abe Laboriel Jr (bateria). Eles incorporam os clássicos desde a época dos Beatles até canções mais recentes, executando tudo com maestria, mostrando uma polivalência rara e imprescindível.

Impressionante também é a humildade e entrega que Paul demonstra no palco. Tentando falar Português, citando a falecida esposa Linda, ficando na frente de milhares de pessoas, sem barreiras entre si e o público, armado por três coisas poderosíssimas e de aparência inofensiva para um desavisado: um violão, uma voz e uma composição fantástica de melodia inesquecível. Assim ouvimos Yesterday, Blackbird e Here Today, esta última escrita e tocada em homenagem a John Lennon, mostrando que aparentes rusgas deixadas por um projeto terminado não podem ser maiores que a amizade, amor e cumplicidade necessários para o sucesso da empreitada conjunta. Em molde similar e em homenagem a George Harrison, iniciou Something, acompanhado apenas por um ukulele e depois tendo a entrada da banda, quando Rusty brilha com mais uma interpretação magnífica do famoso solo.

Um ponto muito alto do show para mim foi Band On the Run, uma de minhas favoritas. Perfeita. Interessante observar Rusty e Brian trocando de instrumentos, para proporcionar o timbre ideal para as diferentes partes da música, e a cara de contente de Brian quando toca sozinho o interlúdio com o violão de doze cordas.

Em seguida, fazendo uma orgia de Beatles, emendaram com clima cômico em Ob-La-Di, Ob-La-Da e rock de primeira em “Back In The USSR”, que até o título já entrega que é das antigas. Continuaram com I’ve Got A Feeling, Paperback Writer (essa me pegou de surpresa, realmente), A Day In The Life, que é outra de minhas favoritas que eu estava esperando muito para ouvir, e tem seu final substituído pelo refrão de Give Peace A Chance, de John Lennon. No final da orgia, Let It Be e Hey Jude tem seu clima nostálgico separado por Live And Let Die, com o palco literalmente incendiado e uma queima de fogos acompanhando. Foi um combo magnífico, pra fã nenhum botar defeito.

No caminho para o estádio, comentei com meu irmão e meu pai algumas músicas que achávamos que deviam ser tocadas, e uma delas foi Lady Madonna, e o desejo foi atendido. Obviamente algumas ficaram de fora, mas é o que se ganha com o fato de Paul McCartney ser um compositor tão prolixo e bom. Pronto. Bom. Não há o que dizer de um cara que compôs a música mais regravada do planeta e muitas outras que mexem com quem escuta, com uma carreira tão extensa, com uma perseverança tão grande no que faz. É um longo caminho desde um garoto que cabulava aulas em Liverpool para tocar violão com os amigos até um Sir que faz uma turnê mundial que você ficou esperando praticamente 20 anos para ver. Não é algo que todo mundo consegue. Alguns não conseguem porque são baleados em frente de casa, mas a maioria de nós não consegue simplesmente porque não somos bons como ele. E ponto final.

Se eu comentasse cada música, o post ficaria longo demais para alguém ler (se é que já não está). Mas posso afirmar que a qualidade permeou o show e a resposta do público foi de acordo. Realmente algo único, digno de um Beatle. Digno do compositor mais importante atualmente vivo.

“And the first one said to the second one there ‘I hope you’re having fun!’”
Paul McCartney

Moe.
[Atomic Lab]

PS1: feliz Dia do Músico pra você também!

PS2: segue o setlist divulgado no site oficial:
1. Venus and Mars / Rockshow
2. Jet
3. All My Loving
4. Letting Go
5. Drive My Car
6. Highway
7. Let Me Roll It
8. The Long And Winding Road
9. Nineteen Hundred and Eighty Five
10. Let ‘Em In
11. My Love
12. I’ve Just Seen A Face
13. And I Love Her
14. Blackbird
15. Here Today
16. Dance Tonight
17. Mrs Vandebilt
18. Eleanor Rigby
19. Something
20. Sing The Changes
21. Band on the Run
22. Ob-La-Di, Ob-La-Da
23. Back In The USSR
24. I’ve Got A Feeling
25. Paperback Writer
26. A Day In The Life / Give Peace A Chance
27. Let It Be
28. Live And Let Die
29. Hey Jude

Encore
30. Day Tripper
31. Lady Madonna
32. Get Back

Second Encore
33. Yesterday
34. Helter Skelter
35. Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band / The End

Quando o jegue empaca (ou Burning My Soul)

Ontem fui surpreendido pela notícia da saída de Mike Portnoy do Dream Theater, banda que ajudou a fundar mais ou menos 25 anos atrás e que popularizou (na medida do possível) o heavy metal progressivo. Ele deixou a banda e, na nota do site oficial, alegou que precisava de férias das atividades da banda, mas os demais membros não concordaram.

Mike Portnoy

Até aqui, tudo bem. Digo, esse tipo de coisa é bem comum em bandas – talvez não muito depois de uma jornada de 25 anos. Mas, lendo atentamente a notificação escrita pelo Portnoy, ele estava sentindo-se consumido pela “máquina DT”. E não é para menos. Já faz alguns anos que a banda está em uma certa rotina cíclica de “gravar disco – turnê mundial – gravar dvd ao vivo”. O que ocorre é que ele é um workaholic que supervisiona tudo pessoalmente e, além de tocar bateria (muito bem, por sinal), também produz os dvds, co-produz os albuns com o guitarrista John Petrucci, e demais tarefas bandísticas como compor músicas, escrever letras, etc.

Tudo bem normal, né?

Talvez nem tanto. O fato é que quando o jegue está sobrecarregado, mais cedo ou mais tarde, ele empaca. Fato.

Explico, claro! Longe de mim dizer que algum dos caras da banda seja relapso, mas Portnoy foi se cercando de mais e mais atribuições ao longo dos anos e estava longe de ser somente o baterista. Algumas de suas atribuições são realmente incomuns aos bateristas, como escrever grande parte das letras das músicas. Claro, Neil Peart escreve (muito bem) praticamente todas as letras do Rush desde que entrou, mas a maioria das composições não tem a participação dele. E assim funciona um time, cada um desempenha um papel, se compromete com alguma coisa, faz jus ao compromisso, e ninguém fica sobrecarregado. Ou pelo menos deveria ser assim.

Nunca vi equipe nenhuma em toda minha vida em que todos os membros estivessem equiparados em seus esforços. Nem espero ver. De verdade, não espero mais que isso aconteça e estou em paz com isso – o que não quer dizer que eu concorde.

Talvez, de uma certa forma, as equipes sejam fadadas a darem errado e seja preciso um constante esforço para evitar que isso aconteça. Como disse uma vez ao meu amigo e parceiro de projetos Renato, “A gente não precisa fazer nada pra dar errado. Aliás, nada é exatamente o que precisa ser feito. Essa p*##@ é morro abaixo!”

“You drop the ball, I pick up the slack and you ask me why my hairs gray (…) So I hurt your feelings, well I’m really sorry but I don’t give a shit…” – Mike Portnoy

Moe.
[Atomic Lab]