Moe's Lucid Dreams
Sonhos lúcidos com uma trilha sonora incrível…
Sonhos lúcidos com uma trilha sonora incrível…
13/08/10
Gene é conhecido por ser um “business man”, um marketeiro. Os fãs sabem que ao mesmo passo que Paul Stanley é o glamour, focado na imagem adequada e afins, Simmons foi um desbravador em termos de merchandising e branding – o que, na opinião de muitos especialistas, é uma das coisas que pode salvar o music business atual. Mas ele já pensava nisso na década de 70.
O que mais me chamou atenção no episódio foi uma parte onde ele disse algo assim: “Percebo muitas pessoas reclamando que ganham pouco, especialmente os jovens. Você quer ganhar mais dinheiro? Trabalhe mais!” Depois disso, ele fez uma conta de quantos dias você trabalharia a mais por ano se trabalhasse 7 dias por semana e tivesse 2 semanas de folga no ano. Um cálculo um pouco extremo, mas nem tanto.
Outro dia tive uma conversa com alguns amigos e expliquei um pensamento que tenho sobre a relação retorno/investimento de uma carreira na música ou qualquer outra. Sempre discordo das pessoas nesse assunto, porque o que a maioria delas pensa é: para uma carreira na música, preciso comprar um bom equipamento e aparatos, investir meu tempo e dinheiro em instrução, ensaios, etc., e é difícil arrumar oportunidades que paguem bastante por um show ou gravação. Ok, tudo isso é verdade.
“Mas o que as pessoas não pensam”, eu disse a eles, “é que para qualquer outra carreira, você está sendo preparado e alguém está investindo em você desde quando você era quase um bebê! Você é um programador? Você escreve linhas de comando porque foi alfabetizado, mas isso não tem tanto a ver com eu pegar uma guitarra e tocar, teria a ver com escrever letras, mas não preciso ser um letrista para ser músico (embora eu o seja).” Claro, o exemplo da alfabetização foi simplificado, porque você precisa conhecer os protocolos de comunicação chamados línguas (desculpem o trocadilho). Mas o que é nítido para mim é que as pessoas não incluem nas suas continhas o que não foi pago diretamente por elas ou o que não tem uma finalidade direta e sim genérica – o que não é o caso de cursos de música, estúdios e instrumentos.
O pensamento de ser músico é sim um ato revolucionário. Não de uma maneira juvenil e marginal, simplesmente buscando a identidade em um radicalismo, mas de qualquer ponto de vista maduro. É sim uma contramão que você está pegando, nadando contra a corrente. E essa analogia funciona exatamente como o comentário de Gene Simmons: se você pretende ser mais forte do que o rio que te empurra, deve estar disposto a forçar (muito) seus braços.
Conheço pouquíssimas pessoas que fazem isso, mesmo em outras profissões. Mas conheço MUITA gente que reclama. Estou tentando ficar nesse primeiro time aí – com certeza é mais rentável! Antes eu me decepcionava porque alguém não fazia algo, ou não fazia da maneira como eu penso ser a melhor e as coisas acabavam não dando muito certo. Claro que dá vontade de reclamar. Mas é melhor abraçar o fardo que você escolheu e carregá-lo. De boca fechada para ter mais fôlego.
“I may have wasted all those years/they’re not worth their time in tears/I may have spent too long in darkness/in the warmth of my fears/Take a look at yourself/not at anyone else/and tell me what you see/I know the air is cold/I know the streets are cruel/but I’ll enjoy the ride today” – John Myung
Moe.
[Atomic Lab]
10/08/10
Esses dias eu tenho estado nas margens arenosas de um grande lago criado por Neil Gaiman: o universo de Sandman. Entre minhas leituras atuais em livros de teoria musical, sites de music business e revistas de guitarra, estou visitando os HQs que contam as histórias desse personagem fantástico também chamado de Morpheus ou Dream.
Claro que você notou a referência ao nome do blog, né? E eu sei que tem algumas pessoas que sabem de onde o nome realmente veio também. Pois é. Mas todo esse lance de influência e inspiração me fez pensar porque ando escrevendo pouco por aqui. Ocupado? Sinceramente, quem dentre nós não gasta uma meia horinha para falar da vida alheia ou de coisas que não acrescentam nada à nossa própria? Também sou culpado disso, portanto, deveria estar por aqui escrevendo.
E o que tudo isso tem a ver com o Sandman? Tem a ver com os sonhos. Tem a ver com o tempo que aplicamos a eles e com os resultados que esperamos que sejam obtidos. Tem a ver com limpar a areiazinha dos olhos pela manhã para enxergarmos a realidade do dia e passarmos por ele da melhor maneira que pudermos, até que possamos voltar novamente aos sonhos da noite.
Da mesma forma como sou influenciado por artistas e personagens, também o sou por pessoas que fazem o melhor com suas vidas, independentemente da área de atuação. Aquela pessoa que parece não perder seu tempo com algumas bobagens que eu perco, parece não se desviar das coisas como a maioria das pessoas se desvia. Tem dias em que as coisas parecem bem organizadas e em outros, nem tanto.
E tem tantas coisas que aprendo com elas! E tantas coisas que ando aprendendo com o mestre Neil Gaiman, ou com seu ‘alter-ego’, The Sandman. Algumas coisas interessantes estão nos parágrafos seguintes. Não coloquei na ordem cronológica, mas…numa ordem que faz algum sentido.
“It means that we’re just dolls. We don’t have a clue what’s really going down, we just kid ourselves that we’re in control of our lives while a paper’s thickness away things that would drive us mad if we thought about them for too long play with us, and move us around from room to room, and put us away at night when they’re tired, or bored.” – Rose Walker
“What power would hell have if those imprisoned here would not be able to dream of heaven?” – Dream, a Lucifer e os cidadãos do inferno
“I’m not blessed, or merciful. I’m just me. I’ve got a job to do, and I do it. Listen: even as we’re talking, I’m there for old and young, innocent and guilty, those who die together and those who die alone. I’m in cars and boats and planes; in hospitals and forests and abbatoirs. For some folks death is a release, and for others death is an abomination, a terrible thing. But in the end, I’m there for all of them.” – Death
“- I am anti-life, the beast of judgement. I am the dark at the end of everything. The end of universes, gods, worlds… of everything. And what will you be then, Dreamlord?
- I am hope.” – Choronzon e Dream
“People think dreams aren’t real just because they aren’t made of matter, of particles. Dreams are real. But they are made of viewpoints, of images, of memories and puns and lost hopes.” – John Dee
“To emulate flesh machines I am learning.”
Warrel Dane
Moe.
[Atomic Lab]
17/05/10
Nesta noite de domingo, liguei meu computador depois de uns dois dias off-line para ver e-mails e afins. Pra que?!? Vi alguns comentários no orkut, pesquisei no Google e lá estava: ele havia morrido, às 7:45 da manhã, aumentando o time dos que perderam a batalha contra o câncer. Pois é. Tanto tempo dedicado à tecnologia armamentista, mas a humanidade ainda não teve um tempinho para achar a cura dessa doença. Será que é porque a indústria farmacêutica enriquece tendo doentes gastando tudo para se tratarem de algo que não vai ser curado? Imagina, eu que sou ranzinza e penso mal dos outros!
Sobre os trabalhos dele, acredito que para a maioria das pessoas que veio parar nessa página, não vou contar nenhuma novidade: no início de carreira, participou da banda Elf, conheceu Richie Blackmore e participou com ele do Rainbow, gravando o que para mim é um dos discos mais importantes do início do heavy-metal (hoje classificado como classic rock por já ter virado “vintage”), Rising, entre outras obras. Fez parte do Black Sabbath, sendo o único vocalista que realmente rivalizou o carisma de Ozzy Osbourne (e olha que nessa disputa entraram Glenn Hughes e Ian Gillan, além de Ray Gillen e Tony Martin…). Sua estada no Sabbath foi tão produtiva que os clássicos de então geraram uma volta dessa formação sob a alcunha de Heaven & Hell, conforme já citado nesse blog. Sua carreira solo também foi consagrada, especialmente nos primeiros discos, com clássicos como Holy Diver, Rainbow In The Dark, Don’t Talk To Strangers, Last In Line. Aproveitou a deixa para revelar um ótimo guitarrista, também já citado aqui, Vivian Campbell (sim, é o nome de um cara).
Lembro-me bem do Dio pela primeira vez que ouvi sua interpretação de Dream On, do Aerosmith, ao lado de Yngwie Malmsteen. Belíssima!!! Ou da primeira vez que ouvi Rainbow In The Dark e exclamei, “p*t@ que p@r*u, que riff do c@r@lh*!!!”. Pois é, foi isso mesmo que falei…e a música merece!
Quando vi a notícia, liguei para meu irmão, que compartilhou comigo alguns dos momentos acima, fazendo observações similares. Ele mostrou uma preocupação pertinente: esses estilos mais antigos estão morrendo. O velho está dando lugar para o novo. Sim, o novo é diferente, e, na opinião de muitas pessoas, pior. Até por interesse próprio, prefiro pensar que seja só diferente. Prefiro pensar que várias bandas ainda tem muito chão pela frente, que ainda vão produzir muito. Sou fã de música e sempre que me vejo perdendo meus ícones, bate um certo desespero. Vide o post Mártires da Causa. E a lista só aumenta.
Existe um ditado americano que diz “Shit happens”, ao que completo, “all the time”. Mas sou grato por ter essas obras para admirar, pois elas vão durar por muito tempo após seus artesãos. Acredito que seja assim que seja medida a contribuição de alguém para a humanidade: mostrando-se as suas obras.
Descanse em paz.
“Every man will ask the questions and every man will suffer blame and loss. Every day you die a little, understand the change, and choose your path without disdain.”
Warrel Dane
Moe.
[Atomic Lab]
PS: obrigado aos que perguntam porque não escrevi mais e aos que voltam aqui em busca de novos posts. Espero aumentar minha freqüência novamente.
20/01/10
Nas minhas costumeiras leituras sobre music business, me deparei com o assunto da obtenção do sustento vindo da música. Já discuti isso incontáveis vezes com mais pessoas do que consigo me lembrar. Mas é incrível como, até hoje, nenhuma delas conseguiu derrubar meu argumento mais básico: se você faz um trabalho, você é pago, não? Então, por que diabos você espera que eu trabalhe de graça???
Se você achar que não tenho razão, tem um botão escrito “comentar” em algum lugar no final desse post. Manda ver!
Aí, um qualificadíssimo professor universitário, profissional da música, me contou sobre uma garota que queria ingressar num curso de music business. Ele perguntou, “e você, compra muita música?”, ela disse, “na verdade não, eu assisto aos vídeos no YouTube e faço download dos mp3″. !!! O comentário que ele fez para mim: “esta é uma pessoa que está considerando a música como carreira…de onde ela pensa que vem o dinheiro???”.
Vamos lá, agora me apedreje e diga: vem dos shows!!!
Aí fico pensando…exatamente agora, começou a tocar Imagine, do John Lennon, na rádio que estou ouvindo. Isso me remeteu aos Beatles, que por sua vez remeteram aos rumores dos shows do Paul McCartney no Brasil, ainda não confirmados. Porque estou dizendo isso? Simplesmente porque eu NUNCA pude assistir a um show de nenhum dos dois, muito menos dos Beatles que eu gosto tanto. Ou seja…se dependesse de mim, com o pensamento do parágrafo anterior…eles teriam morrido de fome??? Porque FAMA não paga contas, DINHEIRO é o que paga.
Agora, claro que tem muita gente que não encara música como trabalho, que acha que músico é desocupado, vagabundo, no máximo um hobbysta excêntrico – e claro que tem “músicos” que contribuem com o pensamento. Conselho meu para essas pessoas: tente tocar um instrumento, tente cantar, tente compor uma música, tente fazer disso um negócio. Quem sabe assim você perceba o TRABALHO que dá. Se não perceber, parabéns! Ou você se contenta com muito pouco ou realmente não tem idéia do que está fazendo.
Claro, existe o outro lado: quem ama música, mas isso realmente está fora do seu poder aquisitivo. Boas notícias: os tempos estão mudando e a tirania de pagar caro por CDs está acabando. Hoje, você não precisa mais comprar um CD caríssimo só por causa de UMA música que gosta, você pode comprar só essa. Você pode ouvir em serviços gratuitos de rádio na internet, que não necessariamente geram dinheiro ao artista mas também não permitem que você tenha posse de algo que não lhe pertence. Você desfruta da música, o artista faz sua divulgação, e quando estiver ao seu alcance, você compra a música. Daí, o artista usa o seu dinheiro para fazer mais música e o ciclo recomeça.
Pense bem antes de interromper esse ciclo. Você pode estar matando seu artista favorito. Costumo dizer que tudo (inclusive amor e ódio) funciona bem na base da reciprocidade: vai daqui se for daí! Se você pensar somente em receber sem dar nada em troca, uma hora você não vai mais ter de onde receber (alguma semelhança com as crises ambientais no planeta todo???). Vou torcer para que isso não aconteça.
“That ain’t working, that’s the way you do it. Get your money for nothing and the chicks for free.”
Mark Knopfler
Moe.
[Atomic Lab]