Faz tempo que eu queria ter escrito um artigo sobre esse Rei sem herdeiros. Infelizmente, ele teria um sabor alegre quando pensei em fazê-lo…mas não o fiz.

Michael Jackson é uma daquelas pessoas que eu jamais imaginei velho. Não por alguma coisa premonitiva nem nada do gênero. Mas sim por causa do caráter icônico que ele atingiu e sempre me vem na cabeça - no alto da Estátua da Liberdade, nos idos de 1991, época de Dangerous. Roupas pretas e brancas, uma luva bem diferente e os cabelos voando com o vento, tudo isso visto por um garoto de 9 anos, que começaria a estudar música pouco tempo depois, para não parar mais.
John Lennon disse que “Um rei sempre acaba morto por seus cortesãos”. Pensei isso na hora que recebi a notícia por telefone da morte de Michael, seguido pelas mais sinceras palavras, “caralho, que merda”. Não dava pra pensar em nada mais poético e sentido. Agora, tô tentando organizar os pensamentos para escrever, ouvindo The Way You Make Me Feel, do álbum Bad.
Se a metade das pessoas que o criticava por qualquer motivo tivesse feito a metade do que ele fez, o mundo seria bem melhor. Teria muita música melhor. Teria artistas melhores. É fácil falar mal. É fácil esquecer que ninguém é perfeito, que por trás do ícone existe um ser humano que tem a vida posta num microscópio o tempo todo, enquanto nós vivemos fazendo nossas “cagadas anônimas”. Os mesmos que agora o chamam de esquisito, pejorativamente, já o chamaram de original e excêntrico. Os mesmos que criticam sua falência piratearam suas músicas, contribuindo com o ocorrido. A mão que afaga é a mesma que apedreja. Ontem era da moda. Hoje é brega. Tsc, tsc.
Você que está lendo pode estar pensando, mas e as acusações de pedofilia? Eu digo: eu não estava lá, não sei se aconteceu ou não. Mas sei que já vi pessoas se vendendo e vendendo até amigos por muito menos do que esses pediam de indenização a Michael. Como se dinheiro e exposição pública curassem alguma ferida moral de alguém. Como se alguém realmente vítima sentisse vontade de mostrar o rosto para o mundo inteiro e se expor dessa forma. Duvido muito. Agora começa Just Good Friends. Mas é fácil acusar. É fácil colocar alguém na frente de um juiz para se justificar. Difícil é ter o disco mais vendido do mundo. Numa época em que a população mundial era MUITO menor do que a atual, ele vendia mais discos que muitos artistas de hoje que se consideram no topo. E todo mundo gostava, adultos, crianças, idosos. Numa época que não tinha YouTube, MySpace, iTunes, blog.
Bom, originalmente, esse artigo seria sobre a velocidade na qual se esgotaram os ingressos dos 50 shows de Londres. Somente hoje vi o vídeo dele falando sobre o evento - “This is it. This is the final curtain call”. Mas o pano caiu um pouco antes. Mas, se você pode reconhecer uma árvore pelos seus frutos, pode também conhecer um homem por suas obras. A música de Michael é imortal. Ainda bem, porque o trono do Rei do Pop não tem um herdeiro à altura.

“Be careful of what you do ’cause the lie becomes the truth.”
“If they say why, why, tell ‘em that it’s human nature.”
“Well, they say the sky’s the limit and to me that’s really true. But my friend you have seen nothin’. Just wait ’til I get through…”
“I’m gonna make a change for once in my life. It’s gonna feel real good, gonna make a difference, gonna make it right.”
“Can’t you see? You’re just another part of me.”
“I have to find my peace ‘cuz no one seems to let me be.”
“They say I’m different, they don’t understand. But there’s a bigger problem that’s much more in demand.”
“Do you remember those special times? They’ll just go on and on in the back of my mind.”
“You won’t be laughing girl when I’m not around but I’ll be ok.”
“Like a rainbow fading in the twinkling of an eye. Gone too soon.”
Moe.